SES-MG promove capacitação sobre diagnóstico e tratamento de acidentes com animais peçonhentos

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Nesta terça-feira (03/04), a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), com o apoio do Ministério da Saúde, realizou em Belo Horizonte (MG), uma capacitação de médicos e enfermeiros para diagnóstico e tratamento de acidentes por animais peçonhentos. O objetivo do evento foi atualizar os profissionais com informações sobre a identificação das espécies, utilização e armazenamento dos soros e vigilância epidemiológica dos acidentes, viabilizando diagnóstico e tratamento adequados aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).

São considerados animais peçonhentos aqueles que produzem veneno e podem introduzi-lo no corpo da vítima por meio de um aparelho inoculador, constituído por presas, ferrões, cerdas urticantes, entre outros. No Brasil, dados do Ministério da Saúde apontam a notificação de 215.946 acidentes com animais peçonhentos em 2017. Entre os mais comuns estão os causados por escorpião, seguido por aranha e serpente. Também foram notificados 399 óbitos no mesmo período, em todo o país. Clique aqui e confira a nossa galeria de fotos do evento.

Ainda de acordo com os dados do órgão, Minas Gerais é o terceiro estado com maior número de registros de acidentes. Num balanço de 2013 a 2017, as cidades com maior número de notificações no estado foram Montes Claros, com 8.184 casos, e Belo Horizonte, com 6.395 casos.

De acordo com o representante do Ministério da Saúde, Flávio Dourado, é importante que os profissionais de saúde conheçam os animais peçonhentos presentes em sua região, para que o uso adequado do soro seja feito. “Os soros são produzidos pela Fundação Ezequiel Dias (Funed), Instituto Butantan, Instituto Vital Brazil, e Centro de Produção e Pesquisa de Imunobiológicos (CPPI). Ao todo, existem nove tipos de antivenenos brasileiros, para escorpiões, serpentes, aranhas e lagartas”.

Ele explica, ainda, que há fatores que podem interferir nas condições do paciente e, por isso, requerem atenção. São eles a faixa etária, local da picada, tipo de envenenamento, intensidade das manifestações clínicas, primeiros socorros e condutas médicas inadequadas, além do tempo entre a picada e o atendimento. Outro dado importante é que cerca de 70% dos acidentes ocorrem na região das pernas, e, por isso, é preciso ficar atento para questões como o uso de vestimenta adequada ao fazer atividades em mata alta, por exemplo.

Em Minas Gerais, de 2013 a 2018, foram notificados 174.508 acidentes por animais peçonhentos. Em 2018, até o momento, ocorreram 9.453 casos e em 2017 outros 41.675. O tipo de acidente mais comum no estado é o causado por escorpião, seguido de aranha e serpente. Entre os acidentes provocados por escorpiões, 63% ocorreram em área urbana. As principais espécies presentes no estado são aranhas, escorpiões, serpentes, lonômia (lagarta) e abelhas africanizadas.

No estado, os soros são solicitados pela SES-MG ao Ministério da Saúde e depois distribuídos às Regionais de Saúde do estado, que encaminham o quantitativo adequado de forma estratégia aos serviços de saúde. Ao todo, existem 269 Unidades de Soroterapia em Minas.

Notificação adequada

A notificação adequada dos acidentes também foi tema da capacitação. Afinal, todos os casos devem ser notificados por meio de ficha específica, independentemente do animal causador dos acidentes ter sido identificado ou não. A notificação deve ser feita, obrigatoriamente, por médicos, profissionais de saúde ou responsáveis pelos serviços públicos e privados de saúde, que prestam assistência ao paciente. Os soros são distribuídos com base nos dados da ficha de notificação lançada no sistema de notificações.

Crédito: Leonardo Noronha / Funed.

A referência técnica do Programa de Vigilância e Controle dos Acidentes por Animais Peçonhentos da SES-MG, Andréia Kelly dos Santos, explica que Minas Gerais possui um dos principais serviços de toxicologia do país, localizado no Hospital João XXIII, da Rede Fhemig. “O Serviço de Toxicologia do Hospital João XXIII possui um telefone que funciona 24h por dia, sete dias por semana. Em caso de dúvida sobre o manejo clínico, os profissionais de saúde podem entrar em contato com o serviço para saber como proceder em relação ao paciente. O telefone é 0800-722-6001”, afirma.

Ainda de acordo com a referência técnica da SES-MG, a administração precoce e correta do soro é fundamental para o sucesso do tratamento. Entretanto, a população também deve ficar atenta para evitar complicações. “Em caso de acidente com animal peçonhento, deve-se, no máximo, lavar o local com água e sabão e encaminhar imediatamente o paciente para atendimento médico”, explica. Não é recomendado o uso de torniquetes, garrotes ou qualquer outro procedimento que não seja o realizado pelos serviços de saúde.

Participaram da capacitação, profissionais de saúde de Unidades de Soroterapia e Regionais de Saúde do estado, que serão multiplicadores das informações nos municípios mineiros. O evento segue até a próxima quarta-feira (04/04).

Cuidados que podem evitar acidentes

Alguns cuidados simples podem ajudar a evitar acidentes com animais peçonhentos. Confira alguns deles:

  • Entre com cuidado em locais que ficaram fechados por muito tempo;
  • Sacuda cuidadosamente roupas, sapatos, toalhas e lençóis que ficaram do imóvel no período em que ele permaneceu fechado;
  • Afaste as camas das paredes e evite pendurar roupas fora dos armários;
  • Limpe o interior e os arredores da casa usando luvas, botas e calças compridas;
  • Evite o acúmulo de lixo, entulhos e materiais de construção próximos a casa;
  • Nunca colocar as mãos em buracos ou frestas;
  • Sempre use luvas ao fazer a limpeza de uma casa fechada por muito tempo;
  • Caso encontre algum animal peçonhento dentro de casa, afaste-se dele sem assustá-lo e entre em contato com os bombeiros ou com o centro de controle de zoonoses da sua cidade.
  • Em regiões de mato alto usar sempre calça comprida e botas;
  • Próximo a matas e na beira de estradas, evite deixar as portas do carro abertas, principalmente ao anoitecer;
  • Jamais pegue animais peçonhentos com as mãos, mesmo que eles pareçam mortos;
  • Manter limpos os locais próximos a residências, calçadas, jardins, quintais, paióis e celeiros.

 

 

Autor: Jéssica Gomes

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