Durante a tarde desta quinta-feira (12/11), o Superintendente de Vigilância Epidemiológica, Ambiental e Saúde do Trabalhador da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), Rodrigo Said, recebeu a imprensa para falar sobre as ações aplicadas pela SES-MG em relação ao paciente com suspeita de Ebola. Entre as medidas realizadas, desde a notificação do caso suspeito em Belo Horizonte, Said destacou a execução do protocolo clínico de atendimento preconizado pelo Ministério da Saúde.
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“Todas as medidas de segurança previstas no protocolo para atendimento do caso suspeito foram tomadas. Assim que SES-MG e o Ministério da Saúde (MS) foram notificados da suspeita, no dia 10/11, pela equipe da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Belo Horizonte, foram acionadas as ações previstas no protocolo. Imediatamente foi realizado contato com o MS para a transferência do paciente para o hospital de referência no país para atendimento de casos suspeitos para Ebola”, informou.
O Superintendente também esclareceu que a SMS-BH foi orientada sobre todas as medidas necessárias, previstas no protocolo, como o isolamento da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Pampulha, a identificação dos possíveis contactantes deste paciente, a transferência do paciente para uma unidade de referência no Estado, no caso o Hospital Eduardo de Menezes, da Fhemig, e o tratamento relacionado à malária, tendo em vista que a região de Guiné é uma área endêmica para a doença. “Todas as medidas foram adotadas com segurança e ontem, por volta das 20h, o paciente foi transferido para O Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), no Rio de Janeiro (RJ) referência nacional para casos de ebola”, completou.
Rodrigo Said também acrescentou que 95 pessoas que mantiveram contato com o paciente também estão sendo monitoradas. “Como parte do protocolo, foram feito buscas dos contactantes do paciente. A SMS-BH identificou e está monitorando diariamente 31 profissionais de saúde da UPA, 59 pessoas que estavam em atendimento na unidade e 5 pessoas que moram com o paciente. Esse monitoramento está sendo realizado por meio de busca ativa por telefone e, se necessário, por domicílio. Caso algum desses contactantes apresente estado febril, a orientação é o encaminhamento para o Hospital Eduardo de Menezes”, explicou. Esse monitoramento será realizado até o resultado final do quadro clínico do paciente, internado no Rio de Janeiro. A divulgação do resultado da primeira amostra coletada está prevista para o final da tarde desta quinta-feira (12/11), por meio do Ministério da Saúde.
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Caso suspeito
Um homem, brasileiro, de 46 anos, vindo da Guiné, na África, foi atendido na última terça-feira (10/11), na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Pampulha, em Belo Horizonte. No local foi diagnosticado com suspeita de infecção por ebola. No domingo (8), ele começou a apresentar febre alta, dores musculares e dor de cabeça e foi encaminhado para UPA.
Imediatamente após a identificação da suspeita, o paciente foi isolado na unidade e teve início a adoção do protocolo nacional estabelecido para casos suspeitos de ebola, como a comunicação à secretaria estadual de saúde e ao Ministério da Saúde. Em seguida, foi encaminhado para o Hospital Eduardo de Menezes, da Fhemig, referência estadual em atendimentos de casos suspeitos de Ebola.
O homem, que foi transferido na noite de quarta-feira (11/11) para o Rio de Janeiro, está em isolamento no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, que fica na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em Manguinhos, no Subúrbio do Rio. Saiba mais sobre o estado de saúde do paciente no site da Fiocruz.
Ebola
Identificado em 1976 no Zaire, atual República Democrática do Congo, o vírus Ebola possui alta letalidade – uma taxa de 60% a 90% – o que aumenta a preocupação das autoridades de saúde. Não há vacina contra o vírus, por isso, as medidas de prevenção se tornam ainda mais importantes para evitar o alastramento da doença. A transmissão entre humanos acontece por contato direto com sangue, fluídos ou secreções corporais das pessoas doentes, superfícies e objetos contaminados. No entanto, uma pessoa doente só transmite o vírus após o início dos sintomas. No período de incubação da doença, que vai de 1 a 21 dias a partir da data de contágio, não há transmissão do vírus. Outro dado importante é que o vírus não é transmitido pelo ar, apenas no contato direto com sangue e secreções de pessoas doentes.
Os sintomas e sinais típicos da doença são febre de início súbito, fraqueza intensa, dores musculares, dor de cabeça e dor de garganta. A pessoa infectada também tem vômitos, diarreia, disfunção hepática, erupção cutânea, insuficiência renal e, em alguns casos, hemorragia interna e externa.
Autor: Míria César