Reconhecida como importante causa de morbimortalidade no Brasil, as Doenças Diarreicas Agudas (DDA) mantêm relação direta com as precárias condições de vida e saúde dos indivíduos, sendo consequência da falta de saneamento básico, da desnutrição crônica, entre outros fatores. Diante disso, a Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Ponte Nova, por meio do Núcleo de Vigilância Epidemiológica (Nuvepi), elaborou uma série de orientações destinadas aos coordenadores e técnicos municipais da área de Epidemiologia visando a monitorização das DDA e a investigação de surtos das Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar (DTHA).
Segundo a referência técnica do Nuvepi, Graziele Menezes Ferreira Dias, é necessário que os municípios informem, semanalmente, a ocorrência de episódios no Sistema de Informações de Vigilância Epidemiológica – Doenças Diarréicas Agudas (Sivep-DDA). “Muitos deles estão silenciosos, o que não quer dizer que não haja casos, mas sim falta de preenchimento. Por isso, precisamos trabalhar o tema mais a fundo, reforçando a necessidade de monitorização periódica a fim de detectar precocemente a ocorrência de surtos, desencadeando ações em tempo oportuno”, salientou.
A transmissão da diarreia se faz, principalmente, por meio da água e alimentos contaminados pelas mãos de doentes ou pessoas que, mesmo sem apresentarem a doença, estão eliminando micro-organismos nas fezes. Além disso, objetos contaminados levados à boca, como chupetas, mamadeiras, brinquedos e outros podem causar doenças diarreicas. Vale salientar que o ser humano, os animais e os alimentos são reservatórios de agentes etiológicos que causam diarreia, cuja transmissão pode se dar pela via fecal-oral de forma direta (mãos contaminadas) ou indireta (alimentos, água e utensílios contaminados).
A ocorrência de casos de diarreia acima do esperado pode configurar surto de DTHA, sendo a monitorização das diarreias agudas fundamental para a sua identificação. “Importante lembrar que a ocorrência e a distribuição dos surtos não se dão por acaso. Existem fatores determinantes ou condicionantes que precisam ser conhecidos para, então, serem eliminados, reduzidos ou neutralizados. Nos surtos, os caracteres pessoa, tempo e espaço são muito bem definidos”, explicou Graziele.
A referência citou, também, os principais papéis da Vigilância em Saúde quanto às doenças diarreicas e os surtos alimentares: conhecer o comportamento das diarreias na população; detectar, intervir, prevenir e controlar surtos; identificar os locais, alimentos e os agentes etiológicos mais envolvidos em surtos; identificar e disponibilizar subsídios científicos para definição de medidas de prevenção e controle; e desenvolver atividades de educação continuada para profissionais de saúde, produtores de alimentos e prestadores de serviços de alimentação e consumidores.
Por fim, Graziele Dias explanou sobre o fluxo de notificação e investigação em caso de surtos, com reforço às contribuições da Vigilância Epidemiológica, Sanitária e da Assistência. “Atuar de forma preventiva e em tempo oportuno, visando a redução do número de casos de DDA, bem como a elucidação dos elementos envolvidos nos surtos, é um papel da Saúde como um todo”.
Autor: Tarsis Murad