ESP-MG, SES e IFMG concluem o ciclo 2023-2025 do Projeto de Formação de Instrutores de Tai Chi Chuan e Chi Kung

De 2023 a 2025 foram realizadas 12 turmas de formação de instrutores, com 316 profissionais participantes e 172 municípios contemplados no estado

Em um auditório repleto de histórias e vivências, profissionais de saúde se reuniram para celebrar a conclusão de um marco importante: o encerramento do ciclo 2023-2025 do Projeto de Formação de Instrutores de Tai Chi Chuan e Chi Kung em Minas Gerais. O encontro, realizado na sexta-feira, 05 de dezembro, pela Escola de Saúde Pública de Minas Gerais (ESP-MG), aconteceu no Auditório da Defensoria Pública, em Belo Horizonte, com transmissão ao vivo pelo YouTube.

Mais do que um evento de encerramento da ação educacional e da 12ª turma, o seminário foi um espaço para apresentar resultados, impactos no SUS e compartilhar experiências sobre como práticas corporais da Medicina Tradicional Chinesa estão transformando o cuidado na Atenção Primária à Saúde. Participaram egressos do curso, gestores municipais, representantes das instituições parceiras e interessados no tema.

A ação educacional “Práticas Corporais nos Polos de Academias da Saúde de Minas Gerais: formação de instrutores de Tai Chi Chuan (Taiji Quan) e Chi Kung” nasceu de uma parceria interinstitucional firmada em 2023 entre a Escola de Saúde Pública do Estado de Minas Gerais (ESP-MG), o Instituto Federal de Minas Gerais – Campus Sabará (IFMG-Sabará) e a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG). O acordo foi formalizado por meio de um Termo de Cooperação Técnica.

O projeto faz parte da Política Estadual de Práticas Integrativas e Complementares de Minas Gerais (PEPIC) e do Programa Academia da Saúde, iniciativa do governo federal. A proposta surgiu diante da falta de cursos de formação voltados para profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS) na área das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS). Além disso, havia baixa oferta de atividades coletivas de práticas corporais da Medicina Tradicional Chinesa (MTC) na Atenção Primária à Saúde (APS) e nos polos da Academia da Saúde no estado.

Para se ter uma ideia, em 2021, a maioria das ações de PICS realizadas na APS dos municípios mineiros ocorreu por meio de atendimentos individuais. Já as práticas corporais coletivas da MTC foram oferecidas em apenas 5,5% dos municípios que realizaram alguma ação de PICS e em 4% dos polos da Academia da Saúde, segundo dados da ESP-MG (2022).

A formação começou em fevereiro de 2023 e teve como meta qualificar os profissionais que atuam nos Polos da Academia da Saúde, ampliar e diversificar a oferta de Práticas Integrativas e Complementares (PICS) na Atenção Primária à Saúde e fortalecer o Programa Academia da Saúde. Além disso, buscou incentivar o registro das práticas corporais nos sistemas de informação da APS e promover estratégias que contribuam para melhorar a qualidade do cuidado oferecido aos usuários do SUS.

De 2023 a 2025 foram realizadas 12 turmas de formação de instrutores de Tai Chi Chuan e Chi kung, com 316 profissionais participantes e 172 municípios contemplados em Minas Gerais.

Parcerias intersetoriais

Participaram da Mesa de Abertura do Seminário, a Diretora de Promoção da Saúde e Políticas de Equidade da SES-MG, Luisa Azeredo Oliveira; a Pró- reitora de Administração e Planejamento do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Minas Gerais (IFMG)/ Sabará, Fernanda Pelegrini Proença e a Superintendente de Educação e Pesquisa em Saúde da ESP-MG, Patrícia de Oliveira.

Luísa Azeredo destacou a parceria intersetorial para conseguir avançar na implantação das políticas de práticas integrativas e complementares no estado e a ampliação da oferta de atividades coletivas e práticas corporais nos polos de academia, ficando nítido o crescimento dessas práticas nos polos das academias.

“Isso mostra a importância de garantirmos espaços formativos. Essa iniciativa também trouxe o fortalecimento da Academia da Saúde, enquanto um espaço promotor da saúde e também contribui para a implementação da política estadual de práticas integrativas e complementares. A ação representa muito do SUS que a gente acredita, construído a muitas mãos, voltados para as pessoas e que busca a melhoria da qualidade de vida da população e que é construído a partir da parceria intersetorial”, reforçou. A diretoria também ressaltou que estão discutindo a possibilidade de dar continuidade à parceria e promover novas ações.

A pró-reitora, Fernanda Pelegrini Proença, destacou a parceria institucional e falou do quanto tem sido importante a atividade para o Instituto Federal e para os profissionais envolvidos e que os resultados estão chegando a todo o estado. “Fico muito feliz com essa parceria, desejo que ela permaneça e penso que não é um ciclo que se fecha, mas uma espiral, que vai subindo”, reforçou.

A Superintendente de Educação e Pesquisa em Saúde da ESP-MG, Patrícia de Oliveira comentou que a parceria entre as instituições tem sido exemplar, porque é um fruto que se materializou em um esforço conjunto, generoso e tecnicamente robusto, a serviço do fortalecimento das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde.

“O resultado desta parceria merece ser celebrado. Foram 12 turmas formadas entre 2023 e 2025, 316 profissionais qualificados e 172 municípios alcançados em todas as regiões do estado. São números que representam mais do que participantes, mas sim novas possibilidades de cuidado, ampliação de acolhimento e de promoção da saúde no território”.

Patrícia de Oliveira também contou que ao longo do curso foi realizada, paralelamente, uma pesquisa que buscou aliar um processo investigativo à ação educacional, com o objetivo de analisar aspectos da formação de instrutores Tai Chi Chuan (Taiji Quan) e Chi Kung, com destaque para o aprendizado das práticas corporais e para a sua incorporação no cotidiano de trabalho no SUS.

“A etapa de coleta de dados foi realizada e estamos, neste momento, na fase de análise, sistematização, escrita e submissão de artigos em periódicos científicos. Pretendemos, em breve, compartilhar os resultados com os participantes da pesquisa e demais profissionais do SUS”. A Superintendente da ESP-MG também agradeceu a todas as instituições envolvidas, o corpo docente, à equipe da ESP-MG a às alunas e alunos.

Quero agradecer profundamente aos parceiros institucionais, SES-MG e IFMG-Sabará, ao corpo docente e à equipe da ESP-MG envolvida no planejamento, na gestão, na logística, no acompanhamento pedagógico e na produção de conhecimento que sustentou essa ação educacional. Nada disso seria possível sem o empenho de cada uma e cada um de vocês. Ela também fez um agradecimento especial a todas as alunas e alunos. “Vocês são a razão de existir desta Escola. É nas mãos de vocês que essa formação se transforma em cuidado vivo, em prática cotidiana e em transformação da realidade”, conclui.

Experiências e compartilhamentos

O termo Tai Chi Chuan pode ser traduzido como: Tai Chi = Movimento do Universo e Chuan = Punhos/Luta, a Luta do Movimento do Universo, arte marcial chinesa cujos movimentos circulares e a respiração profunda e lenta proporcionam equilíbrio mental e físico.

O Tai Chi Chuan é uma prática corporal coletiva de origem oriental que consiste em posturas de equilíbrio corporal e na realização de movimentos lentos e contínuos que trabalham, simultaneamente, os aspectos físico e energético do corpo. As práticas corporais da Medicina tradicional Chinesa, como o Tai Chi Chuan, estão associadas na prevenção dos principais fatores de risco para doenças crônicas com redução no peso corporal, diminuição da pressão arterial, dores, triglicerídeos e colesterol total de seus praticantes.

Para além de uma prática corporal, o Tai Chi Chuan também ajuda com a mente.  É o que afirma a formanda Luciana Mundin Teixeira, da 12ª turma. Para ela, que é fisioterapeuta, instrutora de Lian gong e servidora municipal de Belo Horizonte, ela encontrou no no Tai chi chuan mais um instrumento para ajudá-la em sua atuação. “Eu costumo dizer que essas duas práticas da medicina tradicional chinesa são meditações ativas, porque você precisa estar em plena presença”, sintetiza.

O nutricionista e também aluno da turma, Vinícius Ribeiro, da cidade de Ferros comenta que o curso foi transformador para ele. “A maneira como a gente chega é uma, mas quando a gente sai e termina a qualificação, parece que nem é a mesma pessoa que entrou. Tive essa percepção ao chegar nesta reta final do curso”. Vinícius também conta que o Tai chi ainda não é uma prática conhecida em sua cidade, mas que já fizeram uma apresentação inicial e que no próximo ano, a ideia será colocar um grupo em prática em sua cidade.

Quem já se beneficiou das práticas do Tai chi chuan, foi a Maria Pereira, de Belo Horizonte. Ela é aluna do educador Físico, Cláudio Rodrigues, do Centro de Saúde Santa Lúcia e egresso da 1ª turma do curso. Ela relata que fez uma cirurgia na coluna e ficou com muitas dificuldades para se movimentar, não conseguia andar direito e fazer suas atividades rotineiras e procurou o professor Cláudio no centro de saúde para iniciar a prática. “Desde que comecei a praticar o Tai chi estou conseguindo me movimentar melhor, sair, andar, pegar ônibus. O médico falou para mim que tenho que fazer atividades físicas para o resto da vida e nada vai me fazer largar o Tai chi. Sou muito grata por tudo que ele me trouxe, hoje recuperei a capacidade de fazer minhas coisas”, afirma.

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