Regional de Saúde de Ponte Nova atualiza médicos do município sobre profilaxia da raiva

Créditos: Graziele Dias

O Núcleo de Vigilância Epidemiológica (Nuvepi) da Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Ponte Nova promoveu, em 14/6, no auditório da Secretaria Municipal de Saúde de Ponte Nova, uma reunião técnica acerca das alterações recentes em relação à profilaxia da raiva humana. O público da atividade foram os médicos locais que atuam na rede do Sistema Único de Saúde (SUS). O conteúdo foi embasado na Nota Técnica (NT) nº8/2022-CGZV/DEIDT/SVS/MS, de março de 2022, do Ministério da Saúde (MS), e repassado aos presentes pelas referências técnicas do Nuvepi, Graziele Menezes Ferreira Dias e Thiany Silva Oliveira.

A raiva é uma doença infecciosa viral aguda que acomete mamíferos, inclusive o ser humano, caracterizando-se como uma encefalite progressiva com letalidade de aproximadamente 100%. É causada pelo vírus do gênero Lyssavirus, da família Rabhdoviridae, e é transmitida ao ser humano pela saliva de animais infectados, principalmente por meio da mordedura, podendo também ocorrer pela arranhadura e/ou lambedura. “Portanto, toda pessoa exposta ao risco de contrair o vírus da raiva humana deve ser tratada o mais rapidamente possível. O programa de profilaxia da raiva no Brasil disponibiliza a aplicação de vacina e de soro antirrábico em dois tipos de esquema: pré-exposição e pós-exposição, ambos gratuitos e disponíveis em toda rede do SUS”, esclareceu Graziele.

Conforme texto da nota técnica, desde 2015, os imunobiológicos antirrábicos humanos – vacina raiva inativada (VR [inativada]), Soro Antirrábico (SAR) e Imunoglobulina Humana Antirrábica (IGHAR) – têm sido disponibilizados parcialmente ao MS, em função da queda mundial de produção desses insumos. Somam-se a isso as novas adequações da indústria farmacêutica para atendimento às Boas Práticas de Fabricação exigidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o que gera reprogramações das entregas e consequentes atrasos na distribuição, além da mudança do perfil epidemiológico da raiva no Brasil na última década, com maior registro de casos de raiva humana causada por animais silvestres em detrimento da transmissão por cães. Assim, as alterações foram realizadas no sentido de reduzir o uso desnecessário de imunobiológicos quando o animal for cão ou gato e passível de observação, ampliando o uso de esquema completo (soro e vacina) nas agressões por qualquer mamífero silvestre.

“Considerando a patogenia da raiva em cães e gatos e o período de transmissibilidade, amplamente conhecido nessas espécies, é possível lançar mão da observação do animal de forma segura. Caso o animal venha a óbito, desapareça ou fique doente durante esse período, o tratamento na pessoa agredida pode ser iniciado ainda em tempo”, explicou. Quanto aos acidentes com animais de produção, Graziele esclareceu que é necessário observar a classificação quanto à gravidade e indicar o tratamento adequado, conforme protocolo. Já os acidentes com animais silvestres requerem o tratamento completo com soro e vacinação, independentemente da gravidade do ocorrido.

A nova nota NT foi embasada em evidências científicas e aprovada conforme recomendação da Câmara Técnica Assessora em Imunização e Doenças Transmissíveis (CTAIDT), ficando preconizado que os serviços de saúde adotem as recomendações para a correta indicação de profilaxia da raiva humana.

Imunobiológicos Especiais

Por sua vez, a referência técnica em Imunização do Nuvepi, Thiany Silva Oliveira, aproveitou a oportunidade para apresentar os principais imunobiológicos do Centro de Referência de Imunobiológicos Especiais (CRIE), discutindo com os profissionais médicos situações que devem ser consideradas para que se evite atraso na avaliação das solicitações. Entre elas, destacou a clareza no texto clínico e a conformidade com as recomendações do MS e o histórico vacinal. “Sabemos que muitas situações ficam restritas aos consultórios médicos e não chegam até as salas de vacina. Mas, a cada dia, aumentamos o acesso de pessoas com necessidades aos imunobiológicos especiais, sendo muito rico o envolvimento da equipe médica nesse processo”, frisou.

 

Autor: Tarsis Murad

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