O município de São João do Pacuí, que desde outubro de 2022 está sediando pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com apoio da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), para identificar os vetores que estão causando o aumento dos casos de leishmaniose tegumentar, sediou, na quarta-feira, 26 de abril, uma série de eventos voltados para mobilizar estudantes e população em geral quanto à prevenção da doença. Sob coordenação da secretária municipal de saúde, Ana Clara Antunes Bastos, as referências técnicas da Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Montes Claros, Arlete Gonçalves Lisboa e Bartolomeu Teixeira Lopes, conduziram palestras e debates no auditório da Câmara Municipal sobre leishmaniose visceral e tegumentar, abordando principalmente as formas de prevenção.
A mobilização dos estudantes na Escola Estadual Jesuzinha Araújo Magalhães contou com a realização de exposição de trabalhos com foco na leishmaniose, além da participação do pesquisador do Instituto Renê Rachou, integrante da estrutura da Fiocruz em Minas Gerais, Edelberto Santos Dias. Ele é um dos profissionais que está atuando na implementação da pesquisa em São João do Pacuí, com previsão dos trabalhos serem concluídos em setembro deste ano.
Durante um ano os pesquisadores estão realizando o estudo entomológico de vetores. Uma vez por mês, durante três noites consecutivas, profissionais de saúde do município fazem a captura de mosquitos e, após triagem, os encaminham para serem analisados no laboratório da Fiocruz, em Belo Horizonte.
Periodicamente os pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz e referências técnicas da SRS Montes Claros retornam ao município para apresentar os resultados preliminares dos estudos e, ao final de um ano, definirão quais meses são os mais apropriados para a realização de ações de eliminação de vetores, com a utilização de inseticidas.
As referências técnicas da SRS, Arlete Lisboa e Bartolomeu Lopes, avaliam que “as mobilizações da população para ações de prevenção contra a leishmaniose são fundamentais para que o município consiga controlar a transmissão da doença. Quando o trabalho envolve os estudantes, a difusão de informações contribui para atingir todos os segmentos da sociedade, além de despertar o interesse de crianças e adolescentes no estudo do tema”, ressaltam as referências técnicas.
A doença
Insetos do gênero Lutzomyia, conhecidos popularmente como mosquito palha, tatuquira e birigui, são os principais vetores da leishmaniose tegumentar. Os animais domésticos são hospedeiros acidentais da doença, sem, no entanto, transmiti-la para as pessoas.
O período de incubação da doença é, em média, de dois a três meses, porém pode apresentar períodos mais curtos de duas semanas, ou mais longos, de dois anos.
O surgimento de lesões indolores na pele ou mucosas (nariz, boca e garganta) é a principal característica de manifestação da doença. O diagnóstico é realizado por meio de exames laboratoriais e o tratamento é oferecido à população por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).
Autor: Pedro Ricardo