“Estou construindo a história do SUS”. É com esse ideal que a enfermeira Andréa dos Santos Capelin, de Patos de Minas, participa há 22 anos de encontros e reuniões sobre a saúde pública. Nesta quinta-feira (03/09), dia de debates entre os Grupos de Trabalho da 8ª Conferência Estadual de Saúde de Minas Gerais, a conversa com Andréa foi rápida para que ela não perdesse as discussões entre os colegas. “Não existe progresso sem conflito. Por isso, acredito que tudo o que está sendo feito aqui é muito válido para o aprimoramento do Sistema Único de Saúde”, conta.
A vasta experiência de Andréa em conferências e sua vontade de fazer a diferença em prol da comunidade trouxeram uma grande contribuição para as discussões. “Antes de chegarmos à 8ª Conferência Estadual de Saúde fiz questão de conversar com os novos participantes da minha cidade sobre a importância de estarmos aqui e sobre a contribuição que cada um pode dar para o aprimoramento do Sistema”, completa a enfermeira.
E assim foi o terceiro dia da Conferência, repleto de debates e novas ideias. Divididos em 14 grupos, os participantes tiveram a oportunidade de analisar as propostas consolidadas nos relatórios das Plenárias e Conferências Municipais de Saúde e fazer suas contribuições, com o objetivo de tornar a proposta original mais inclusiva e completa. Os trabalhos tiveram início na parte da manhã e seguiram ao longo do dia. Participação e Controle Social, Valorização do Trabalho e da Educação na Saúde e Reformas Democráticas e Populares do Estado foram alguns dos oito eixos discutidos pelos grupos.
Grande defensora do SUS, Graça Senna acredita que encontros como a Conferência Estadual são essenciais, pois, para ela, o leigo também tem que ter vez e voz. Graça é técnica em contabilidade em Ribeirão das Neves e há anos mobiliza a sua comunidade a favor do SUS. “Já estive em várias conferências, inclusive em Brasília, e não tenho medo de me expor. Acredito que devemos nos unir em prol de um SUS melhor e que não devemos desistir, apesar de todas as adversidades”, revela. Quando questionada sobre as propostas discutidas nos grupos, Graça completa: “nosso trabalho é como o de formiguinhas. Devagar vamos conseguindo mudar a realidade. Só não podemos parar, nunca”.
A diversidade dos grupos, compostos por gestores, trabalhadores e usuários do SUS, trouxe um grande diferencial para os trabalhos. Para quem pensa que somente os mais experientes têm contribuições a fazer, Breno Augusto, estudante de psicologia em Uberaba, de apenas 21 anos, está na Conferência Estadual pela primeira vez e mostra o contrário. “Participei da Conferência Municipal de Saúde e fiz questão de estar aqui, pois é grande o meu interesse em fazer o SUS progredir. Acredito que todos podem exercer seu papel de cidadão e trazer melhorias para a comunidade onde vivem”, avalia.

O trabalho dos grupos
Os Grupos de Trabalho são compostos, paritariamente, por delegadas e delegados, com participação de convidadas e convidados, e têm como objetivo deliberar sobre o Relatório Consolidado das Plenárias e Conferências Municipais de Saúde. As propostas são lidas e votadas pelos grupos, sendo permitidas alterações e aglutinações, desde que a proposta original não seja descaracterizada.
Ao final do trabalho, cada Grupo de Trabalho elege uma diretriz para o eixo temático e até três propostas por diretriz, a serem discutidas e aprovadas na Plenária Final. O relatório final da etapa estadual, a ser encaminhado à Comissão Organizadora da Etapa Nacional, deve conter até cinco propostas por diretriz, aprovadas na Plenária Final.
Autor: Ana Paula Brum
