A característica do trabalho das equipes da Atenção Primária do Sistema Único de Saúde (SUS), de proximidade com a comunidade, tem garantido um atendimento humanizado aos moradores dos distritos de Mariana atingidos pelo rompimento da barragem de rejeitos de minério. Os trabalhadores das equipes de saúde da família vêm somando esforços para atender às necessidades assistenciais imediatas e também para garantir o atendimento continuado de doentes crônicos, idosos, crianças e gestantes.
Um dos profissionais de destaque nessa abordagem é o Agente Comunitário de Saúde (ACS), que por já conhecer as famílias, tem prestado um serviço imprescindível de informação e atendimento daqueles que precisam de um acompanhamento mais próximo.
A ACS do distrito de Barra Longa, Priscila Batista, fala sobre as vantagens dessa proximidade no momento difícil vivido por essas famílias e como seu trabalho tem contribuído para dar a atenção necessária aos moradores, inclusive com outras tarefas, como distribuição de água, alimentos e material de limpeza; e ao mesmo tempo ir rastreando as pessoas que precisam de atendimento médico.
“Meu trabalho normalmente é de fazer visitas, acompanhar os idosos, as crianças de zero a cinco anos, hipertensos, diabéticos. Nós como agentes de saúde conhecemos a realidade de cada família. A gente tem o alívio de estar fazendo a repartição direitinho para quem está realmente precisando. Ontem, por exemplo, fui fazer uma entrega de água e as pessoas relataram sintomas como dor de cabeça, mal-estar, vômito. Nesses casos, encaminho para unidade de saúde”, explicou.
A Diretora de Políticas de Atenção Primária à Saúde da SES-MG, Ana Paula Medrado de Barcellos, informou que no distrito de Barra Longa a equipe de saúde da família é a mesma que já atendia aos moradores e estão em um trabalho contínuo desde o desastre. Ela reforça a importância da atuação deles junto à comunidade. “O trabalho deles é importante porque eles conhecem a realidade desses moradores e podem nos subsidiar de informações para definirmos prioridades de intervenção. Ao mesmo tempo identificamos onde precisamos dar suporte a esses profissionais e fazer intervenções para facilitar o trabalho deles”, avaliou.
A diretora explica, ainda, que os atendimentos na Atenção Primária foram feitos em duas frentes. “O primeiro momento foi para o atendimento mais emergencial dessas famílias. Agora o cuidado é mais continuado. Por exemplo, nos distritos mais distantes, o ACS traz as informações da situação dos moradores, se têm idosos ou doentes crônicos na região. Nós damos o suporte viabilizando transporte, medicamentos e outros insumos para normalizar o atendimento feito pelas equipes de saúde da família”, afirmou.
Além das ações de vacinação, assistência médica e vigilância em saúde – que envolvem orientação e cuidados com a higiene, alimentação e principais doenças que podem surgir nesse momento, de acordo com os riscos a que as famílias foram expostas –, também estão sendo garantidos os acessos a medicamentos e cuidados de enfermagem. Todas as famílias estão sendo recadastradas para que suas situações de saúde possam ser acompanhadas mais adequadamente.
Autor: Giselle Oliveira