Hanseníase: Montes Claros participa de Inquérito Nacional de Incapacidades ocasionadas pela doença

Referências técnicas em hanseníase do Ministério da Saúde, da SES-MG e de Montes Claros - Foto: Pedro Ricardo/SRS Montes Claros

 

Com apoio da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), quinze pacientes residentes em Montes Claros e que, no período de 2015 a 2019 tiveram alta no tratamento contra a hanseníase, participaram na quarta e quinta-feira, 26 e 27 de abril, de uma pesquisa do Ministério da Saúde com o objetivo de estimar a frequência de incapacidades físicas ocasionadas pela doença.

Trata-se da realização do primeiro Inquérito Nacional de Incapacidades em Hanseníase que, em Montes Claros, já contemplou pacientes atendidos pelo Centro de Referência em Doenças Infecciosas, administrado pela Secretaria Municipal de Saúde e, em Belo Horizonte, usuários do Hospital Eduardo de Menezes.

O Inquérito envolverá outros 11 municípios mineiros: Uberlândia, Governador Valadares, Mantena, Almenara, Cuparaque, Araçuaí, Ituiutaba, Ipatinga, Paracatu, Uberaba e Betim. Nas 13 localidades selecionadas em Minas Gerais, 144 pacientes serão avaliados pela pesquisa.

Nas regiões Sul, Centro Oeste e Sudeste, o levantamento está em fase final de realização. A previsão é de que os trabalhos sejam concluídos no segundo semestre deste ano no Nordeste do país e tenha os resultados publicados no primeiro semestre de 2024. Ao todo, 217 municípios foram selecionados para participar do Inquérito e 3.454 pacientes serão avaliados.

“A partir dos resultados do Inquérito, o Ministério da Saúde terá condições de estimar a quantidade de pacientes acometidos por hanseníase que, devido às incapacidades causadas pela doença, necessitam de cirurgias de reabilitação ou de órteses. Além disso, os resultados nortearão políticas públicas do Ministério da Saúde para viabilizar o diagnóstico e tratamento precoce de pacientes, além de definir ações de prevenção contra a doença”, explicou a assessora do Ministério da Saúde, Geísa Campos. Juntamente com a também assessora do Ministério da Saúde, Luciana Miranda Barbosa Melo, nos dois dias de trabalho realizado em Montes Claros, 15 pacientes foram avaliados.

A coordenadora de vigilância em saúde da Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Montes Claros, Agna Soares da Silva Menezes e a referência técnica em hanseníase, Siderllany Aparecida Vieira Mendes, entendem que a inclusão de Montes Claros na realização do Inquérito Nacional de Incapacidades em Hanseníase “coloca em evidência a importância do problema no contexto da saúde pública regional e nacional. Isso porque, a doença tem potencial para ocasionar incapacidades e deformidades mesmo após a conclusão do tratamento. Entre os problemas ocasionados estão a diminuição da capacidade dos pacientes de trabalhar; limitações na vida social; implicações psicológicas e, acrescidas a isso, o estigma e preconceito”.

Nesse contexto, o Ministério da Saúde observa que “o poder imunogênico do bacilo é responsável pelo alto potencial incapacitante da hanseníase. A preferência do bacilo pelo acometimento de nervos pode ocasionar alterações motoras e sensoriais importantes, com impactos físicos, sociais e econômicos significativos. A incapacidade representa um custo elevado para o Sistema Único de Saúde (SUS), para o sistema previdenciário e para a pessoa acometida pela doença”, pontua o Ministério da Saúde.

Nos últimos cinco anos, dados do Ministério da Saúde revelam que foram diagnosticados 126.596 novos casos de hanseníase no país. Desse total, 30.385 casos tiveram grau 1 de incapacidade física (diminuição ou perda de sensibilidade nos olhos, mãos e pés). Outros 9.649 casos tiveram grau 2 de incapacidade física, quando há lesões mais graves nos olhos, mãos e pés. 

Nesse contexto, aponta o Ministério da Saúde, “a análise da progressão do grau de incapacidade entre o momento da alta e do pós-alta foi evidenciada piora do grau em 25% dos casos”. Diante dessa situação o Inquérito Nacional de Incapacidades em Hanseníase tem como um dos objetivos principais estimar o número de casos prevalentes da doença no país e conhecer a frequência e a progressão do grau de incapacidades por segmento mão, pé, olho e no pós-alta. 

 

A Doença

Conhecida antigamente como lepra, a hanseníase é uma doença crônica, transmissível, de notificação e investigação obrigatória em todo o país. A doença tem cura. O tratamento é garantido pelo SUS e pode ser concluído em até nove meses, devendo o paciente seguir o esquema terapêutico. 

Dados da SES-MG revelam que entre os anos 2000 e 2021 foram notificados no Estado 43.086 casos de hanseníase. Desse total, 35.894 pacientes evoluíram para a cura da doença.

A macrorregião de Saúde Norte ocupa a sexta posição no Estado em número de casos notificados de hanseníase entre 2000 e 2021. Ao todo são 3.981 casos registrados da doença, tendo 3.248 pacientes evoluído para a cura.

A hanseníase possui como agente etiológico o Microbacterium leprae, bacilo que tem a capacidade de infectar grande número de pessoas e atinge, principalmente, a pele e nervos periféricos. A doença é transmitida pela tosse ou espirro, por meio do convívio próximo e prolongado com uma pessoa doente, sem tratamento.

Os principais sintomas da doença são: manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas em qualquer parte do corpo com perda ou alteração da sensibilidade ao calor ou frio, ao tato e à dor que podem afetar principalmente as extremidades das mãos e dos pés, rosto, orelhas, pernas, nádegas e o tronco.

Também são sintomas da doença: áreas com diminuição de pelos e suor; dor e sensação de choque, formigamento, fisgadas e agulhadas ao longo dos nervos dos braços e das pernas; inchaço de mãos e pés; caroços no corpo; febre, edemas e dor nas juntas.

No SUS, o tratamento farmacológico da hanseníase é feito com poliquimioterapia única (PQT-U), que associa três fármacos: rifampicina, dapsona e clofazimina. O esquema terapêutico deve ser usado por um período que pode durar até 12 meses.

Autor: Pedro Ricardo

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