O Brasil está comemorando um ano da implantação do Teste Rápido Molecular para Tuberculose (TRM-TB), que vem auxiliando profissionais no diagnóstico da doença. A Fundação Ezequiel Dias (Funed) é o laboratório de referência de Minas Gerais, do Espírito Santo e da região norte do Brasil na realização dos exames de cultura e teste de sensibilidade automatizados das amostras com resultado positivo para tuberculose pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e com resistência à rifampicina (um dos antibióticos considerados como primeira opção no tratamento da tuberculose).
Em 2015, Minas Gerais recebeu nove equipamentos de Teste Rápido Molecular que efetivaram a descentralização dos exames de tuberculose nos laboratórios macrorregionais. De acordo com o bioquímico e responsável técnico pelo diagnóstico de Micobactérias da Funed, Cláudio José Augusto, esta descentralização trouxe mais agilidade no diagnóstico da doença no estado e provocou uma mudança positiva no perfil de exames realizados na Fundação. “A descentralização da cultura possibilitou a absorção de uma maior demanda de testes de sensibilidade, exame de alta complexidade executado exclusivamente pela Funed”, disse. E acrescenta ainda, que eram feitos uma média de 60 ao mês, agora são realizados mais de 100.
Cláudio disse ainda, que a ideia é dar prosseguimento ao processo de descentralização com a implantação da cultura em mais dez municípios, o que aumentaria a oferta do exame à população ampliando o diagnóstico da doença. Há ainda a necessidade de intensificar a solicitação de TRM-TB por parte dos profissionais médicos e enfermeiros. O bioquímico informa também, que existe a possibilidade do Ministério da Saúde disponibilizar mais dois aparelhos para Minas em 2016.
De acordo com Élida Aparecida Leal, Bioquímica do Laboratório de Tuberculose da Funed, o Teste Rápido Molecular não elimina a necessidade de fazer a cultura independente do resultado. “São metodologias complementares e auxiliam na conduta do profissional de saúde quanto ao que deve ser feito em relação ao tratamento”, destaca.
Tratamento
A falta de adesão ao tratamento é preocupante segundo Cláudio, pois Minas Gerais tem um percentual de abandono próximo a 10%, que de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), não deve ser superior a 5% do total dos casos. Ele informa que é meta da OMS e do Programa Nacional de Controle da Tuberculose, minimizar ao máximo o número de abandonos do tratamento. Segundo a OMS, o Brasil ocupa a 17ª posição entre os 22 países que concentram 80% do número de casos no mundo. São aproximadamente 72 mil novos casos por ano notificados no país.
A tuberculose tem cura, porém, o tratamento convencional dura seis meses. A adesão é primordial para o sucesso do tratamento. Entretanto, Cláudio faz um alerta: a falta de adesão ao tratamento pode levar o paciente a desenvolver uma tuberculose resistente aos antibióticos e piorar o tratamento, que pode durar no mínimo 18 meses e com necessidade de internação.
Qualidade
O Instituto Octávio Magalhães da Funed participou de um programa de proficiência junto com o Centro de Referência Professor Hélio Fraga, do Rio de Janeiro, em 2015 e recebeu do Controle de Qualidade para Laboratórios (ControlLab), quatro rodadas de Baciloscopia de BAAR (exame de escarro) para fazer análise e foi aprovada.
Autor: Assessoria Funed