Aumento das coberturas vacinais é tema de debate no Triângulo do Norte

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Estudos mostram que a pandemia e o movimento antivacina são fatores que influenciaram a queda da vacinação nos últimos anos. E, para debater esses pontos e a importância do planejamento e das estratégias locais a serem adotadas pelos profissionais de saúde ligados à sala de vacina pelo Sistema Único de Saúde (SUS), os coordenadores municipais de Imunização e profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS) da macrorregião de saúde Triângulo do Norte estiveram reunidos nesta terça-feira, 29/8, em Uberlândia.

Em 2023, o Programa Nacional de Imunização (PNI) completa 50 anos e é um dos maiores do mundo, ofertando 45 diferentes imunobiológicos para toda a população. O programa tem avançado ano a ano para proporcionar melhor qualidade de vida à população com a prevenção de doenças. As vacinas são seguras para erradicar doenças, evitar sequelas, casos graves e mortes.

A coordenadora da Vigilância Epidemiológica da Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Uberlândia, Mariana Bernardes, ressalta toda a estrutura da logística de vacinação. “Os serviços de saúde organizam o espaço físico, recursos humanos, alimentação dos sistemas de informática, transporte, estoque de insumos e vacinas. Todo esse processo é importante para que a proteção esteja acessível, e, junto com outras estratégias, a população tenha o cartão de vacina completo”, ressalta a coordenadora.

Há mais de um ano foi implantado, no Triângulo do Norte, o Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais (Crie) para atender os 27 municípios. Quase 10 mil pessoas foram vacinadas pelo serviço nos últimos doze meses. “Antes do Crie macrorregional, o processo estava centralizado em Belo Horizonte. Hoje não, vamos alinhando os fluxos de atendimento para uma maior resolutividade e aumentar a quantidade de pessoas beneficiadas. A avaliação é multidisciplinar, assim garantimos um atendimento humanizado e proteção ampliada do público específico para inúmeras doenças”, destacou Bernardes.

O médico epidemiologista José Geraldo Leite refletiu sobre inúmeras hipóteses com relação à queda da cobertura vacinal desde 2016, que teve uma queda representativa na pandemia, e a respeito de como mudar este contexto desfavorável. “Além das fake news que precisam ser combatidas, estudos científicos apontam para o desconhecimento atual e mesmo falta de convívio com pessoas que tenham sequelas pela poliomielite e o sarampo. Cada território tem uma especificidade de operacionalização, que deve ser trabalhada pela Atenção Primária”.

Com relação à introdução de novas vacinas no calendário do SUS, o médico alertou que se deve preconizar o alcance das metas dos imunizantes disponibilizados atualmente. “O setor público de imunização existe fundamentalmente para reduzir e controlar doenças. Não se deve, neste momento, priorizar incluir novas vacinas, e sim alcançar as metas das vacinas que já estão no calendário”.

O município de Araguari tem 21 salas de vacina e a coordenadora de Vigilância Epidemiológica e Imunização, Adriana Aparecida Rossini Queiroz, relatou as estratégias adotadas localmente na rotina e na vacinação extramuros. “Organizamos ações nas escolas com premiação e fazemos eventos aos sábados como rua de lazer e ir de casa em casa para a atualizar a situação vacinal da população”, disse Adriana. A coordenadora ainda citou sobre outros desafios vivenciados para aumentar a cobertura vacinal. “Além de combater a desinformação sobre os benefícios das vacinas, temos que pensar em horários alternativos para os trabalhadores, inclusive para levar seus filhos e superar barreiras físicas de acesso para alcançar populações vulneráveis, como em assentamentos e povos ciganos”, finalizou.

 

Incentivo estadual para as ações de vacinação extramuros e os Vacimóveis

Há um mês, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) investiu aproximadamente R$ 13 milhões nos 27 municípios que compõem a macrorregião de saúde Triângulo do Norte para que possam aumentar a cobertura vacinal, controlar e até mesmo erradicar doenças. São mais de R$ 8 milhões destinados para a incentivar as ações de imunização, em especial a vacinação fora das salas de vacina tradicionais (vacinação extramuros), e R$ 4.499.000,00 para a aquisição de onze veículos, os Vacimóveis, que vão levar a vacina até “onde o povo está”.

O Vacimóvel é uma van, adaptada para que seja um pequeno centro de vacinação itinerante, equipada com refrigeração, pia para higienização, cadeiras e mesas, além de armários e com toda estrutura adequada para que as equipes de vacinação realizem seu trabalho com eficiência e segurança.

Investimento Vacinação SES-MG no Triângulo do Norte

 

Onde vacinar no Triângulo do Norte

Há 19 vacinas disponibilizadas na rotina pelo SUS, cuja proteção inicia ainda nos recém-nascidos, podendo se estender por toda a vida. As pessoas, de qualquer idade, podem procurar as salas de vacina nas Unidades de Saúde dos municípios.

No Crie são vacinadas as pessoas com condições clínicas especiais, como os pacientes renais crônicos, transplantados, pacientes em tratamento oncológico e pessoas vivendo com HIV (PVHIV). O paciente precisa ter um encaminhamento médico, podendo ser tanto pelo SUS quanto particular, atestando a necessidade de receber aquela vacina específica.  Se a pessoa for residente de Uberlândia, ela pode procurar, de maneira espontânea – sem necessidade de agendamento, o Crie nos dias úteis, das 7h30 às 16h, no Ambulatório Herbert de Souza, que fica na Rua Avelino Jorge Nascimento, nº 15, bairro Presidente Roosevelt. Sendo residente de outro município, o atendimento ocorre por demanda espontânea diretamente no Crie macrorregional ou via agendamento pela Secretaria Municipal de Saúde.

Autor: Lilian Cunha / Foto e infográfico: Clara Fonseca

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