Na manhã desta segunda-feira (14/09), representantes do poder público, de entidades de classe e especialistas estiveram presentes na abertura do Ciclo de Debates Judicialização da Saúde, realizado pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).
O objetivo do encontro foi debater o atual cenário da Judicialização da Saúde, buscando o aprimoramento do sistema por meio de parcerias entre diversos órgãos públicos. O Secretário de Estado de Saúde de Minas Gerais, Fausto Pereira dos Santos, compôs a mesa da plenária, e reforçou que, apesar de a judicialização ser um avanço do exercício da cidadania, as distorções que ocorreram com o passar dos anos fazem com que a questão tenha sempre que ser revista para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS).
Durante sua fala, o secretário defendeu que é preciso buscar alternativas para enfrentar a judicialização de uma forma mais racional, que garanta melhor assistência para o conjunto da população. Como exemplo, enfatizou que Minas Gerais tem mostrado capacidade de propor iniciativas, como o Ciclo de Debates da Assembleia Legislativa, ou as tomadas no âmbito do próprio Tribunal de Justiça, da Defensoria Pública, do Ministério Público, da Secretaria Estadual de Saúde e das Secretarias Municipais.
“Todos vêm buscando construir alternativas, de forma a trazer esse conjunto de questões para um patamar de maior possibilidade de intervenção dos vários atores. A judicialização é um fenômeno irreversível, que pode e deve ser tratada de outro parâmetro. Temos tidos bons resultados e podemos avançar muito mais”, afirma o secretário.
O crescimento do número de ações na Justiça com o objetivo de assegurar medicamentos e tratamentos médicos pelo SUS e, consequentemente, dos gastos com o cumprimento dessas sentenças foram as principais questões discutidas ao longo do primeiro dia de debates.
Autor do requerimento que deu origem ao ciclo de debates, o deputado estadual Wilson Batista reforçou a importância do evento como meio para se discutir propostas que possam reduzir a necessidade de demandas judiciais envolvendo a saúde. “A judicialização é um exercício de cidadania e, dessa forma, legítima. É possível, no entanto, qualificar a judicialização, para que seu uso não seja exagerado”, ressalta.
Participaram ainda da mesa de abertura, o desembargador do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), Renato Luiz Drescha; a defensora pública-geral do Estado, Christiane Procópio Malard; o presidente da Comissão de Saúde, deputado estadual Arlen Santiago; o deputado estadual Antônio Jorge; o presidente da Associação Médica de Minas Gerais (AMMG), Lincoln Lopes Ferreira; o presidente da Associação Mineira de Municípios e prefeito de Pará de Minas, Antônio Júlio; e a deputada Federal Raquel Muniz. O Ciclo de Debates continua nesta terça-feira (15/09) e a programação completa pode ser conferida aqui.
Propostas para a judicialização
Ao longo dos dois dias de evento, especialistas foram convidados para debater as causas, efeitos e perfil das demandas de judicialização da saúde no Brasil, bem como para fazer uma análise crítica sobre o processo judicial. A população também pode participar dessas discussões e levantar suas questões ao final de cada painel. Um dos pontos levantados ao longo do primeiro dia foi a importância da implantação de um serviço de suporte técnico aos magistrados.
A desembargadora do TJMG, Vanessa Verdolin Hudson Andrade, ressaltou que o tema já está em discussão no estado desde 2003 e vários avanços foram alcançados. Foram criados ajustes de cooperação técnica envolvendo o TJMG, a iniciativa pública e a saúde suplementar.
Por meio do Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde (Nats), vinculado ao Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), por exemplo, é possível subsidiar os juízes, por meio de notas técnicas, com informações científicas acerca dos medicamentos e processos que estão em análise nas ações. “Hoje os juízes têm meios de obter informações técnicas, além das que são repassadas pelos médicos, o que traz mais segurança ao processo”, reforça a desembargadora.
Outra iniciativa que também está em processo de criação é a câmara de mediação e conciliação para tentar resolver administrativamente as demandas judiciais da saúde, sem entrar no âmbito judicial. As atuações da Defensoria Pública e do Ministério Público, importantes parceiros no processo de judicialização, também serão debatidas ao longo dos painéis.
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Autor: Ana Paula Brum