Regional de Saúde de Itabira promove reunião virtual sobre a campanha de vacinação antirrábica animal 2020

P 20200522 151912

Referências técnicas de Epidemiologia/Zoonoses dos municípios que fazem parte da jurisdição da Regional de Saúde de Itabira participaram, nessa sexta-feira (5/6), de videoconferência sobre a organização da Campanha de Vacinação Antirrábica de 2020. O encontro, que foi organizado pela equipe de Vigilância Epidemiológica da Regional de Saúde de Itabira (VE-GRS Itabira), teve como objetivo apresentar o cenário epidemiológico da raiva, esclarecimento de dúvidas e programação municipal para realização da campanha.

O encontro contou com a abertura da coordenadora de Vigilância Epidemiológica da Regional de Saúde de Itabira, Aline Graziele Fernandes Martins da Costa, que iniciou cumprimentando os participantes e falando dos objetivos da videoconferência. Na ocasião, a referência técnica regional de Vigilância em Saúde, Marcelo Barbosa Motta, falou sobre o cenário epidemiológico de controle da raiva nos últimos anos. “Cerca de 300 pessoas por dia estão expostas ao vírus da raiva. Os acidentes são muitos. São realizados no mundo 10 milhões de profilaxias, por ano, após exposições e acidentes com animais que podem transmitir a doença. Nas Américas, os gastos giram em torno de U$ 40 milhões de dólares/ano, com 2,5 milhões de doses de vacina contra a raiva humana e cerca de 45 milhões de doses contra a raiva animal, além de aplicação de soros e outros procedimentos. No Brasil, em dados de 2015, foram gastos recursos públicos de aproximadamente R$ 80 milhões com a campanha antirrábica em todo o País. O controle da raiva canina custou R$ 36 milhões e cerca de R$ 42 milhões foram gastos com soros e imunobiológicos humanos, além de R$ 200 mi, com cada dois tratamentos humanos, principalmente na compra do insumo biopterina”, contabiliza.

Campanha Antirrábica 2020

Ao abordar sobre a vacina, a referência técnica informou que a previsão de chegada da imunização para distribuição aos municípios deve acontecer no princípio de agosto. E, este ano, a vacinação dos animais tem uma nova característica, pois em virtude da pandemia da Covid-19 os vacinadores devem utilizar equipamentos de proteção individual específicos e organizar as filas evitando a aglomeração de pessoas que irão levar seus animais para vacinar no dia da campanha. A previsão de cobertura determinada é alcançar mais de 80% da população de animais (cães e gatos), embora ainda não seja uma informação oficial.

Ainda, segundo Motta, os municípios deverão fazer sua programação anual e enviá-la à Zoonoses da regional de Itabira até o dia 30 de junho com número de vacinas necessárias, insumos, e forma de execução da Campanha, como veículos, divulgação da campanha, os locais e horários de vacinação, métodos de conservação e armazenamento da vacina, entre outros. “Acreditamos que a Campanha só deverá acontecer após a contenção da Covid-19 para que a população também esteja protegida da doença transmitida pelo coronavírus. Estaremos à disposição de todos os municípios para auxiliá-los neste processo de trabalho que todos os anos fazemos com muito empenho e sucesso, mas que em 2020 terá características diferenciadas de execução. Os municípios têm liberdade de organizar sua campanha de acordo com cada realidade local, observada a segurança da população. Além disso, o Ofício Circular 66/20, do Ministério da Saúde, recomenda que os municípios avaliem a possibilidade de prorrogação da campanha, caso seja necessário”, finalizou.

Raiva humana

A taxa de letalidade da raiva humana (número de óbitos) é de cerca de 100% devido à gravidade da doença. Raramente alguém que tenha contraído a doença sobrevive, e se esta situação acontece a pessoa terá sequelas neurológicas muitos graves e irreversíveis. É uma doença infecciosa viral aguda, que acomete mamíferos, inclusive o homem, e se caracteriza como uma encefalite progressiva e aguda causada pelo vírus do gênero Lyssavírus. É transmitida ao homem pela saliva de animais infectados por meio de lambedura, mordedura ou arranhadura desses animais, e ainda, por inalação acidental em laboratório e contato direto com secreções. Após o período de incubação do vírus, variável entre as espécies, desde dias até anos, com uma média de 45 dias no homem, mais curto em crianças, a doença pode ter como sintomas: mal-estar geral, febre, anorexia, cefaleia, náuseas, dor de garganta, irritabilidade, inquietude, sensação de angústia, além de delírios e espasmos musculares e/ou convulsões, paralisias cardiorrespiratórias e fotofobias, insuficiência renal entre outras complicações graves da doença.

O diagnóstico da raiva se faz por confirmação laboratorial além de sinais e sintomas característico da raiva apresentados. Os animais que mais transmitem a doença são por ordem de incidência: cães, gatos, morcegos hematófagos, primatas, raposas, saguis, gatos selvagens e herbívoros. A doença é imunoprevinível, de alto custo social e econômico e extremamente letal.

Autor: Darliéte Martins

Rolar para cima