Todos os 86 municípios do Norte de Minas que integram as áreas de atuação da Superintendência Regional de Saúde de Montes Claros e as gerências regionais de saúde de Januária e Pirapora, estão sendo orientados a verificar a situação do cartão de vacina da população, com o objetivo de atualizar o esquema da vacina contra a febre amarela. Nas localidades em que houver baixo índice de confirmação de imunização da população, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) recomenda aos municípios que seja realizada nova campanha de vacinação.
A recomendação repassada pela SRS às secretarias municipais de saúde é parte do desdobramento de medidas preventivas que vem sendo adotadas pelo Estado, desde o primeiro semestre deste ano, quando foram confirmados óbitos de primatas no município de Coração de Jesus. O trabalho de investigação das causas foi intensificado no Norte de Minas pela Superintendência Regional de Saúde de Montes Claros, com o apoio de técnicos das regionais de saúde de Divinópolis, Barbacena, Varginha, Uberaba e Januária.
Além de Coração de Jesus, entre os meses de março e julho foi registrada a ocorrência de morte de primatas em outros onze municípios do Norte de Minas: Francisco Dumont, Glaucilândia, Brasília de Minas, Icaraí de Minas, Indaiabira, Lontra, Mirabela, Montes Claros, São Francisco, São João do Pacuí e Urucuia. Amostras de animais foram coletadas e encaminhadas para análise no laboratório do Instituto Evandro Chagas, sediado no Pará, porém somente no dia 4 de agosto os primeiros resultados foram recebidos pela SES-MG.
A coordenadora do Núcleo de Vigilância Epidemiológica, Ambiental e Saúde do Trabalhador da SRS de Montes Claros, Josianne Dias Gusmão, ressalta que a atualização dos cartões de vacina contra febre amarela se constitui medida preventiva que as secretarias municipais de saúde devem adotar, visando verificar a necessidade ou não de realizar a vacinação da população. Os municípios já possuem vacinas contra a febre amarela, mas, em caso de necessidade, a Secretaria de Estado de Saúde disponibilizará maior quantidade de doses para atender às demandas.
Todos os 53 municípios que integram a área de atuação da SRS/Montes Claros já estão atualizando o cartão de vacina de toda a população. O mesmo trabalho também está sendo realizado em 26 municípios que estão jurisdicionados à área de atuação da Gerência Regional de Saúde de Januária. Já a GRS de Pirapora também já recebeu orientação para solicitar às secretarias de saúde de sete municípios que integram sua área de atuação, para atualização dos cartões de vacina.
Alinhamento
Além de ações preventivas a Superintendência Regional de Saúde de Montes Claros já realizou duas reuniões para alinhamento de ações contra a febre amarela envolvendo técnicos do Instituto Estadual de Florestas (IEF), Polícia do Meio Ambiente, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), Secretaria Municipal de Saúde de Montes Claros, Centro de Controle de Zoonoses e Corpo de Bombeiros. Aliado ao repasse de informações à população, técnicos dos órgãos governamentais se comprometeram a orientar os moradores de comunidades rurais a comunicar a ocorrência de óbitos de primatas, a fim de que as causas sejam investigadas.
Entre as ações de prevenção tomadas pela Secretaria de Estado de Saúde e municípios está a avaliação e intensificação da vacinação, priorizando populações de áreas rurais e silvestres, principalmente para aqueles indivíduos com maior risco de exposição: população de área rural, silvestre, pessoas que fazem turismo ecológico ou rural, agricultores, extrativistas e outros que adentram áreas de mata ou silvestres. Profissionais de saúde estão sendo mantidos informados sobre a doença e a importância da notificação, até 24 horas, de todos os casos humanos suspeitos, incluindo as doenças febris hemorrágicas e óbitos por causa desconhecida.
Tratamento e vigilância
De acordo com o Ministério da Saúde a febre amarela é uma doença febril aguda, de curta duração (no máximo 12 dias) e de gravidade variável. A forma grave caracteriza-se clinicamente por manifestações de insuficiência hepática e renal, que podem levar à morte. Deve-se levar em conta seu potencial de disseminação em áreas urbanas. Em ambas as formas epidemiológicas os mosquitos vetores são os reservatórios do vírus amarílico. Na doença urbana, o homem é o único hospedeiro com importância epidemiológica. Na forma silvestre, os primatas são os principais hospedeiros do vírus amarílico e o homem é um hospedeiro acidental.
A doença só é transmitida por meio da picada de mosquitos transmissores infectados. O período de incubação é de 3 a 6 dias após a picada do mosquito. O diagnóstico pode realizado por isolamento do vírus amarílico e detecção de antígeno em amostras de sangue ou tecido e por sorologia. Também podem ser realizados exames de histopatologia em tecidos pos morten.
Não existe um tratamento específico no combate à febre amarela. O paciente deve permanecer em repouso, com reposição de líquidos e perdas sanguíneas quando necessário. Os casos graves devem ser atendidos em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), de modo que as complicações sejam controladas e o perigo da morte, eliminado.
ontra a febre amarela há vacina segura e eficaz. No Brasil, a vacinação está indicada a partir dos nove meses de idade para todos os residentes das áreas de risco – endêmica, transição e risco potencial e para viajantes que se dirigem para estas áreas. A vacina é gratuita e está disponível em postos de saúde de todos os municípios do país.
Autor: Pedro Ricardo