Cerca de quarenta referências técnicas municipais da área de Epidemiologia participaram, em 6/4, de uma capacitação sobre assistência às pessoas vítimas de acidentes por animais peçonhentos na sede da Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Ponte Nova. O objetivo da reunião foi promover um alinhamento sobre as condutas a serem tomadas quando da ocorrência desse tipo de acidente, que está no topo da lista de agravos mais comuns no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). No território local da SRS Ponte Nova, há a predominância de acidentes por serpentes, escorpiões e aranhas, em sua maioria leves, cenário similar ao estadual e nacional.
As atividades foram iniciadas pela referência técnica em Imunização do Núcleo de Vigilância Epidemiológica (Nuvepi), Thiany Silva Oliveira, que trouxe as explicações do conceito básico de imunização, passando pela caracterização de acidentes, entre os quais: ofídicos, com o envenenamento causado pela inoculação de toxinas por intermédio das presas de serpentes; escorpiônico, com o envenenamento provocado pela inoculação de veneno pelo ferrão de escorpiões; e araneísmo causado por aranhas, com o envenenamento decorrente da inoculação da peçonha do animal. Foram apresentados a sintomatologia de cada caso, de acordo com tipo de acidente, e os fatores que podem confundir a identificação adequada.
Segundo a referência técnica, as notificações devem ser atentamente preenchidas e descritas com clareza pelos profissionais de saúde, evitando divergências nos registros. “Isso impacta na interpretação do caso e no direcionamento de estratégias para a alocação de soro e indicação de profilaxia”, disse.
Conforme destacou, essas são informações relevantes para nortear a soroterapia a verificação da presença de manifestações clínicas locais ou sistêmicas, tais como: características de cada envenenamento, tempo decorrido entre o acidente e o atendimento, além de suas circunstâncias, especificidade para o tipo de veneno do animal que provocou o acidente, administração dentro do menor tempo possível após a picada, mordida ou ferroada, e administração na dose necessária, de acordo com a gravidade.
Soroterapia
Thiany Oliveira reforçou também sobre a necessidade de controle do estoque semanal de soros nos polos de soroterapia, uma vez que, por meio dele, novas ampolas podem ser direcionadas para reposição tanto no nível municipal quanto regional. A referência alertou ainda acerca do uso racional desses imunobiológicos, para que se tenha sempre disponibilidade de soro para quem realmente necessita. “A soroterapia é um tratamento específico para cada tipo de acidente e, portanto, a equipe de saúde deve estar muito atenta para reconhecer, através da epidemiologia e dos sinais clínicos, qual é a etiologia do envenenamento”, disse.
Além disso, o treinamento contemplou a definição do tratamento rápido e da implementação precoce da soroterapia, pois, no caso de animais peçonhentos, não há como tratar sem um soro específico. A importância da vigilância dos eventos adversos relacionados ao uso de soro foi ressaltada, visto que devem ser notificados no Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações (SI-PNI).
Continuidade
A SRS Ponte Nova está organizando, em parceria com a Universidade Federal de Viçosa (UFV), uma capacitação para toda a rede local de assistência à vítima por animal peçonhento. A proposta está sendo trabalhada juntamente com o professor Rodrigo Siqueira-Batista, um dos autores do livro “Parasitologia – Fundamento e Prática Clínica”, do qual Thiany Oliveira também participa como autora. A publicação embasou a fundamentação do treinamento já ofertado e subsidiará a futura capacitação, prevista para acontecer ainda no primeiro semestre deste ano.
Autor: Tarsis Murad