Considerada a enfermidade mais antiga do mundo, a hanseníase ainda é um problema de saúde pública atual. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil figura na segunda posição no ranking de novos casos da doença, atrás apenas da Índia. Ciente da necessidade de enfrentamento da doença, a Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Ponte Nova, por meio do Núcleo de Vigilância Epidemiológica (Nuvepi), convocou os municípios de sua área de abrangência para uma discussão sobre o tema.
A hanseníase é uma doença crônica, causada pela bactéria Mycobacterium leprae, cuja transmissão se dá por meio de gotículas de saliva ou secreção nasal, em contato íntimo e prolongado com indivíduos doentes que ainda não iniciaram o tratamento e estão em fases adiantadas da doença. Dentre seus principais sinais e sintomas, estão: dormência em alguma área do corpo; sensação de secura nos olhos e no nariz; parestesia na face; dor e sensação de choque, fisgadas e agulhadas ao longo de nervos dos braços, pernas e faces; diminuição da força muscular das mãos, face e pés; e manchas na pele claras ou vermelhas, com perda de sensibilidade.
Conforme explica a referência técnica do Nuvepi, Karine Cardoso Miguel Barbosa, a descoberta precoce é o principal caminho para a cura, além de evitar a possibilidade de transmissão, complicações e incapacidades permanentes. “No entanto, observamos muitos municípios silenciosos. Por isso, proponho uma reflexão: será que realmente não há nenhum caso ou existe falha no processo epidemiológico e assistencial?”. Na área de abrangência da SRS, de 2015 a 2020, foram notificados 61 casos. Já a proporção de contatos examinados de novos casos de hanseníase na Regional está na casa dos 87%.
Segundo Karine Barbosa, o enfrentamento da hanseníase requer algumas providências, entre as quais a realização de busca ativa dos casos. Soma-se a isso a avaliação clínica de casos suspeitos para confirmação diagnóstica, o tratamento adequado dos casos confirmados, com consulta mensal para administrar dose supervisionada, o acompanhamento de casos e contatos por cinco anos, e, ainda, a alimentação qualificada do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan).
Autor: Tarsis Murad