O município de Delfinópolis, da área de abrangência da Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Passos, registrou neste ano quatro casos confirmados de febre oropouche. Os casos estão relacionados à extensa cultura da banana, que gera acúmulo de matéria orgânica e cria um ambiente favorável para o mosquito maruim, transmissor da doença. Por conta desses registros inéditos de casos na região, a SRS Passos adotou uma série de medidas para apoiar e orientar o município no enfrentamento da doença.
“O aparecimento e a incidência desse mosquito se deram após a introdução da cultura de banana no município, com isso vieram também uma população flutuante de outras regiões positivas para oropouche e a importação do esterco orgânico proveniente de outros municípios”, diz a coordenadora de Vigilância Epidemiológica de Delfinópolis, Gabriela Borges.
Desde que o município informou a SRS Passos sobre as infecções, o Comitê Regional de Enfrentamento das Arboviroses (CREA) vem monitorando os casos e fornecendo suporte ao município para o controle vetorial e a assistência aos pacientes.
Segundo Patrícia Mendes Costa, coordenadora do CREA, as características dos bananais, com área extensa de plantio e acúmulo de matéria orgânica, como folhas e talos de bananeiras em decomposição, fornecem as condições ideais para a reprodução do vetor. “Há também um constante fluxo de trabalhadores da colheita vindos do norte e nordeste do país e norte de Minas Gerais, regiões com transmissão conhecida da doença”, observa.
Os primeiros dois casos confirmados de febre oropouche em Delfinópolis foram registrados em abril deste ano, e outros dois foram confirmados em maio. Desde então, a SRS Passos vem orientando o município a desenvolver ações além daquelas previstas na Vigilância Epidemiológica e Laboratorial. Entre elas, intervenções educativas e preventivas junto aos trabalhadores e população da área de transmissão, com orientações sobre medidas de proteção individual e ambientes seguros.
“E atenção especial às gestantes considerando que a infecção está associada a riscos graves, incluindo abortos espontâneos, óbito fetal, partos prematuros e malformações congênitas severas”, acrescentou Patrícia Mendes.
Na Atenção Primária à Saúde (APS), foi feito um alinhamento com a equipe de Vigilância Epidemiológica exclusivamente com a equipe de Delfinópolis, segundo a referência técnica de APS, Gilmar Antonio Batista Machado. “Temos enviado os materiais atualizados sobre a doença e nos colocado à disposição no caso de eventuais esclarecimentos ou discussão”, disse.
Capacitação
Outra ação foi a capacitação em vigilância e manejo clínico da febre oropouche realizada, de modo virtual, em 27 de maio pela Superintendência de Vigilância Epidemiológica, Ambiental e Saúde do Trabalhador, a pedido do CREA. O evento foi destinado a todos os municípios da região e teve a participação de referências técnicas da Diretoria de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador e Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde, da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG).
O evento foi destinado à qualificação de médicos e enfermeiros dos municípios para a correta identificação, diagnóstico diferencial e manejo clínico adequado dos casos.
“Como a patologia ainda não havia sido notificada em municípios de nossa Regional, sentiu-se a necessidade de preparar os profissionais de saúde da ponta para variadas ações ligadas à oropouche, desde as medidas preventivas, até o correto manejo, para que o desfecho de eventuais casos seja o mais favorável possível”, justifica Gilmar Machado.
Segundo Patrícia Mendes, “a capacitação foi extremamente importante para as equipes identificarem casos suspeitos e promover a vigilância oportuna e adequada frente aos casos, notificação correta e coleta de material para análise laboratorial”.
Por Enio Modesto
Foto: Ascom SRS Passos/Enio Modesto – Gilmar Machado durante a capacitação que foi realizada em meio virtual
