Aedes: Drones identificam 21,8 mil potenciais criadouros e ajudam o Norte de Minas no enfrentamento às arboviroses

Tendo reservatórios de água, depósitos de lixo irregulares e piscinas entre os principais potenciais focos de proliferação do Aedes aegypti identificados com o uso de drones, nesta sexta-feira, 6/2, foi concluída a quarta etapa de monitoramento do mosquito em 53 municípios que integram a área de atuação da Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Montes Claros. O trabalho que está sendo implementado pela Aero Engenharia com o objetivo de mapear locais de difícil acesso foi iniciado em dezembro de 2024 com investimento de R$ 2,2 milhões repassados pela Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais (SES-MG) a consórcios intermunicipais que atendem demandas de 86 municípios da macrorregião Norte.

Segundo a empresa, em 53 municípios da área de atuação da SRS de Montes Claros já foram mapeados mais de 7,2 mil hectares de áreas de difícil acesso para os Agentes de Controle de Endemias (ACEs), com a identificação de 21.840 possíveis criadouros do mosquito. O trabalho foi contratado pelo Consórcio Intermunicipal de Saúde do Alto Rio Pardo (Cisarp). 

Outros 3,3 mil hectares já foram mapeados em Montes Claros que, por ser município de maior porte, também foi contemplado com o repasse de recursos por parte da SES-MG e teve a opção de contratar o serviço por iniciativa própria. 

 “Os locais de difícil acesso constituem um sério problema enfrentado todos os anos pelos municípios para a eliminação de focos do Aedes aegypti. Com a utilização de drones, a identificação de potenciais focos do mosquito possibilita às secretarias municipais de saúde melhores condições para direcionar o trabalho dos Agentes de Controle de Endemias. Como resultado do uso de novas tecnologias, a tendência é de que ocorra a redução da quantidade de pessoas acometidas por dengue, chikungunya ou zika; a diminuição de casos graves e a possibilidade de óbitos”, explica Agna Soares da Silva Menezes, coordenadora de Vigilância em Saúde da SRS de Montes Claros. 

Na mesma linha de raciocínio, Karla Christiane Teixeira da Silva, bióloga e gestora de relacionamentos da Aero Engenharia, avalia que “os mapeamentos de locais de difícil acesso têm se mostrado satisfatório, alcançando 95% de resolutividade dos pontos entregues às equipes de combate a endemias para as intervenções imediatas contra o Aedes aegypti”.

Após os mapeamentos os municípios são orientados a implementar ações para a mitigação dos riscos nas áreas mais vulneráveis de modo a otimizar os recursos públicos e melhor direcioná-los ao enfrentamento às arboviroses.

Após os mapeamentos, “a curto prazo os municípios devem realizar vistorias domiciliares para o repasse de orientações a moradores e eliminação de possíveis criadouros do Aedes aegypti. A médio prazo as prefeituras tem condições de realizar intervenções com maior envolvimento da população, entre eles mutirões de limpeza. Já a longo prazo podemos trazer como exemplo ações mais complexas que requer o envolvimento de diversos setores das prefeituras, de outros órgãos públicos parceiros e a comunidade para a realização de mudanças na infraestrutura das cidades”, explica Karla Silva.

O diretor operacional da Aero Engenharia, Renato Mafra reforça que “a tecnologia dos drones amplifica a capacidade de resposta dos municípios na identificação de criadouros do mosquito em imóveis fechados; locais de difícil acesso; caixas d´água destampadas e locais de acúmulo irregular de lixo. Com dados mapeados e identificados por meio de vídeos e fotografias, as prefeituras passam a ter condições de planejar de forma consistente as ações e os locais onde devem ser concentrados os esforços para a eliminação de focos de proliferação do Aedes aegypti. Além disso, a notificação dos proprietários dos imóveis passa a ser mais assertiva, por meio da comprovação da ocorrência de problemas com fotos e vídeos”.

Resultados

Em 53 municípios que já tiveram mais de 7,2 mil hectares mapeados, os 21 mil 840 possíveis criadouros do Aedes aegypti estão distribuídos da seguinte forma: 7.638 locais com acúmulo de lixo (35%); 5.172 tonéis, barris e tambores (23,7%); 2.979 piscinas (13,6%); 2.197 lajes com acúmulo de água (10,1%); 2.020 caixas d´água elevadas (9,2%); 1.439 pneus (6,6%); 298 máquinas em pátios (1,4%); 82 poços e cacimbas (0,4%); 10 tanques e cinco baldes e frascos.

Já em Montes Claros o mapeamento realizado em janeiro deste ano compreendendo área de 500 hectares detectou a existência de 753 potenciais focos de proliferação do Aedes aegypti. Estão distribuídos da seguinte forma: 351 locais com acúmulo de lixo (46,6%); 144 lajes com acúmulo de água (19,1%); 119 piscinas que representam 15,8% dos potenciais focos de reprodução do mosquito; 82 tonéis e tambores destampados (10,9%); 42 caixas d´água destampadas (5,6%); 11 pneus (1,5%); quatro maquinas e equipamentos em pátios (0,5%). 

Texto e foto: Pedro Ricardo

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