Aleitamento materno: cuidado, proteção e saúde para mães e bebês em Minas Gerais

A amamentação é um dos pilares da saúde pública e representa um ato de amor que protege a vida nos primeiros anos. Em Minas Gerais, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) atua de forma contínua para apoiar mães e bebês. Na Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Belo Horizonte, que abrange 39 municípios, esse trabalho é fortalecido por uma ampla rede de serviços.

O leite materno é o alimento mais completo e ideal para o recém-nascido, oferecendo nutrientes e anticorpos essenciais. Ele previne doenças, reduz a mortalidade infantil e contribui para o desenvolvimento saudável da criança. Os benefícios também se estendem à mãe, diminuindo o risco de câncer de mama e ovário. Em parceria com as prefeituras, a SES-MG promove o aleitamento materno por meio da qualificação de profissionais e do fortalecimento dos Bancos de Leite Humano.

O Ministério da Saúde recomenda a amamentação até os 2 anos de idade ou mais, sendo exclusiva nos primeiros seis meses. “No entanto, dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional mostram que, em 2023, 42% das crianças de 0 a 6 meses na SRS Belo Horizonte não estavam em amamentação exclusiva. Esse dado evidencia o desafio presente em nossa região”, ressalta a referência técnica em Saúde Materno Infantil da SRS, Letícia Rodrigues.

A assistência à amamentação começa ainda no pré-natal, com orientações sobre cuidados com as mamas e técnicas de amamentação. Após o nascimento, nas maternidades da rede pública, como a Maternidade Odete Valadares, o incentivo ao aleitamento materno é prioridade.

“Falar de aleitamento materno no contexto do SUS (Sistema Único de Saúde) nos leva a duas importantes estratégias: a Iniciativa Hospital Amigo da Criança, selo de qualidade conferido pelo Ministério da Saúde aos hospitais que cumprem os 10 passos para o sucesso do aleitamento materno, instituídos pelo Unicef e pela Organização Mundial da Saúde (OMS); e a Estratégia Amamenta e Alimenta Brasil (EAAB), que qualifica o processo de trabalho dos profissionais da atenção primária à saúde, reforçando e incentivando a amamentação”, explica Letícia Rodrigues.

O apoio também se estende a bebês que necessitam de cuidados intensivos, por meio dos Postos de Coleta e Bancos de Leite Humano. O leite coletado é processado e distribuído gratuitamente, garantindo nutrição adequada a recém-nascidos internados. Além disso, os Bancos oferecem atendimento especializado para orientação e apoio à amamentação. Na Regional de Saúde de Belo Horizonte, são seis Postos de Coleta e quatro Bancos de Leite Humano em funcionamento.

Amamentação e saúde materno-infantil

“Vivi violência obstétrica no parto. Isso foi um divisor de águas. Minha especialidade na fonoaudiologia era a geriatria. Acabei migrando para a assistência materno-infantil.” O relato da fonoaudióloga especialista em assistência materno-infantil, Lira Amaral, não é isolado. Segundo o artigo Violência obstétrica: um desafio para a saúde pública no Brasil, de Tatiana Henriques, publicado na revista Página Grena em 2021, a prevalência da violência obstétrica varia entre 18,3% e 44,3%, conforme estudos populacionais. A pesquisa Nascer no Brasil, coordenada pela Fiocruz, revelou que 53,5% das mulheres que passaram por parto normal sofreram corte no períneo, considerado uma forma de violência obstétrica.

Contudo, a história de Lira também revela acolhimento. “Após o parto, tive uma experiência totalmente diferente. No período de amamentação, houve acolhimento, instrução e cuidado.” Mestranda no programa de Promoção da Saúde e Prevenção da Violência da Escola de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Lira pesquisa a “Violência em situações de amamentação”.

Ela destaca desafios como a licença paternidade reduzida. “O primeiro mês de amamentação é de adaptação. Como adaptar sem suporte? Fiz cesárea na primeira filha e fiquei limitada por duas semanas. Muita gente não tem rede de apoio. Uma licença paternidade ampliada aumenta em 30% a taxa de aleitamento”, afirma.

Outro obstáculo é a escassez de profissionais capacitados em manejo da amamentação. “Falta especialização até para avaliar se a amamentação está adequada”. Como mãe e especialista, Lira recomenda: buscar informações em fontes seguras, procurar profissionais com conhecimento em amamentação e realizar consulta com pediatra gestacional.

Rede de serviços para gestantes e crianças

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece uma série de ações e serviços voltados à saúde da mulher e do bebê:

  • Pré-natal e acompanhamento nas UBSs: Gestantes são acolhidas nas Unidades Básicas de Saúde para consultas, exames, vacinação e orientações.
  • Atenção especializada: Atendimento para gestantes, puérperas e crianças de risco, com acesso a especialistas e exames, em articulação com a atenção primária.
  • Programa Filhos de Minas: Lançado em 2025, busca reduzir a mortalidade materna e infantil, incentivando o pré-natal completo e distribuindo kits enxoval para gestantes em situação de vulnerabilidade.
  • Rede de Atenção ao Parto e Nascimento: Hospitais como a Maternidade Odete Valadares, Hospital Sofia Feldman e Hospital Risoleta Neves oferecem atendimento humanizado para gestação, parto e cuidados neonatais.
  • Testes de triagem neonatal: Incluem o Teste do Pezinho, da Orelhinha e do Olhinho, que detectam doenças graves.
  • Acompanhamento pediátrico e vacinação: Após a alta hospitalar, a criança é acompanhada na UBS com consultas de puericultura e acesso às vacinas do Calendário Nacional.
  • Linha de Cuidado Materno-Infantil: Profissionais de saúde recebem orientações para qualificar o atendimento desde o planejamento reprodutivo até o primeiro ano de vida do bebê.

Por: Leandro Heringer

Foto:  Fonoaudióloga e pesquisadora Lira Amaral amamenta a filha – Arquivo pessoal

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