As fortes chuvas registradas nos dias 23 e 24 de fevereiro de 2026 provocaram enchentes, alagamentos, deslizamentos e danos estruturais significativos em municípios da Zona da Mata, segundo informações preliminares da Defesa Civil. Em Ubá, 27 pessoas permanecem desabrigadas, acolhidas na Casa de Oração, e 4.480 moradores estão desalojados. O município também registra sete óbitos confirmados e mantém a busca por uma pessoa desaparecida.
Além das perdas humanas, houve prejuízos à infraestrutura urbana e danos à rede de saúde local, incluindo farmácias e a Policlínica Regional. O acesso a Ubá também ficou limitado devido a desabamentos em trechos das vias que ligam o município às cidades vizinhas.
Diante do cenário, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) alerta para o aumento do risco de doenças como leptospirose, Doenças Diarreicas Agudas (DDA), arboviroses (como dengue e chikungunya) favorecidas pelo acúmulo de água parada, além de acidentes com animais peçonhentos.
No dia 24/2, a SES-MG publicou um alerta epidemiológico com orientações aos serviços de saúde e à população, reforçando a necessidade de intensificar ações de vigilância, controle vetorial e mobilização comunitária. Em 2/3, a SES-MG também promoveu uma live com orientações sobre o manejo clínico das principais doenças e agravos associados a enchentes e inundações.

A coordenadora de Epidemiologia da Gerência Regional de Saúde (GRS) de Ubá, Elis Regina de Oliveira Mattos, destacou que medidas de prevenção devem ser adotadas imediatamente. “É essencial que as pessoas se afastem das áreas alagadas e busquem abrigos seguros indicados pelo poder público. A água, a lama e até a poeira resultantes das enchentes podem estar contaminadas, portanto qualquer contato direto deve ser evitado”, explicou.
Ela reforçou os cuidados com o consumo de água. “A população não deve beber água da torneira ou de fontes suspeitas. É fundamental ferver por cinco minutos ou utilizar hipoclorito de sódio na concentração indicada na embalagem. Alimentos que tiveram contato com a enxurrada devem ser descartados, mesmo se estiverem embalados. Também recomendamos higienização frequente das mãos e desinfecção das superfícies atingidas”, explicou.
O cuidado deve ser mantido durante a limpeza das casas, conforme orientou Elis Regina Mattos. “O uso de luvas e botas é indispensável. Animais peçonhentos podem aparecer porque também foram deslocados pelo volume de água. É importante verificar roupas e calçados antes de usar e buscar atendimento imediato em caso de acidentes”.
Atenção ao Aedes
Outro ponto de alerta é a proliferação de mosquitos. “Após uma enchente, há aumento de entulhos e recipientes que acumulam água. Esses locais podem se tornar criadouros do Aedes. É importante redobrar a vigilância e eliminar qualquer acúmulo de água”, afirmou a coordenadora.
Ela ressaltou ainda os sinais que exigem atenção, como febre, dor muscular intensa, vômitos e diarreia podem indicar doenças relacionadas às enchentes. Ao notar esses sintomas, é fundamental procurar uma unidade de saúde.

Apoio da SES‑MG às ações no município de Ubá
A SES‑MG segue apoiando o município de Ubá em diversas frentes, articulando ações emergenciais e de vigilância em saúde. Entre as medidas já executadas, destacam‑se estas efetivadas nesta segunda-feira (2/3):
- Retomada do funcionamento normal da Coordenação de Assistência Farmacêutica da GRS Ubá, assegurando atendimento à população e aos municípios da região.
- Envio de 110 caixas de hipoclorito de sódio, cada uma contendo 50 frascos, para tratamento emergencial da água.
- Entrega de 3.300 doses de vacina dT e 1.000 doses de hepatite B, oriundas do estoque da GRS Ubá, reforçando a imunização no município.
- Entrega de panfletos educativos impressos da SES‑MG com orientações sobre riscos e cuidados após enchentes.
- Disponibilização de materiais digitais elaborados pela Subsecretaria de Vigilância em Saúde, com recomendações a profissionais e à população sobre cuidados em situações de chuvas intensas e desastres naturais.
Por Keila Lima / Fotos: Keila Lima
