Nesta quarta e quinta-feira, 21 e 22 de setembro, Montes Claros sedia a 5ª Oficina de Trabalho para Análise e Mapeamento das Cadeias de Valor de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, que está sendo coordenada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e pela Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário. A iniciativa faz parte do Projeto de Fortalecimento da Agricultura Familiar e conta com o apoio da Arquidiocese de Montes Claros e Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), por meio da Regional de Saúde de Montes Claros.
A Oficina terá início na quarta-feira, às 8 horas, no auditório do Hotel Monte Rey envolvendo a participação de dirigentes e técnicos de várias organizações não governamentais e de instituições como Superintendência Regional de Saúde, Emater, Universidade Federal de Minas Gerais, Instituto Federal de Educação do Norte de Minas (IFNM), Universidade Estadual de Montes Claros, Centro de Agricultura Alternativa, Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado de Minas Gerais (Epamig), Arquidiocese de Montes Claros, entre outros.
A Oficina faz parte da Rede de Experiências, Tecnologias e Inovação em Saúde (Retisfito). Trata-se de um espaço voltado ao mapeamento, à sistematização e à articulação de experiências da base produtiva e das tecnologias envolvidas na produção, comercialização e nas mais variadas formas de uso e aplicação das plantas medicinais e fitoterápicos. O objetivo da Rede é identificar gargalos e potencialidades dessas experiências, associando-as às diversas políticas públicas no campo da saúde, cultura, ambiente, agricultura, desenvolvimento agrário, desenvolvimento social e demais políticas que estejam, direta ou indiretamente, voltadas a esta temática.
Além disso, a Retisfito visa promover o diálogo plural e a troca de conhecimentos por meio do compartilhamento das experiências mapeadas, identificando demandadas e articulando soluções colaborativas com parceiros estratégicos, tendo como princípio a valorização das tecnologias de produção e da diversidade de saberes envolvidos nessa cadeia de conhecimentos.
A partir desses arranjos colaborativos pretende-se desenvolver ações voltadas à promoção da saúde por meio da geração de emprego e renda, tendo como enfoque o uso sustentável da biodiversidade, o fortalecimento da agricultura familiar, a estruturação de mercados e a ampliação do acesso às plantas medicinais e fitoterápicos no Sistema Único de Saúde (SUS).
Projetos em Minas Gerais
A superintendente regional de saúde de Montes Claros, Patrícia Aparecida Afonso Guimarães Mendes destaca a importância da estruturação de uma rede de produção de plantas medicinais e fitoterápicos no Norte de Minas, envolvendo centros de pesquisas e produtores rurais, levando-se em conta as potencialidades existentes e a diversidade da flora regional. Além do incremento da atividade agrícola, a estruturação da rede terá condições de viabilizar o incremento da renda de pequenos produtores rurais e criar alternativas de geração de emprego e renda no campo.
Dados divulgados em junho deste ano pelo Ministério da Saúde revelam que entre 2013 e 2015 a busca por tratamentos à base de plantas medicinais e medicamentos fitoterápicos pelo SUS mais que dobrou: o crescimento foi de 161%. Há três anos, cerca de seis mil pessoas procuraram alguma farmácia de atenção básica para receber os insumos. No ano passado, essa procura passou para quase 16 mil pacientes. Cerca de 3.250 estabelecimentos de 930 municípios brasileiros oferecem os produtos.
Neste ano, três projetos fitoterápicos foram selecionados em Belo Horizonte e Ouro Preto, por meio de edital do Ministério da Saúde, e estão recebendo investimentos da ordem de R$ 600 mil. Os recursos estão sendo aplicados na compra de insumos, materiais de consumo, contratação de pessoal e capacitação de profissionais. Em todo o país os investimentos ultrapassam R$ 3,4 milhões, contemplando 12 projetos em cinco Estados.
Atualmente, o SUS oferta doze medicamentos fitoterápicos que são indicados, por exemplo, para uso ginecológico, tratamento de queimaduras, auxiliares terapêuticos de gastrite e úlcera, além de medicamentos com indicação para artrite e osteoartrite. De acordo com o Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (PMAQ), os fitoterápicos mais utilizados na rede pública são o guaco, a espinheira-santa e a isoflavona-de-soja, indicados como coadjuvantes no tratamento de problemas respiratórios, gastrite e úlcera e sintomas do climatério, respectivamente.
Autor: Pedro Ricardo