Levando em conta a ocorrência de epizootias de macacos em Pirapora, Buritizeiro e Urucuia, tendo como causa a febre amarela, a Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Montes Claros realizou quarta-feira, 13/5, reunião com profissionais de saúde do Hospital Universitário Clemente de Faria (HUCF) objetivando alinhar o fluxo de atendimentos para casos suspeitos da doença.
Epizootia é o termo utilizado na veterinária e na saúde pública para classificar o adoecimento ou a morte de animais, em um curto espaço de tempo e numa mesma região. É o equivalente a epidemia, quando se refere a seres humanos.
A vigilância de epizootias é fundamental porque os animais costumam adoecer antes dos humanos, servindo como um sistema de alarme precoce para a ocorrência de surtos de doenças na população.
O encontro, com a participação da coordenadora de Vigilância em Saúde e do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs) Regional de Montes Claros, Agna Soares da Silva Menezes, envolveu profissionais das coordenações médica, de regulação e de enfermagem do pronto socorro do HUCF. Os médicos, Mariano Fagundes Neto e Izabela Santos Bretas, além da apoiadora Debora Danielly Dias, integrantes do Cievs Regional de Montes Claros, também participaram da reunião.
“Diante de epizootias registradas neste ano no Norte de Minas, incluindo o recolhimento de vísceras de macacos em Coração de Jesus, São João da lagoa, Glaucilândia, Espinosa, Mamonas, São João do Pacuí e Montes Claros, visando a realização de análise no laboratório da Fundação Ezequiel Dias (Funed), em Belo Horizonte, o encontro realizado no Hospital Universitário teve como objetivo sensibilizar a instituição sobre a ocorrência de epizootias. Diante dessa situação, é importante que a rede de atenção à saúde esteja organizada e que, principalmente os profissionais dos prontos-socorros dos hospitais estejam alertas para casos suspeitos da doença, visando conduzir os atendimentos de maneira adequada. A letalidade da febre amarela é alta, com média entre 30% a 40% de óbitos em humanos”, observa Agna Menezes.
Nos próximos dias, Núcleos de Vigilância Epidemiológica Hospitalar de outras instituições do Norte de Minas receberão orientações sobre a ocorrência de epizootias de macacos na região.
Alerta epidemiológico
Aliado ao trabalho implementado pela SRS Montes Claros, no dia 6 de maio a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) emitiu alerta epidemiológico sobre a ocorrência de epizootias de macacos com detecção do vírus da febre amarela em nove municípios: Arinos, Buritis, Formoso, Riachinho, Unaí, Uruana de Minas, Urucuia, Pirapora e Buritizeiro.
“Diante desse cenário, reforça-se que essas áreas devem ser consideradas prioritárias para a intensificação das ações de vigilância, prevenção e controle, considerando a evidência de circulação viral ativa”, observa o alerta da SES-MG assinado pela subsecretaria de Vigilância em Saúde e pelas coordenações do Cievs Minas, Vigilância das Arboviroses, Epidemiológica, de Doenças Transmissíveis e Imunização.
Agna Menezes explica que entre as recomendações encaminhadas aos municípios das unidades regionais de Saúde da SES-MG em Montes Claros, Januária, Pirapora, Unaí, Sete Lagoas e Patos de Minas, está o reforço da vigilância oportuna de novas epizootias; detecção oportuna de caso suspeito de febre amarela em pessoas; investigação adequada dos casos; fortalecimento da cobertura vacinal e articulação entre os níveis municipal, regional e estadual.
A SES-MG orienta que os municípios devem realizar a busca ativa de macacos mortos ou doentes, com registro imediato (em até 24 horas) no Sistema de Informação em Saúde Silvestre (SISS-Geo) e no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). Os municípios também devem providenciar a coleta de amostras de macacos mortos para diagnóstico laboratorial.
A doença
A febre amarela é uma doença febril aguda, de evolução rápida e de gravidade variável. Possui elevada letalidade nas suas formas mais graves. É transmitida por mosquitos e pernilongos infectados e não há transmissão de uma pessoa para outra.
É uma doença de notificação compulsória imediata, ou seja, todo caso suspeito (tanto morte de macacos, quanto casos humanos com sintomas compatíveis) deve ser prontamente comunicado pelos gestores de saúde dos municípios em até 24 horas após a suspeita inicial. Em seguida, os serviços estaduais de saúde devem notificar ao Ministério da Saúde os eventos de febre amarela suspeitos.
No ciclo silvestre os macacos são os principais hospedeiros e amplificadores do vírus. Já no meio urbano o homem é o único hospedeiro com importância epidemiológica e a transmissão da febre amarela ocorre a partir de vetores infectados, entre eles o mosquito Aedes aegypti, também transmissor da dengue, febre chikungunya e do zika vírus.
Vacinação
Com a circulação do vírus da febre amarela, Agna Menezes destaca a necessidade dos municípios reforçarem as ações voltadas para o aumento das coberturas vacinais contra a doença.
“Isso porque, no conjunto das 54 localidades jurisdicionadas à Superintendência Regional de Saúde a cobertura vacinal está em 83,04% entre crianças e adultos de nove meses a 59 anos de idade. O percentual de cobertura vacinal preconizado pelo Ministério da Saúde é de 95%”.
Em crianças a primeira dose da vacina contra a febre amarela deve ser aplicada aos nove meses de idade e, a segunda, aos quatro anos.
Pessoas com idade a partir de cinco anos, que nunca foram vacinadas contra a febre amarela ou sem comprovante de vacinação, devem tomar uma dose.
A pessoa que recebeu uma dose da vacina antes de completar cinco anos de idade está indicada a tomar uma dose de reforço, independente da faixa etária.
Já pessoas com alergia grave a ovo; imunossuprimidos graves; gestantes e idosos não podem tomar a vacina contra a febre amarela.
Por: Pedro Ricardo
Foto: SRS de Montes Claros
