O Governo de Minas lançou, nesta terça-feira (23/10), uma nova etapa da campanha contra o mosquito Aedes Aegpty: “Dengue tem que acabar! É hora de todo mundo agir”. Desde 2010, o Estado, com o apoio da população, já reduziu em 75% os casos da doença em Minas, mas a possibilidade de expansão do sorotipo 4 para os municípios mineiros requer cuidado e atenção.
Na Zona da Mata, em 2012, 79 municípios notificaram casos de dengue, totalizando 3.370 casos. Ubá é o município com maior número de notificações na região e quarto do Estado, atrás de Belo Horizonte, Uberaba e Governador Valadares, são 1.635 registros; em termos de incidência, que contabiliza o número de casos proporcionalmente à população, a cidade também aparece em primeiro lugar na Zona da Mata.
Francisco Tadeu Aparecido, supervisor de Endemias da Gerência Regional de Saúde de Ubá, explica que a região tem um fluxo grande de transportes, uma vez que é um polo moveleiro. “Isso facilita a entrada e saída do vetor da doença. Além disso, são centenas de fábricas, uma grande oferta de locais propícios à proliferação do mosquito. Por isso temos, historicamente, essa dificuldade de baixar os índices de infestação. Some-se a isso o clima, de calor e chuva”, afirma. Ele lembra que a instalação de uma indústria de laminação (transformação de pneus usados) há 25 anos, ajudou a trazer larvas e mosquitos nas cargas.
Apoio da comunidade
Tadeu destaca que o foco do trabalho de combate à dengue em 2013 será o apoio da população. “Vamos trabalhar para resgatar o auxílio da comunidade. Tivemos em Ubá a circulação do sorotipo 4 este ano. A preocupação em 2013 é que ele volte a circular, trazendo o perigo de forma mais graves da doença. Por isso, existe um planejamento de ações para todos os municípios, que envolve principalmente a mobilização social, visando à participação comunitária na prevenção”, relata.
O supervisor de Endemias da GRS Ubá também explica que já é feito um tratamento focal, que consiste em aplicação de larvicida nos depósitos e áreas que possam vir a ser criadouros do Aedes Aegpty. “Temos ciclos bimestrais para inibir a infestação, e fazemos a aplicação de inseticida em pontos estratégicos, como borracharias, ferros velhos, laminações ou qualquer outro local de grande concentração de inservíveis”, completa.
Redução na maior parte dos municípios
A GRS de Ubá foi a única na Zona da Mata que teve aumento nas notificações, entre 2011 e 2012. Nas Regionais de Saúde de Juiz de Fora, Leopoldina, Manhumirim e Ponte Nova, houve redução do número de casos. A GRS de Leopoldina registrou 3.035 casos em 2011, mas este ano, as notificações caíram para apenas 272. Segundo Wallace Jeorge de Oliveira, supervisor de endemias, a abrupta redução no número de notificações e casos confirmados de dengue foi em conseqüência inicialmente das requalificações de técnicos, da instauração de planos de ações intersetorias, executados principalmente nos municípios pólos. da micro. “Merece ser destacado o empenho maciço do trabalho com remoção de potenciais criadouros de vetor da dengue nos “bota fora”, avaliou o supervisor.
Os municípios da SRS de Juiz de Fora foram os que apresentaram maior redução: de 5.178, em 2011, para 276 este ano. Na GRS de Manhumirim, os números caíram de 1.791 para 645. Já a GRS de Ponte Nova contabilizou 1.785 casos em 2011, enquanto este ano foram, até o momento, 492 registros.
Além disso, em toda a Zona da Mata, 62 cidades não apresentam notificações: Abre Campo, Acaiaca, Alto Caparaó, Alto Rio Doce, Antônio Prado de Minas, Aracitaba, Araponga, Argirita, Barão do Monte Alto, Barra Longa, Bias Fortes, Brás Pires, Caiana, Canaã, Caparaó, Chácara, Coronel Pacheco, Descoberto, Diogo de Vasconcelos, Divino, Dom Silvério, Dores do Turvo, Ervália, Ewbank da Câmara, Faria Lemos, Guaraciaba, Lamim, Laranjal, Matias Barbosa, Mercês, Olaria, Oliveira Fortes, Orizânia, Patrocínio do Muriaé, Pedra Bonita, Pedra do Anta, Pedra Dourada, Pedro Teixeira, Piau, Piedade de Ponte Nova, Piranga, Porto Firme, Presidente Bernardes, Rio Doce, Rio Espera, Rochedo de Minas, Rosário da Limeira, Santa Bárbara do Monte Verde, Santa Rita do Ibitipoca, Santana do Manhuaçu, São Francisco do Glória, São Miguel do Anta, Sem-Peixe, Senador Cortes, Senador Firmino, Senhora de Oliveira, Sericita, Silveirânea, Simão Pereira, Tabuleiro, Vermelho Novo e Vieiras.
Ações de combate à dengue
Desde 2010, quando teve início a primeira fase da campanha contra o Aedes Aegpty (“Agora é Guerra”), o Governo de Minas já realizou na Zona da Mata 14 ações de Força Tarefa. Foram distribuídos na região 28 mil folhetos, 14.400 manuais do combatente, 2.491 adesivos para veículos e 2.140 cartazes.
Durante as ações nos municípios, também foi realizada a troca de materiais propícios ao acúmulo de água por lápis, borrachas e cadernos. Nas trocas, foram recolhidas 35.387 garrafas plásticas, 19.857 latas e 2.156 pneus.
Dionísio Pacceli Costa, diretor da Vigilância Ambiental da Secretaria de Estado de Saúde, ressalta que foi constatada uma considerável diminuição no número de casos notificados em 2012, se comparado ao mesmo período de 2011 – em torno de 37%. “O número de óbitos também diminuiu em relação aos anos anteriores. O desafio é manter essa diminuição ao longo dos próximos anos. A participação da população e a boa gestão dos programas municipais de controle da dengue são fundamentais para que isso seja uma realidade no Estado”, observa.
Segundo ele, é importante que o combate à dengue seja focado em três eixos de sustentação. “Vigilância Epidemiológica e Controle de Vetores, Assistência ao Paciente e Mobilização Social. O fortalecimento desses três eixos certamente trará bons resultados em relação à transmissão de dengue”.
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Autor: SECOM