Catadores de resíduos sólidos contribuem para o combate ao mosquito da dengue

Catadores de resíduos sólidos contribuem para o combate ao mosquito da dengue

Pneus que se transformam em poltronas, garrafas pet que se tornam vassouras ecológicas e latas de alumínio que são transformadas em novas latas. Muito mais do que contribuir com o meio ambiente, a transformação desses materiais em novos objetos de uso envolve uma ação de promoção à saúde, cidadania e preservação do meio ambiente. Em parceria com o Jornal Super, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) promoveu mais uma edição do evento Super no seu bairro. O evento realizado no sábado, 27/10, no bairro Tirol, em Belo Horizonte, reuniu apenas pela manhã cerca de 300 pessoas que além de participarem de ações como corte de cabelo, orientações para emprego e atividades de recreação, se mobilizaram para combater à dengue. Um dos grandes colaboradores nesta grande batalha contra o mosquito da dengue, além da população, são as cooperativas de reciclagem,  responsáveis pelo recolhimento do material recebido para a troca. Pneus, latas e garrafas pet recebem uma destinação correta e contribuem para a geração de emprego e renda para várias pessoas. Victor Hugo Bicalho, de 11 anos, acompanhado pelos pais participou do Super no seu Bairro e ao passar pelo dengômetro trocou objetos que poderiam acumular água por um caderno, um lápis e uma borracha e soube que os objetos que havia trazido irão direto para a reciclagem. “É legal saber que o pneu, as garrafas e as latinhas que eu trouxe irão virar outros objetos. Na escola aprendemos que a reciclagem ajuda a cuidar do meio ambiente”, falou.

Parceria ambiental

Em uma parceria firmada deste de junho de 2011 entre a Secretaria de Estado de Saúde e o Centro Mineiro de Referência em resíduos Sólidos,  cooperativas distribuídas pelas regiões do estado estão contribuindo com o meio ambiente, com a saúde e com o desenvolvimento da sustentabilidade.  O Centro Mineiro de Referência em Resíduos foi criado em 2007 para promover a gestão de resíduos e a inclusão socioprodutiva dos catadores do estado. Belo Horizonte é uma das cidades pioneiras na criação das associações de catadores, sendo a Associação dos Catadores de Papel, Papelão e Material Reciclável (ASMARE) a mais antiga. Há outras associações distribuídas por diversas regiões do estado, como a Associação dos Catadores Autônomos de materiais recicláveis de Contagem (ASMAC), que atua na região do Barreiro e Contagem. “Firmamos a parceria com a Secretaria de Estado de Saúde, pois percebemos a oportunidade de envolver os catadores no combate à dengue e também como uma forma de ajudá-los a transformar material descartado em renda. Esta ação, ao mesmo tempo, que contribui para a sustentação financeira deles, também ajuda na  sustentabilidade do planeta”, afirmou a Coordenadora do setor de mobilização social do Centro Mineiro de Referência em Resíduos Ana Maria de Pinho Guimarães.

Helbert Rodrigues Bazoli, membro da cooperativa ASMAC há oito anos, diz que se sente muito importante, porque sabe que participa da prevenção de uma doença muito perigosa. “Considero que sou o próprio agente de combate à dengue pois estou contribuindo para a saúde das pessoas. Muitos dos objetos que as pessoas acumulam em casa e que acabam gerando a doença, para nós catadores se tornam fonte de renda,” afirmou.

Segundo Ana Maria de Pinho Guimarães o Brasil é o país que mais promove a reciclagem. Cada cooperativa possui a sua forma de tratamento e destinação do material. Já nas ações de combate à dengue, onde há a presença do dengômetro e do dengue móvel, o material formado por pneus, latas e borrachas passa por uma semi triagem e é vendido para empresas que compram estes materiais para outras indústrias ou são reaproveitados para a confecção de peças de artesanato. No caso das garrafas pet, elas também são transformadas em “pelets” que são grãos de plástico que se tornam matéria prima para outros produtos, e como baldes e outras garrafas. Algumas cooperativas também utilizam as garrafas pet para a produção de vassouras ecológicas que são vendidas no mercado. As latas recolhidas passam por uma prensa e algumas associações repassam este material para varejistas e depósitos que revendem para as indústrias. Os pneus também recolhidos nas ações de combate à dengue são levados para os ecopontos que são locais de recolhimento de resíduos sólidos e podem  ter diversas formas de destinação como se tornarem matéria para o asfalto de ruas ou se tornarem poltronas, pufs e mesas de centro que após serem lixados e pintados com tinta automotiva podem ser vendidos por aproximadamente R$500,00.

“Mesmo as pessoas sabendo o que é reciclagem, ainda falta muita conscientização de como separar os tipos de materiais. Este também é o caso da dengue. As pessoas sabem como evitar, mas demoram a tomar uma atitude. Creio que o combate à dengue é muito mais que uma questão de saúde pública, mas tornou-se também uma ação ambiental”, enfatizou o catador de resíduos sólidos Helbert Rodrigues Bazoli.

Autor: Alessandra Maximiano / SES – MG


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