A Gerência Regional de Saúde (GRS) de Ubá alerta a população sobre a necessidade de realizar os exames laboratoriais para leptospirose após o aumento das notificações registradas no município nas últimas semanas, período marcado pelas fortes inundações que atingiram a cidade e outras localidades da Zona da Mata no fim de fevereiro. A Regional reforça que quem já procurou a unidade de saúde devido a sintomas compatíveis com a doença precisa retornar para fazer o teste, etapa fundamental para confirmar ou descartar o diagnóstico e garantir o tratamento adequado.
Segundo Boletim Epidemiológico divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Ubá, publicado no dia 23/3/2026, o município contabiliza 260 casos notificados, 59 investigações em andamento (com amostras enviadas para análise na Fundação Ezequiel Dias (Funed), em Belo Horizonte), 79 casos descartados, quatro confirmações e uma morte registrada. No entanto, dos 260 casos notificados, 118 pessoas ainda não retornaram para realizar o exame.
O coordenador de Vigilância em Saúde da GRS Ubá, Fábio Ribas, reforça que a testagem é essencial para que o município avance no encerramento dos casos e ofereça acompanhamento e a vigilância adequada da situação. “Essas pessoas procuraram atendimento, foram avaliadas, tratadas e notificadas, mas ainda precisam retornar para a coleta do exame. Só assim é possível confirmar ou descartar a doença e fechar os casos notificados. Por isso, em conjunto com a Secretaria Municipal de Saúde de Ubá, reforçamos o pedido: quem foi notificado deve ir ao laboratório realizar o exame”, destacou.
Onde realizar o exame
Em Ubá, quem foi atendido nas Unidades de Saúde da Família ou nos hospitais e recebeu encaminhamento para investigação de leptospirose deve realizar a coleta gratuitamente em um dos laboratórios credenciados pelo SUS. As coletas seguem o seguinte cronograma:
LACOR – Filial – Rua João Guilhermino
Horário: 14h às 16h
Laboratório Exame – Rua Santa Cruz, 304, Centro
Horário: 13h30 às 16h30
Laboratório Louis Pasteur – Rua do Rosário, 25, Centro
Horário: 14h às 15h
Para a realização do exame, é necessário levar a cópia da notificação entregue pela unidade de saúde e um documento de identificação. O teste é gratuito e fundamental para confirmar ou descartar o diagnóstico e orientar o tratamento adequado.
A doença e sintomas
A leptospirose é uma doença causada por espécies de bactérias do gênero Leptospira. A infecção ocorre a partir do contato direto ou indireto com urina de animais infectados, principalmente ratos. A transmissão fica mais favorável em situações de alagamentos, quando a água e a lama das enchentes se misturam com a urina desses animais.
Os primeiros sintomas podem aparecer em até 30 dias após a infecção, normalmente ocorrendo entre o 5º e o 14 º dia. São eles:
• Dor de cabeça;
• Dor no corpo, principalmente nas panturrilhas (batata da perna);
• Diarreia;
• Vômito;
• Febre.
Segundo as orientações da Fiocruz, vale destacar que pessoas que tiveram contato com a água ou lama de enchentes podem estar em risco para diversas doenças, além da leptospirose. Caso apresente algum sintoma, é importante buscar assistência médica e informar que teve contato com água de enchente.
“O tratamento, quando iniciado precocemente, reduz o risco de complicações. Importante ressaltar a necessidade de cuidado durante a limpeza das casas atingidas, sempre com o uso de luvas, botas e máscaras, além da desinfecção com solução de hipoclorito de sódio a 2,5%, ajuda a reduzir o risco de exposição a ambientes contaminados”, reafirmou Fábio.
Ações da SES-MG
Desde o início das enchentes, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) tem atuado junto ao município, oferecendo apoio técnico às equipes assistenciais e de vigilância, além de orientar sobre manejo clínico e organização das ações de resposta. Entre as medidas, está a entrega de 550 frascos de hipoclorito de sódio, utilizados para o tratamento emergencial da água e a desinfecção de ambientes, disponibilizados em todas as unidades de saúde apenas dois dias após a inundação, em 26 de fevereiro.
A GRS Ubá também promoveu, no dia 16 de março, uma atualização técnica sobre manejo clínico da leptospirose, reunindo mais de cem profissionais dos 31 municípios da região, especialmente das cidades mais afetadas pelas chuvas, como Divinésia, Ervália, Rodeiro, Senador Firmino, Silveirânia, Tabuleiro, Visconde do Rio Branco e Ubá. A ação reforçou o compromisso da GRS em fortalecer a rede de saúde e apoiar os municípios no enfrentamento das consequências das enchentes.
Além disso, a SES-MG disponibilizou a estrutura de dois hospitais de campanha para absorver temporariamente os atendimentos especializados que antes eram realizados na Policlínica Regional. A pasta também recompôs o estoque de insulinas e de medicamentos do Componente Estratégico, reforçando a Assistência Farmacêutica do município, e realizou a entrega de sete câmaras frias, essenciais para garantir o armazenamento seguro de imunizantes e outros insumos.
Para assegurar a continuidade da vacinação (já que a principal sala de vacinas foi totalmente danificada pela enchente), o município conta com um Vacimóvel, veículo adaptado que funciona como sala de vacinação itinerante e integra as estratégias do Plano Mineiro de Imunização (PMI), da SES-MG.
Por Keila Lima
