De olho no pão de queijo

A maioria da população já sabe que o consumo excessivo de sódio é considerado um fator de risco para a saúde, pois pode provocar o desenvolvimento de doenças crônicas como obesidade, hipertensão, doenças do coração, dentre outras. Mas o que muita gente não sabe é que a quantidade de sódio anunciada nos rótulos dos pães de queijo comercializados em Minas nem sempre é a mesma encontrada nos produtos. Esse é um dos resultados apresentados nas análises do programa de monitoramento dos alimentos realizado pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SESMG), Vigilância Sanitária Estadual e Fundação Ezequiel Dias (Funed).

Das 62 amostras analisadas em 2012, 85,5% continham informações equivocadas e não condizentes com o produto. “A legislação não determina a quantidade ideal de sódio no produto, mas é clara quanto à necessidade de informações obrigatórias e corretas nos rótulos”, explica o chefe da Divisão de Vigilância Sanitária da Funed, Kleber Eduardo da Silva Baptista.

E não foi só. Contaminação microbiológica, presença de parasitas, falta de informações obrigatórias nos rótulos foram outras irregularidadesencontradas nas amostras. Ao todo, foram 39 tipos de alimentos monitorados: desde alimentos infantis, amendoim, leite e derivados, pão de queijo, macarrão instantâneo, soja, pães, biscoito, conservas vegetais, até sucos e refrigerantes.

Foram 1.115 amostras colhidas em 288 municípios do Estado, totalizando 6.537análisesrealizadas para verificaçãoda adequação dos produtos às normas de identidade e qualidade exigidas pela Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e de outros órgão reguladores.

Produtos in natura

Especiarias como canela, orégano e pimenta do reino também chamam a atenção da equipe de Vigilância Sanitária da Funed. “Encontramos irregularidades em 36% das amostras analisadas, dentre elas a presença de pelo de roedor e da bactéria Salmonellaspp”, afirma Kleber Baptista. Ele alerta para o fato de serem produtos consumidos in natura, ou seja, sem preparos ou outros procedimentos que poderiam eliminar a bactéria. “Uma contaminação por Salmonella pode causar desde diarreia, febree vômitos, contudo, em crianças, idosos e indivíduos imunocomprometidos, os sinais e sintomas podem evoluir para um quadro grave, requerendo hospitalização.”

Rótulo: ainda é maior problema

De todas as análises realizadas, a Funed revela que o maior índice de inadequações está relacionado à rotulagem: cerca de 80% dos 1.115 rótulos de alimentos analisados apresentaram alguma irregularidade como afalta ou incorreção na informação nutricional e a presença de declarações impróprias que podem levar o consumidor a erro. As amostras também foram reprovadas por não conterem informações obrigatórias como lista de ingredientes, data de validade, identificação de origem e outras informações exigidas pelos órgãos reguladores.

“As informações contidas nos rótulos dos alimentos são muito importantes, pois, representam o primeiro contato do consumidor com o produto, sendo, portanto, determinantes para a escolha do consumidor”, afirma Maria Flávia Bracarense Brandão, Diretora de Vigilância Sanitária de Alimentos da Secretaria Estadual de Saúde. “As pessoas estão cada vez mais conscientes da importância de se ler os rótulos dos alimentos no momento da compra, pois, sabem que essas informações influenciam na sua saúde. Assim, exigir das empresas informações claras e corretas é uma importante ação da Vigilância Sanitária na proteção da saúde.”

O programa de monitoramento

As análises realizadas pela Funed fazem parte do Programa de Monitoramento da Qualidade dos Alimentos em Minas Gerais, coordenado pela Diretoria de Vigilância em Alimentos da Secretaria Estadual de Saúde, em parceria com a Fundação Ezequiel Dias, Regionais de Saúde, vigilâncias sanitárias municipais e o Ministério Público/Promotoria de Defesa do Consumidor. O Programa teve início em 2000 e já verificou a qualidade de quase 14.000 amostras de alimentos comercializados no Estado.

São realizadas análises microbiológicas, físicoquímicas, microscópicas, toxicológicas, biologia molecular e rotulagem. “Nos alimentos industrializados, por exemplo, avaliamos a presença e a porcentagem de aditivos alimentares como conservantes, corantes e adoçantes, além de contaminantes químicos e biológicos como metais e aflatoxinas”, explica Kleber Baptista.

Quando são constatadas irregularidades nos alimentos, é instaurado processo administrativo sanitário contra a empresa produtora, podendo ser aplicadas penas que vão desde advertência, até multa e inutilização do produto, informa Maria Flávia. “Temos observado melhorias contínuas na qualidade dos alimentos, em razão da adoção dessas medidas de investigação das infrações sanitárias e punição dos responsáveis.”

Para 2013, está prevista a coleta de 61 categorias de alimentos para análises, que se iniciarão na segunda quinzena de maio.

Confira lista dos alimentos monitorados em 2012:

ÁGUA MINERAL
ALIMENTO INFANTIL
ALIMENTOS FUNCIONAIS
AMENDOIM E DERIVADOS
BATATA PALHA
BISCOITO DOCE E RECHEADO, POLVILHO
CAFÉ TORRADO E MOÍDO
CHÁ
COCO: RALADO, ÁGUA E LEITE
CONSERVAS VEGETAIS
DOCE EM CALDA (FIGO/MAMÃO)
ESPECIARIAS
FARINHA/FARELO DE TRIGO
FEIJÃO
GELADOS COMESTÍVEIS
GELATINA (TRADICIONAL OU LIGHT)
GRANOLA
IOGURTE
LEITE PASTEURIZADO
LEITE PÓ
LEITE UHT
LINHAÇA
MACARRÃO INSTANTÂNEO
MASSA/SALGADO CONGELADO
MILHO (PIPOCA, FUBÁ, CANJIQUINHA)
MISTURA PARA BOLOS
MOLHO DE TOMATE
PÃO DE FORMA (LIGHT OU INTEGRAL)
PÃO DE QUEIJO CONGELADO
PRODUTOS LÁCTEOS
QUEIJO MINAS
REFRIGERANTE LIGHT/DIET/ZERO
SAL IODADO
SALGADINHOS DE MILHO
SOJA (GRÃO, EXTRATO, FARELO)
SOPA DESIDRATADA
SUCO DE FRUTAS
TEMPERO
VEGETAIS FOLHOSOS MINIMAMENTE PROCESSADOS

Autor: Amanda Matos / Funed

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