Cievs Regional de Montes Claros mobiliza o Norte de Minas para o reforço da vigilância e vacinação contra a febre amarela

Com epizootias de macacos ocorridas neste ano em Pirapora, Buritizeiro, Urucuia, Glaucilândia, São João do Pacuí e Coração de Jesus, sendo duas identificadas até o momento tendo como causa a febre amarela, o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs) Regional de Montes Claros realizou nesta quarta-feira, 6/5, videoconferência visando atualizar e orientar referências técnicas municipais do Norte de Minas sobre a condução de casos suspeitos da doença, bem como o reforço da vacinação da população contra o agravo. Mais de 100 profissionais participaram da capacitação, entre eles referências técnicas que trabalham na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Agna Soares da Silva Menezes, coordenadora de vigilância em saúde e do Cievs Regional de Montes Claros, explica que “a videoconferência teve como objetivo sensibilizar os profissionais sobre um potencial problema de saúde que possa ocorrer na região”. 

A coordenadora lembra que para agilizar a investigação de epizootias, desde 2022 a equipe de vigilância epidemiológica da Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Montes Claros tem realizado encontros de capacitação de referências técnicas municipais visando a descentralização do Programa de Controle da Febre Amarela no Norte de Minas. As atividades envolvem o Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (IFNMG) e o Centro de Controle de Zoonoses de Belo Horizonte. Entre outras atividades os profissionais passam por treinamento prático sobre coleta, armazenamento e transporte de vísceras de primatas para análise laboratorial.

Atualmente 18 municípios do Norte de Minas estão classificados na categoria 2 quanto à necessidade de reforço de medidas contra a febre amarela, por terem epizootias confirmadas para a doença ou por estarem em região limítrofe com localidades com circulação viral: Capitão Enéas; Coração de Jesus; Engenheiro Navarro; Espinosa; Francisco Sá; Indaiabira; Jaíba; Janaúba; Jequitaí; Mamonas; Matias Cardoso; Monte Azul; Montes Claros; Porteirinha; Rio Pardo de Minas; Salinas; São João do Pacuí e Verdelândia.

Nessas localidades, a Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais (SES-MG) orienta que os municípios realizem o Monitoramento Rápido de Coberturas Vacinais e intensifiquem as ações de vacinação.

Para a superintendente regional de Saúde da SRS Montes Claros, Dhyeime Marques, “a circulação do vírus da febre amarela no Norte de Minas acende um alerta importante para toda a nossa região. Diante das epizootias confirmadas, a Superintendência Regional de Saúde de Montes Claros, por meio do Cievs Regional, está reforçando junto aos municípios as ações de vigilância e, principalmente, de vacinação da população”. Ainda segundo a superintendente, “a vacina continua sendo a principal forma de prevenção e proteção contra a doença. Por isso, é fundamental que a população procure as unidades de saúde e mantenha o cartão vacinal atualizado”.

Alerta

“A ocorrência de casos positivos de macacos com o vírus da febre amarela acende um alerta para o Norte de Minas de que o vírus da doença está circulando. Por isso, as ações de vigilância em saúde precisam ser reforçadas, incluindo trabalhos de campo e, também, a capacitação dos profissionais de saúde que atuam nos serviços de atenção primária e especializada. Os macacos são o radar contra a doença. A ocorrência de epizootias sinaliza a possibilidade de ocorrer surtos de febre amarela em humanos, com prazo de antecedência de até cinco meses”, alertou o médico, Mariano Fagundes Neto, integrante da equipe técnica do Cievs Regional de Montes Claros. 

Ainda segundo o profissional, as mudanças climáticas e a urbanização de macacos e de vetores (mosquitos Haemagogus e Aedes aegypti) têm proporcionado o aumento dos riscos de ocorrência de surtos da febre amarela em áreas urbanas. Por isso, a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) emitiu alerta sobre o aumento de casos da doença. Em 2024 foram notificados 61 casos, quantidade esta que aumentou para 346 no ano passado, com ocorrência de 143 óbitos. Já neste ano, 35 casos suspeitos de febre amarela foram registrados no país. 

“A doença em si é extremamente letal. Por isso, é importante que os profissionais de saúde estejam sempre alertas em relação a pacientes que apresentem suspeição clínica da doença. O diagnóstico precoce é importante, incluindo a verificação do histórico recente de viagens dos pacientes e a caderneta de vacinação. Após o período de incubação da doença entre três e seis dias, o quadro de saúde pode evoluir rapidamente para situações de gravidade e ocasionar óbitos em até 14 dias”, pontuou a médica infectologista, Izabela Santos Bretas, também referência técnica do Cievs Regional. 

Durante a videoconferência, a bioquímica e referência técnica do Laboratório Macrorregional de Saúde de Montes Claros, Núbia Pereira da Silva, explicou sobre a importância da coleta de amostras de sangue para o diagnóstico da febre amarela. “As coletas devem ocorrer no primeiro acesso do paciente ao sistema de saúde, desde que atenda às definições de caso suspeito para análise laboratorial. O procedimento viabiliza a identificação da circulação do vírus da febre amarela e o diagnóstico precoce da doença”.

Vacinação

Por sua vez, Mônica de Lourdes Rochido, referência técnica em imunização na Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Montes Claros, falou sobre a necessidade dos municípios reforçarem as ações voltadas para o aumento das coberturas vacinais contra a febre amarela. 

“Isso porque, no conjunto das 54 localidades jurisdicionadas à Superintendência, a cobertura vacinal está em 83,04% entre crianças e adultos de nove meses a 59 anos de idade. Já o percentual de cobertura vacinal preconizado pelo Ministério da Saúde é de 95%”, observou a referência técnica.

Em crianças a primeira dose da vacina contra a febre amarela deve ser aplicada aos nove meses de idade e, a segunda, aos quatro anos. Pessoas com idade a partir de cinco anos, que nunca foram vacinadas contra a febre amarela ou sem comprovante de vacinação, devem tomar uma dose.

A pessoa que recebeu uma dose da vacina antes de completar cinco anos de idade está indicada a tomar uma dose de reforço, independente da faixa etária.

Já pessoas com alergia grave a ovo; imunossuprimidos graves; gestantes e idosos não podem tomar a vacina contra a febre amarela.

A doença

A febre amarela é uma doença febril aguda, de evolução rápida e de gravidade variável. Possui elevada letalidade nas suas formas mais graves. É transmitida por mosquitos e pernilongos infectados e não há transmissão de uma pessoa para outra. 

É uma doença de notificação compulsória imediata, ou seja, todo caso suspeito (tanto morte de macacos, quanto casos humanos com sintomas compatíveis) deve ser prontamente comunicado pelos gestores de saúde dos municípios em até 24 horas após a suspeita inicial. Em seguida, os serviços estaduais de saúde devem notificar ao Ministério da Saúde os eventos de febre amarela suspeitos. 

No ciclo silvestre os macacos são os principais hospedeiros e amplificadores do vírus. Já no ciclo urbano o homem é o único hospedeiro com importância epidemiológica e a transmissão da febre amarela ocorre a partir de vetores infectados, entre eles o mosquito Aedes aegypti, também transmissor da dengue, Febre Chikungunya e do Zika vírus.

Por: Pedro Ricardo

Imagem: Mariano Fagundes Neto

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