Assistência em Álcool e Drogas em foco na ESP-MG

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Nessa segunda-feira, (04/04), aconteceu na Escola de Saúde Pública do Estado de Minas Gerais (ESP-MG) a aula inaugural da Especialização Lato-Sensu Atenção a Usuários de Drogas no Sistema Único de Saúde. Essa turma abrange 40 alunos que atuam em diferentes pontos da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) de 22 munícipios mineiros

O curso, que tem financiamento do Ministério da Saúde é realizado com o apoio da Coordenação Estadual de Saúde Mental, da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) e tem como objetivo contribuir para a formação dos trabalhadores do SUS que atuam no campo da Saúde Mental.

O evento contou com uma roda de conversa recebeu Humberto Verona, da Coordenação estadual de Saúde Mental da SES-MG, Lu Machado, Conselheira Estadual de Saúde, Olga Aquino, da Frente Mineira sobre Drogas e Direitos Humanos, Rodrigo Machado, Assessor da Diretoria da ESP-MG e Ana Regina Machado, Coordenadora do curso da ESP-MG.

A ESP-MG e a Saúde Mental tem uma forte sinergia, tendo a Escola participação desde o início da Reforma Psiquiátrica. Para a Coordenadora da Especialização, Ana Regina Machado, “a demanda de Álcool e Drogas está presente em diversas ações educacionais da Escola, como na Residência Multiprofissional de Saúde Mental, na Oficina de Educação Popular em Saúde Mental do MST, Oficina sobre a RAPS, Oficina de Atenção as adolescentes Usuários de Drogas e agora também com essa Especialização”.

Representando a Frente Mineira sobre Drogas e Direitos Humanos, Olga Aquino, ressaltou que o trabalho proposto pela Frente vem de encontro à proposta de cuidado do SUS propagada pela Escola e busca trazer para o público um debate pautado no respeito e autonomia do sujeito, para que ele mesmo possa construir alternativas para sua vida. Para ela, essa Especialização é necessária para a sociedade ampliar mais esse debate. “A Educação Permanente é uma estratégia excelente, pois assim é possível a construção de novas práticas em saúde e ampliação do debate”, afirmou ela.

A Coordenação Estadual de Saúde Mental da SES-MG trouxe para a pauta o desafio dessa turma perante esse fenômeno social do usuário de drogas. Em nome da Coordenação Estadual de saúde Mental da SES-MG. “Atualmente, centenas de milhares de usuários que antes viviam confinados nos hospícios, tem a oportunidade de ser cuidado com respeito aos seus direitos. Mas, o que tem acontecido é o usuário de drogas ocupando o lugar social de quem deve ser recolhido da cena do cotidiano. E é esse enfrentamento que temos que fazer para que consigamos convencer a sociedade e todos aqueles que tentam dizer que o caminho é o da reclusão. Temos que mostrar esse outro modelo existente. O SUS acredita nessa outra forma de cuidar das pessoas”, refletiu Humberto Verona.

E é exatamente essa reflexão que a ESP-MG propõe nesse curso. Durante a Especialização, os alunos terão oportunidades de debater, dividir os saberes e assim construir novas possibilidades e avançar nas práticas de atenção ao usuário de drogas, a partir dos princípios e diretrizes da redução de danos, da Reforma Psquiátrica e do SUS.

Lu Machado, Conselheira Estadual de Saúde lembrou que “o maior problema de saúde pública mundial atualmente é o álcool, que também é a segunda maior causa de internação no SUS. Assim, faz-se necessário trabalhar a partir do princípio da redução de danos, de forma a fortalecer o SUS”, reforçou.

Estiveram presentes no evento representantes do Conselho Estadual de Enfermagem e Centro Mineiro de Toxicomania. 

Superando estigmas

Após a roda de conversa, os alunos tiveram a primeira aula da Especialização com a temática “Superar estigmas e repensar as representações sociais dos usuários de drogas: desafio cotidianos”. A aula foi ministrada por Francisco Cordeiro, que foi Consultor de Saúde Mental na OPAS/OMS, no Brasil entre 2012 e 2016. Ele discorreu sobre a questão das representações sociais, os estigmas relacionados às pessoas usuárias de drogas, que em alguns momentos deixam de chegar no serviço de saúde. “Essa é uma oportunidade importante para que os trabalhadores dos serviços e da gestão possam conversar sobre esse atendimento e cuidado, e minimizar os efeitos das representações sociais desfavoráveis ou negativa, construindo um SUS cada vez mais forte e adequado para esses usuários”, propôs ele.

“Iniciativas como essa, de formação de profissionais de saúde mental para questão de álcool e drogas, é muito relevante porque é uma problemática que tem sido bastante presente no SUS e a ESP-MG tem o papel importante de formar pessoas e apoiar esse aperfeiçoamento e o SUS também precisa disso”, finalizou Francisco.

Autor: Ricarda Caiafa

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