A Coordenação de Atenção à Saúde (CAS) da Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Ponte Nova promoveu reunião, dia 24 de março, para discutir o redesenho da Rede de Saúde Mental (Rede de Atenção Psicossocial – RAPS) no território, que engloba as microrregiões de Saúde de Ponte Nova e Viçosa. Participaram do encontro gestores de Saúde e referências municipais em Saúde Mental que, juntamente aos técnicos da SRS, estão trabalhando na elaboração de um diagnóstico que subsidiará a construção do Plano de Ação Regional da Saúde Mental, que deverá ser entregue até maio de 2022. Como forma de fortalecer ainda mais a RAPS, além do documento regional cada município deverá elaborar seu respectivo plano de ação com as particularidades locais.
“O diagnóstico da rede nos permite conhecer seus componentes e identificar o que é necessário para fortalecê-la. Estamos em um momento muito importante pois, com a pandemia do novo coronavírus, a questão da saúde mental se agudizou, o que exige que trabalhemos com mais intensidade e mais dedicação em prol da Política Estadual de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas”, enfatizou a referência técnica da CAS, Karen de Fátima Ségala.
De acordo com a superintendente da SRS, Josy Duarte Faria Fialho, o encontro foi muito propício por permitir visualizar a Rede de Saúde Mental como está hoje. “Com base na realidade atual é possível construirmos um novo desenho, certos de que essa rede não é algo pronto e fechado, mas sempre passível de modificações em prol da melhoria da assistência desse público”, frisou.
Karen prosseguiu com a proposta oriunda da diretoria de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas da Secretaria de Estado de Minas Gerais (SES-MG) quanto à revisão do Plano de Ação, que tem como objetivo construir uma rede mais próxima da realidade da região no sentido de cobrir os vazios assistenciais existentes desde a última pactuação, ocorrida em 2018. Dentre os vazios citados, Karen Ségala mencionou os Centros de Convivência e Cultura na Atenção Primária, os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS I), os Centros de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil (CAPS-i) e os Serviços de Residência Terapêutica.
Segundo ela, a melhoria dessa assistência e a integralidade do cuidado deve envolver todos os pontos de atenção: Atenção Primária, Atenção Secundária e Atenção Hospitalar, levando-se sempre em conta a questão da desinstitucionalização, em consonância com o que preconiza a luta antimanicomial.
A coordenadora da CAS, Saskia Maria Albuquerque Drumond, destacou que o cuidado em Saúde Mental deverá ocorrer a partir do reconhecimento de necessidades no território. ”Deve ser reforçado o aspecto da Política Estadual que defende a estratégia de redução de danos como ferramenta complementar ao cuidado, diminuindo vulnerabilidades de risco social, individual e comunitária decorrentes do uso, abuso e dependência de drogas.
Conferências
Também foi pauta do encontro a realização das Conferências de Saúde Mental em todas as suas etapas – Municipal, Estadual e Nacional, momento conduzido pela estagiária da CAS, Ana Paula da Silveira Nunes. “As etapas municipais poderão ser realizadas até o dia 24 de abril de 2022. Nestas ocasiões, os municípios devem contemplar a participação dos usuários da RAPS e dos profissionais integrantes da rede para discutirem o eixo principal e os subeixos propostos”, enfatizou.
O tema de 2022 é Fortalecer e garantir Políticas Públicas: o SUS, o cuidado de saúde mental em liberdade e o respeito aos Direitos Humanos. “É urgente que trabalhemos essa organização para fortalecer e consolidar a rede, já que a última conferência ocorreu em 2010”, completou.
Autor: Tarsis Murad