A Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Ponte Nova, por meio do Núcleo de Vigilância Epidemiológica (Nuvepi), realizou, nesta terça-feira (13/7), reunião online sobre o manejo clínico da Tuberculose. Na ocasião, foram apresentados aos coordenadores municipais de Vigilância Epidemiológica e às referências técnicas do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) o panorama da doença no território e as ações que devem ser desenvolvidas para controle, diagnóstico e acompanhamento dos casos.
A reunião foi conduzida pela referência do Nuvepi e apoio técnico do Programa Nacional de Controle da Tuberculose, Dádiva Rodrigues, que informou terem sido notificados, de janeiro a junho de 2021, no âmbito da SRS Ponte Nova, 27 casos de tuberculose. “Algumas pessoas acham que a tuberculose não existe mais, mas temos muitos casos todos os anos, inclusive de municípios com alta incidência”, alertou.
A apresentação trouxe um apanhado das campanhas contra a doença em nível mundial, nacional e estadual, como a “Estratégia pelo Fim da Tuberculose” da Organização Mundial de Saúde (OMS), estabelecida em 2015 sob a visão de “Um mundo livre da tuberculose: zero morte, adoecimento e sofrimento devido à tuberculose”; o “Plano Nacional pelo Fim da Tuberculose como Problema de Saúde Pública”, lançado em 2017 pelo Ministério da Saúde, cuja meta, até 2035, é a redução do coeficiente de incidência da doença para menos de 10 casos por 100 mil habitantes e redução do coeficiente de mortalidade para menos de 1 óbito por 100 mil habitantes no Brasil; e o “Plano Estadual Minas Gerais Livre da Tuberculose”, de 2019, com a meta de reduzir a incidência da doença para menos de 10 casos por 100 mil habitantes e o coeficiente de mortalidade para menos de 1 óbito por 100 mil habitantes no estado.
Dádiva Rodrigues chamou a atenção para a diminuição das respostas à tuberculose em tempos de covid-19 em países de baixa e média renda, comprometendo o progresso realizado ao longo dos anos e trazendo estimativas de crescimento dos casos globais da doença e do número de mortes. Para tentar superar esse cenário desfavorável, a referência apontou algumas estratégias, como a implementação de triagem massiva e do fortalecimento do papel da Atenção Primária à Saúde. “Pessoas com tosse e febre devem ser testadas para tuberculose e covid-19, usando os mais recentes testes laboratoriais e técnicas de imagem, além do rastreamento de contatos. Também é preciso investir no tratamento de infecções latentes como método de prevenção”, complementou.
Pilares de controle
A referência técnica da SRS prosseguiu a apresentação ressaltando os três pilares para controle da tuberculose: busca ativa de casos, com identificação precoce das pessoas que tossem, chamados de Sintomáticos Respiratórios (SR); Tratamento Diretamente Observado (TDO), que consiste na observação da tomada dos medicamentos pela pessoa em tratamento por um profissional de saúde por pelo menos três vezes na semana; e investigação de contatos, que visa identificar e tratar precocemente pessoas com tuberculose ativa, interrompendo a cadeia de transmissão, e pessoas com infecção latente, a fim de se prevenir o desenvolvimento da doença.
Sobre os exames utilizados para detecção da doença, Dádiva frisou a baciloscopia (Bacilo Álcool-Ácido Resistente – BAAR) e o Teste Rápido Molecular para Tuberculose (TRM-TB), destacando suas principais características e indicações, sendo este último mais moderno. Para tanto, projetou uma proposta de fluxograma para o diagnóstico por TRM desde a identificação do Sintomático Respiratório até o envio de amostras. Também houve destaque na adequada coleta do escarro.
A apresentação também contemplou instruções sobre a primeira consulta de caso novo de tuberculose, por meio de proposta de fluxograma desenvolvido pela própria referência da SRS Ponte Nova, bem como informações sobre a cultura com teste de sensibilidade, indicada para as pessoas que obtiveram o diagnóstico por meio de BAAR ou TRM.
Mais um ponto de destaque levantando por Dádiva envolveu a existência de coinfecção de tuberculose e HIV. “A tuberculose é a principal causa de óbitos por doenças infecciosas definida entre as Pessoas Vivendo com HIV (PVHIV). Por isso, é necessário ofertar o teste de HIV a todos os pacientes diagnosticados com tuberculose. Diante do teste positivo, além do tratamento oportuno, deve ser iniciada a terapia antirretroviral”, pontuou.
A coordenadora do Nuvepi, Mônica Maria de Sena Fernandes Cunha, propôs aos participantes o desafio de multiplicar os conteúdos abordados e desenvolver estratégias para melhoria dos números e das metas nos municípios. “É uma oportunidade de podermos nos aprimorar e melhorar naquilo que podemos. Somos corresponsáveis por nossos pacientes e temos que ofertar uma assistência de qualidade, quer seja pela profissão, quer seja pelo lado humano que existe em nós”, frisou.
Autor: Tarsis Murad