Diante dos estigmas históricos com relação às pessoas com deficiência e com Transtorno do Espectro Autista (TEA), na quarta-feira (11/2), a Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Uberlândia promoveu o Encontro Macrorregional de Redes de Atenção à Saúde. A iniciativa teve como foco a construção das interfaces de cuidado nas Redes de Atenção Psicossocial e de Cuidados à Pessoa com Deficiência e reuniu 189 profissionais de saúde dos 27 municípios da macrorregião Triângulo Norte.
Durante a programação, foram discutidas as mudanças relacionadas ao diagnóstico do autismo, as políticas públicas existentes e os investimentos destinados à saúde da pessoa com TEA. O objetivo foi qualificar o cuidado e fortalecer a integração entre os serviços de saúde.
O encontro também promoveu a troca de experiências entre instituições da região, como Centros Especializados em Reabilitação (CER) , Serviços Especializados de Reabilitação em Deficiência Intelectual e Centros de Atenção Psicossocial (Caps), contribuindo para a organização dos fluxos assistenciais e para a melhoria do atendimento à população.
De acordo com a referência técnica da Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência e da Rede de atenção psicossocial da SRS Uberlândia, Maria Lúcia dos Reis, a aproximação entre os serviços é essencial para qualificar a assistência. “Existem situações comuns às duas redes que pedem um diálogo maior e permanente, para alinhar melhor os fluxos e construir estratégias para o cuidado do usuário ”, afirmou.
Fortalecimento das redes na região
O município de Araguari tem procurado fortalecer sua rede a partir da articulação intra e intersetorial. Considerando o aumento no número de diagnósticos de TEA, o município tem realizado um movimento de maior aproximação com o setor da educação, por exemplo. A estratégia busca ampliar o suporte a crianças com TEA, favorecendo autonomia e inclusão social, além de envolver famílias e outros setores, como assistência social e cultura.
Para a psicóloga do município de Araguari, Thais dos Passos Freitas, o encontro contribuiu para a reflexão sobre as práticas assistenciais e para a construção de abordagens mais humanizadas. Segundo ela, o acolhimento dos familiares é um ponto crucial para melhorar o vínculo e ampliar as possibilidades de um cuidado contextualizado. “A troca com outros territórios ampliou as nossas perspectivas e alimentou a esperança de que é possível criar alternativas para qualificar o cuidado”, destacou.
Participante de Ituiutaba, a psicóloga Vanessa Dantas Pereira ressaltou que a integração das duas redesvauxilia no planejamento de novos serviços. “Conhecer experiências exitosas de outros municípios contribui para a ideia de que também será possível implementar essas propostas aqui”.
Por: Vitória Caregnato e Dieny Fernandes (estagiária sob supervisão) / Foto: Dieny Fernandes
