Entre os dias 26 de fevereiro e 1º de março, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), por meio da Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Divinópolis, em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), realizou o treinamento teórico-prático da estratégia Zero Morte Materna por Hemorragia Pós-Parto (HPP). A capacitação ocorreu na Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), campus Divinópolis.
A formação contou com duas turmas e reuniu médicos e enfermeiros do Hospital São João de Deus, em Divinópolis, e do Hospital São José, em Nova Serrana, instituições de referência para a macrorregião de saúde Oeste.
O objetivo do treinamento é qualificar os profissionais para o atendimento mais ágil e resolutivo às gestantes e puérperas, contribuindo para a redução de óbitos decorrentes de complicações durante o parto e no período pós-parto. Durante os dois dias de curso, os participantes acompanharam palestras e mesas-redondas sobre o cenário da mortalidade materna no Brasil, a estratégia Zero Morte Materna por Hemorragia Pós-Parto e a situação da mortalidade materna em Minas Gerais.
Também foram abordados temas como prevenção e manejo das hemorragias pós-parto, vigilância ativa, além de condutas medicamentosas e cirúrgicas para o tratamento da HPP.
Entre os conteúdos apresentados, destacou-se o Sistema Obstétrico de Alerta e Resposta (SOAR) para Hemorragia Pós-Parto e as estratégias de trabalho em equipe. A referência técnica de investigação de óbitos da SRS Divinópolis e presidente do Comitê Regional de Prevenção da Mortalidade Materna, Infantil e Fetal da Região Oeste, Nayara Dornela, explica que o SOAR contribui para a organização de fluxos assistenciais e para o fortalecimento da atuação multiprofissional.
“No treinamento foram realizadas simulações para testar estratégias de prevenção, diagnóstico e tratamento oportuno da hemorragia pós-parto”, destacou.
De acordo com a referência técnica da Coordenação de Redes de Atenção à Saúde da SRS Divinópolis, Carlos Antônio Silva, o SOAR prioriza a resposta rápida nos primeiros 60 minutos após a identificação do quadro, com foco na estratificação de risco, no uso de uterotônicos — medicamentos utilizados para estimular a contração uterina — e na utilização de kits específicos para HPP.

“A hemorragia pós-parto representa um risco significativo para a saúde materna e é caracterizada pela perda excessiva de sangue após o parto. Embora as contrações uterinas e a cascata de coagulação atuem no controle da perda sanguínea, a HPP pode levar a complicações graves se não for tratada de forma oportuna”, explicou.
A médica ginecologista e obstetra e integrante do Comitê Regional de Prevenção da Mortalidade Materna, Infantil e Fetal, Vânia Caroline de Macedo Silva, ressalta que o foco da iniciativa é fortalecer ações de prevenção de óbitos maternos. Segundo ela, a hemorragia pós-parto está entre as principais causas dessas mortes em Minas Gerais.
“A SES-MG e a Opas firmaram uma parceria para capacitar profissionais em todo o estado no atendimento às mulheres com maior risco de óbito. A iniciativa envolve médicos ginecologistas e obstetras, além de enfermeiros de municípios com maior ocorrência de mortes por hemorragia, com o objetivo de unificar e padronizar protocolos assistenciais e fortalecer a prevenção ainda no pré-natal”, afirmou.
Segundo a médica, a macrorregião Oeste ocupa atualmente a quinta posição entre as regiões do estado com maior indicador de mortalidade materna.
