Após alta nas notificações por covid-19 em janeiro e fevereiro, o Triângulo Mineiro registrou queda nos meses de março e abril. Já o aumento de casos para o mês de maio era esperado, não apenas para a região, mas em todo o país, em razão da sazonalidade dos vírus respiratórios.
Os 54 municípios do Triângulo Mineiro notificaram 23.256 casos de covid-19 em maio. Mesmo com o aumento da incidência da doença no último mês, as internações em leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) não impactaram na rede assistencial. De 08/04 a 08/06, onze pacientes diagnosticados com covid foram transferidos pela Central de Regulação Estadual (SUSFácil) do Triângulo do Norte e Triângulo do Sul para leitos de UTI das instituições hospitalares do Sistema Único de Saúde (SUS) dentro da região. Não foram contabilizadas as transferências dos municípios de Uberlândia e Uberaba, que possuem regulação local própria.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a maior parte das hospitalizações em 2022 é devido à variante ômicron, e são de pessoas que não se vacinaram. A organização alerta que em locais onde há muita transmissão de covid-19, a ômicron se dissemina com velocidade sem precedentes, e que os não vacinados são os mais atingidos. As amostras processadas este ano pela Fundação Ezequiel Dias (Funed) demonstram a predominância da ômicron no Triângulo Mineiro.
O cenário das internações durante os anos de 2020 e 2021 na rede hospitalar do SUS foi totalmente diferente do vivenciado no momento atual, no Triângulo Mineiro. No pico da pandemia, mensalmente, cerca de 200 pacientes necessitavam de transferência, inclusive para outras regiões de Minas Gerais.
Vacinação
Eduardo Henrique Roscoe, coordenador da Central de Regulação (SUSFácil) do Triângulo do Norte, reforça que o avanço da vacinação impactou na assistência. “Houve uma redução significativa do número de casos de internação e de transferência para outras regiões do estado. Em 2020 e 2021, tivemos um volume de transferências muito grande para outras regiões. Hoje temos capacidade de manter os pacientes na nossa região, e a gravidade dos pacientes reduziu bastante. Estamos com um suporte de UTI mais adequado, e mantendo a vacinação de forma correta, conseguimos reduzir a gravidade dos pacientes”, concluiu o coordenador.
O aposentado Roberval Macedo, de Ituiutaba, imunizado com três doses da vacina, teve covid-19 no mês de maio e recuperou-se em casa. A reinfecção foi totalmente diferente da primeira vez em que teve a doença no início da pandemia e precisou ficar internado. “A vacina é fundamental para te dar mais tranquilidade. Quando eu saí da UTI, deu um desespero tão grande, queria tomar a vacina de imediato, mas não chegava, tive que esperar uns seis ou sete meses para tomar a primeira dose”. Macedo reforçou que todos devem atentar para os sintomas da doença e vacinar. “Olha gente, se cuidem. O covid hoje é mais simples, mas tem que tratar dela, pois não tratando, ela pode trazer consequência gravíssima. E vacina quem não vacinou”.
Cobertura vacinal
Embora mais de 90% da população adulta do Triângulo Mineiro esteja vacinada com a primeira dose do imunizante, o momento atual mostra certa tendência à estagnação, especialmente em relação às doses de reforço e segunda dose pediátrica. Por isso, é importante que a população siga corretamente o esquema vacinal indicado, para continuar evitando as formas graves da doença e consequentes internações. No total, foram aplicadas mais de 4,5 milhões de doses de vacina contra covid em todos os grupos na região, e o total de vacinas pediátricas aplicadas é de mais de 174 mil doses.
Coberturas por doses aplicadas:
Adultos (a partir de 12 anos)
- 1ª Dose: 91,52%
- 2ª Dose: 87,20%
- 1º Reforço: 59,24%
- 2º Reforço: 32,71%
Pediátrica (5 a 11 anos)
- 1ª Dose: 68,89%
- 2ª Dose: 28,29%
A referência de imunização da SRS Uberaba, Thaís Barbosa, faz um chamado, “é importante que todos aqueles que ainda não se vacinaram procurem os postos de saúde para iniciar seu esquema vacinal. E os que já iniciaram, que tomem as doses de reforço. Já começamos com a segunda dose de reforço para pessoas com 50 anos ou mais e trabalhadores da saúde, e lembramos que é importante, também, que os pais levem suas crianças para se vacinar, não esquecendo da segunda dose pediátrica”.
Tão importante quanto a vacina contra a covid-19, é a vacina contra gripe, cuja campanha foi prorrogada até dia 24/06. Ambas, são doenças respiratórias sazonais, cuja imunização previne contra as formas graves, evitando internações e facilitando o diagnóstico, em caso de contágio.
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Autor: Lilian Cunha e Sara Braga