Miguel, Olívia e Rafael são os nomes dos primeiros bebês nascidos em 2025 na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Mas, o que ocorre e como proceder em caso de bebês prematuros? Como a população pode recorrer ao Sistema Único de Saúde (SUS) em Minas Gerais?
A prematuridade em Minas Gerais representa um desafio de saúde pública de alta magnitude, com uma taxa de incidência de 11,49%, alinhada ao preocupante cenário nacional. A análise dos dados e protocolos oficiais da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) e do Ministério da Saúde revela um problema complexo, cujas causas abrangem desde fatores sociais e climáticos extremos até condições clínicas maternas graves, como a hipertensão.
Nos 39 municípios que compõem a Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Belo Horizonte, em 2024, foram 7.588 nascidos vivos prematuros. Este número representa 13% do total de nascidos vivos na SRS BH naquele ano.
Como é o atendimento no SUS
Referência técnica da SRS BH em Saúde Materna-infantil, Letícia Rodrigues, explica o fluxo de atendimento às famílias. “Nascimentos prematuros costumam ocorrer em gestações de risco. Então estas gestantes já estão passando por um atendimento especializado, e vinculadas a uma maternidade de alto risco, onde há unidade neonatal. Após o nascimento, estes bebês prematuros serão atendidos em uma Unidade de Cuidados Progressivos Neonatal. Conforme vão estabilizando, ganhando peso, vai sendo necessária uma estrutura menos complexa até a alta. Após a alta, além do acompanhamento na Atenção Primária à Saúde (APS), eles serão acompanhados também nos ambulatórios especializados, que a gente chama de “follow up“”, disse Letícia.
A resposta do sistema de saúde à prematuridade no estado é estruturada, multinível e demonstra uma evolução de políticas públicas. A estratégia central não reside apenas na tecnologia das UTIs Neonatais. A prevenção é prioridade. Para enfrentar esse desafio, Minas Gerais estruturou a Linha de Cuidado Materno Infantil, que conecta ações como:
- Filhos de Minas, programa de incentivo ao pré-natal;
- Rede de Medicina Fetal, para casos de alta complexidade;
- Método Canguru, focado no cuidado integral e humanizado.
Para os bebês que nascem prematuros, os riscos são duplos: a luta pela sobrevivência na UTI (riscos de curto prazo) e a vigilância contra sequelas de longo prazo (morbidade crônica), especialmente atrasos no neurodesenvolvimento e problemas oftalmológicos. A jornada do prematuro no SUS é, portanto, contínua, transitando do suporte vital de alta tecnologia (surfactante, ventilação mecânica) para o acompanhamento ambulatorial de alta vigilância.O desafio de Minas Gerais é garantir que os elos dessa corrente – da UBS ao ambulatório de follow-up – estejam perfeitamente conectados, assegurando que cada gestante de risco e cada prematuro de alta complexidade sejam identificados e conduzidos com segurança por meio desta rede de atenção.

Por: Leandro Heringer
Imagens e vídeo: Inteligência Artificial
