Crianças e adolescentes: Norte de Minas amplia a vacinação contra a dengue para todos os municípios

A partir de segunda-feira (26/1), a Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Montes Claros inicia a ampliação da vacinação contra a dengue no Norte de Minas, com o repasse de 16.037 doses de imunizantes para 48 municípios que integram a sua área de atuação. 

A iniciativa, coordenada pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), tem como base a Nota Técnica nº 4, publicada no dia 15 de janeiro deste ano pelo Ministério da Saúde (MS), ampliando a vacinação para crianças e adolescentes na faixa etária de 10 a 14 anos de todos os municípios do país. O esquema vacinal compreende a administração de duas doses do imunizante, com intervalo de três meses entre elas.

“A vacinação das crianças e adolescentes foi iniciada em dezembro de 2023 priorizando 521 municípios, levando em conta a produção até então limitada de imunizantes e disponibilizada ao Ministério da Saúde. Na área de atuação da Superintendência Regional de Saúde foram contemplados Montes Claros, Claro dos Poções, Itacambira, Glaucilândia, Juramento e Mirabela, que já receberam 23.291 doses do imunobiológico”, explicou a coordenadora de Vigilância em Saúde da SRS Montes Claros, Agna Soares da Silva Menezes.  

“A escolha da faixa etária de 10 a 14 anos considerou as recomendações do Grupo Consultivo Estratégico de Especialistas sobre imunizações, da Organização Mundial da Saúde (OMS), as taxas de hospitalização por dengue nos cinco anos anteriores à incorporação da vacina e a pactuação realizada na Comissão Intergestores Tripartite (CIT)”, informa a Nota Técnica do Ministério da Saúde assinada por Ana Catarina de Melo Araújo, coordenadora geral de Incorporação Científica e Imunização, e por Mariângela Batista Galvão Simão, secretária nacional de Vigilância em Saúde e Ambiente.

Nos 48 municípios que passam a receber vacinas contra a dengue, a quantidade de crianças e adolescentes a serem vacinados é estimada em 32.051 pessoas. 

O quantitativo inicial disponibilizado na primeira remessa é o seguinte: Janaúba (1.702); Bocaiuva (1.193); Jaíba (1.100); Salinas (888); Porteirinha (875); Taiobeiras (777); Espinosa (733); Rio Pardo de Minas (684); Coração de Jesus (641); Francisco Sá (586); São João do Paraíso (539); Monte Azul (434); Capitão Enéas (385); Grão Mogol (361); Matias Cardoso (273); Mato Verde (266); Ninheira (239); Riacho dos Machados (235); Verdelândia (228); Curral de Dentro (192); Santo Antônio do Retiro (186); Nova Porteirinha (172); Botumirim (170); Montezuma (168); Cristália (163); Engenheiro Navarro (159); Padre Carvalho (154); Jequitaí (153); Fruta de Leite (151); Indaiabira (148); Rubelita (147); Pai Pedro (144); Olhos D´Água (143); Gameleiras (129); Catuti e Mamonas (119 doses de vacinas para cada localidade); Novorizonte (118); Guaraciama (117); Francisco Dumont (116);  Josenópolis (115); Berizal (113);  Serranópolis de Minas (110); Vargem Grande do Rio Pardo (108); São João do Pacuí (107); São João da Lagoa (105); Joaquim Felício (90); Santa Cruz de Salinas (94) e Lagoa dos Patos (88).

Cenário

O Painel de Monitoramento das Arboviroses, mantido pela SES-MG, revela que, neste ano, o estado contabiliza 4.757 casos prováveis de dengue; 1.044 casos confirmados e cinco óbitos em investigação. 

Na área de atuação da SRS Montes Claros neste ano foram notificados 583 casos prováveis de dengue e 68 confirmados, sem a ocorrência de óbitos.  

Eficácia

Em agosto de 2025, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) publicou que um estudo internacional divulgado na revista The Lancet Infectious Diseases, “comprovou a eficácia da vacina” contra a dengue em adolescentes. A pesquisa foi conduzida no Brasil por pesquisadores da Fiocruz e da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Foram verificados mais de 92 mil testes de jovens no estado de São Paulo. 

“Os resultados mostram que uma única dose já oferece 50% de proteção contra casos sintomáticos de dengue e 67,5% contra hospitalizações. A segunda dose aumentou a eficácia contra sintomas para 61,7%. A proteção começa já a partir do oitavo dia após a aplicação da primeira dose, um dado crucial para uso emergencial em surtos”, destacou o pesquisador da Fiocruz em Mato Grosso do Sul e coordenador do estudo, Júlio Croda.

Ainda segundo a Fiocruz, “os achados reforçam a importância de ampliar a vacinação no Brasil e no mundo, especialmente em áreas de alta transmissão e que necessitam de respostas rápidas devido a emergências. A proteção da primeira dose diminui após 90 dias. Isso traz à tona a necessidade de completar o esquema de duas doses do imunizante para garantir a proteção prolongada”, conclui o estudo.

Por: Pedro Ricardo / Foto: Pedro Ricardo

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