Profissionais da imprensa recebem capacitação para cobertura em acidentes com múltiplas vítimas

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A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) promoveu ontem (21/10), no Espaço Hellium, em Belo Horizonte, a oficina de capacitação voltada para a cobertura jornalística em situações que envolvam múltiplas vítimas, desastres e catástrofes.
O evento foi direcionado aos profissionais de imprensa, que orientou a conduta dos jornalistas em casos de acidentes com múltiplas vítimas. O curso foi ministrado em duas etapas: teórica e a prática que está acontecendo hoje (22/10) no Hospital Risoleta Neves.

Welfane Cordeiro, consultor da SES para assuntos de Copa do Mundo e de grandes eventos, deu início aos trabalhos da tarde e contou para os jornalistas um pouco da trajetória de trabalhos que SES vêm desenvolvendo. “Pioneiro no Brasil, Minas é único Estado que está se preparando nesse sentido. A parceria entre Portugal e Minas Gerais começou há cerca de dois anos e desde então vem acontecendo muitos estudos e simulados internos. Chegou a hora de simular o relacionamento com a imprensa. Esse é o terceiro grande simulado envolvendo vários órgãos e é muito importante a presença dos veículos de comunicação. Com certeza é um grande legado que Portugal está deixando para Minas,” completou.

 

A oficina foi ministrada pelos médicos Humberto José da Silva Machado e Antônio Marques, ambos do Hospital Santo Antônio do Porto, em Portugal. O médico Antônio Marques, falou do “Desencontro de informações e pânico”. Ele foi o responsável pela reforma na saúde em Portugal, e falou que Minas e Portugal têm visões muito parecidas em relação à saúde. “Trouxemos para o Brasil os cursos e ajudamos os hospitais a criarem planos de atendimento de múltiplas vítimas. Vamos fazer um teste de forma integrada dentro dos hospitais, é muito importante que todos e principalmente a imprensa trabalhe de forma organizada. A imprensa pode nos ajudar muito, mas pode ser parte da solução ou parte do problema. Isso tem que ser evitado, nossa parceria tem que ter respeito e compreensão, só assim podemos nos comunicar.”

Humberto José da Silva Machado, falou dos “Aspectos éticos, legais da cobertura midiática em situações com múltiplas vítimas, desastres e catástrofes”. O médico lembrou que os hospitais e os órgãos têm uma missão e a imprensa tem a dela. “Se estamos falando no assunto é porque ocorrem problemas. Sabemos que a maioria das pessoas não se sente à vontade em falar com a imprensa, por isso temos que eleger em situações complicadas, um porta voz, ele será a única fonte com a imprensa. Nesse relacionamento tem que haver confiança.”
 
Debate e Missão da Imprensa

No fim das palestras aconteceu um debate moderado pelos médicos Portugueses e por Cesar Nitschke, Welfane Cordeiro, Coronel Sebastião Carlos, Capitão Heleno, Major Mendes e Gisele Bicalho.

Cesar Nitschke, consultor de Urgência e Emergência da Ses, provocou o público presente para uma discussão e exposição de ideias. “Precisamos refletir a nossa ética profissional de ambos os lados. Jornalistas não são inimigos, temos que ser parceiros e nos ajudarmos em momentos complicados.”

O médico Português, Humberto destacou ainda a missão dos hospitais que é: Prevenir, tratar e proteger. E ressaltou também a missão da imprensa. “Nós precisamos da comunicação social, mas em caso de catástrofe ela não pode ser criativa e nem improvisar, tem que respeitar o local reservado, o cenário do acontecimento. A imprensa não deve transmitir informações falsas, juízos de valores, emitir opinião, não transmitir dúvida e transparecer pânico para a população,” concluiu.

Autor: Lorena Melo

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