SRS Diamantina promove projeto piloto do teste DNA-HPV para qualificar o rastreamento do câncer de colo do útero

Capacitação de profissionais da Atenção Primária prepara redes de saúde para novo protocolo

Um novo teste capaz de detectar o vírus causador do câncer de colo do útero antes do surgimento de lesões chega ao município de Diamantina. O teste molecular DNA-HPV, implementado pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), marca um avanço significativo no rastreamento da doença.
Para preparar a rede local, a Superintendência Regional de Saúde (SRS) Diamantina promoveu na quinta-feira (5/02) capacitação para enfermeiros e médicos da Atenção Primária, aberta pela Superintendente Cleya da Silva Santana Cruz. O treinamento atualizou os profissionais sobre as diretrizes do novo método de rastreamento, fluxos de atendimento, técnica correta de coleta do exame e envio das amostras ao laboratório. A ação preparou as equipes antes que os testes cheguem efetivamente às Unidades Básicas de Saúde (UBS).

A iniciativa está alinhada à meta da Organização Mundial da Saúde (OMS) de eliminar o câncer de colo do útero como problema de saúde pública até 2030. O teste DNA-HPV detecta 14 genótipos do papilomavírus humano (HPV) de alto risco antes do surgimento das lesões, diferente do Papanicolau tradicional, que identifica alterações já existentes nas células.

“A transição para o teste molecular exige reorganização das redes de atenção, padronização de fluxos e capacitação das equipes em todas as etapas do processo”, destaca Amanda Aparecida Silva Cruz, referência técnica da Saúde da Mulher da SRS Diamantina. “Além dos médicos e enfermeiros, tivemos a participação de coordenadores da APS, o que demonstra a integração e o comprometimento do município.”

“Diamantina é o terceiro município piloto e o primeiro que conseguimos capacitar todos os profissionais das UBS antes da implementação”, afirma Clarice Oliveira, enfermeira e mestranda em enfermagem pela UFMG. Ela e Luana Leão Menezes, também mestranda da instituição, ministraram a capacitação. Ambas integram o Núcleo Interdisciplinar de Estudos e Pesquisa em Epidemiologia (NIEPE/UFMG).

O acesso ao novo teste será organizado em duas Unidades Básicas de Saúde de Diamantina. A priorização segue diretrizes estaduais: mulheres entre 25 e 64 anos, com ênfase naquelas sem realização prévia de testes. “A orientação é que as mulheres busquem suas unidades de saúde para saber como acessar o teste dentro dessas prioridades”, orienta Clarice.

De acordo com a coordenação do projeto, o desafio atual é gerenciar a demanda com os testes disponíveis durante essa fase de transição. A expectativa é que, até o final de 2026, toda a população mineira na faixa etária alvo tenha direito e acesso garantido ao DNA-HPV. A experiência de Diamantina nessa implementação piloto subsidiará a expansão da tecnologia para outras regiões do estado.

Por: Ricardo Maciel

Créditos da imagem: Amanda Cruz

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