Conexão Viral em Campo capacita municípios da Regional de Ponte Nova sobre doenças respiratórias

Médicos e enfermeiros da Atenção Primária à Saúde (APS) e da Atenção Hospitalar, além de coordenadores municipais de APS e Vigilância Epidemiológica da área da Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Ponte Nova participaram, em 25/3, do encontro Conexão Viral em Campo. Coordenado pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), por meio da Força Estadual do Sistema Único de Saúde (FE-SUS), o encontro teve como objetivo qualificar os profissionais de saúde para o manejo clínico e a vigilância dos vírus respiratórios.  

A referência técnica do Grupo de Trabalho de Vírus Respiratórios da SES-MG, Fernanda dos Santos Botelho, explicou que a série de capacitações começou em 2025, com webinários disponíveis no canal do Youtube da SES-MG, com a intenção de qualificar e levar informação estratégica e gratuita aos profissionais. “Mas entendemos que havia uma necessidade de trabalhar in loco, conhecendo de perto as realidades locais e preparando a rede para uma resposta rápida e efetiva diante de qualquer alteração de cenário que possa ocorrer”, esclareceu.

Entre os temas trabalhados na capacitação, receberam destaque a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), covid-19, Vírus Sincicial Respiratório (VSR), influenza, sarampo e outros agravos de relevância para a saúde pública. 

A coordenadora de Vigilância Epidemiológica da SRS Ponte Nova, Priscila Câmara de Moura, destacou a proposta do evento Conexão Viral em Campo, aproximando Vigilância, APS e rede hospitalar. “A metodologia utilizada pela FE-SUS promove a discussão de casos clínicos, permitindo a troca de experiências entre os profissionais e a construção conjunta de condutas mais adequadas para cada situação”, disse a coordenadora.

Força Estadual

A capacitação foi conduzida pela enfermeira Thaís Emanuely de Freitas Teixeira e pela médica infectologista Glauciane Prado Alves, ambas da FE-SUS. Segundo Thaís, a ideia é que as capacitações ocorram antes do período sazonal (que se inicia em abril), precedendo o aumento de casos de síndromes respiratórias. 

“Ao trabalharmos com estudos de casos, tratamos não só da assistência, dos sinais e sintomas dos pacientes. Trazemos, também, a importância de se considerar o perfil epidemiológico do município e da região, tornando os atendimentos mais abrangentes. Sabendo quem adoece e como adoece, conseguimos traçar estratégias de saúde pública mais efetivas”, esclareceu Thaís. 

Glauciane reforçou que as síndromes gripais merecem atenção dentro do território. “Temos muitos casos de SRAG, causados por diversos agentes etiológicos diferentes. Além disso, temos circulação da influenza, covid e outros. Precisamos saber quais tipos de vírus estão circulando na região para conseguirmos melhorar nossas ações de assistência”. A médica também destacou a importância da vacinação contra covid-19 e influenza, dentro do calendário preconizado pelo Ministério da Saúde (MS). 

Além do Conexão Viral em Campo, as responsáveis pela capacitação realizam visita técnica, na sexta-feira (27), aos dois hospitais de Ponte Nova: Nossa Senhora das Dores e Arnaldo Gavazza Filho. O objetivo é conhecer os hospitais e os profissionais que atuam em casos de doenças respiratórias. 

Cenário

Ao apresentar o cenário epidemiológico das síndromes respiratórias agudas graves, a referência técnica da SRS Ponte Nova, Dádiva Raquel Rodrigues, informou que, entre 1 de janeiro e 14 de março deste ano, a SRS contabilizou 24 notificações de pacientes hospitalizados por síndromes respiratórias e a ocorrência de dois óbitos. No mesmo período do ano passado, foram notificados 19 casos de SRAG e nenhum óbito. 

Sobre a cobertura vacinal contra influenza na área da SRS Ponte Nova, cuja campanha foi iniciada em Minas Gerais nesta semana, alcançou-se, em 2025, 64,11% do público prioritário (crianças entre 6 meses e seis anos, idosos, gestantes e outros grupos vulneráveis). A meta do MS é de 90%. 

Por Tarsis Murad

Foto: Tarsis Murad

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