Montes Claros mobiliza sociedade para a luta contra a Aids

Foto: Pedro Ricardo

A distribuição de material informativo e a realização de testes rápidos para identificação de pessoas portadoras de HIV, hepatite e sífilis marcaram as celebrações do Dia Mundial de Luta contra a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (Aids), nesta terça-feira, 1/12, em Montes Claros. A Superintendência Regional de Saúde de Montes Claros (SRS) e o Hospital Universitário Clemente de Faria, com apoio do 55º Batalhão de Infantaria do Exército (55º BI), montaram stand na entrada do estabelecimento de saúde onde dezenas de pessoas tiveram a oportunidade de obter orientações a respeito da prevenção e tratamento da Aids.

Durante as atividades, estudantes de medicina e enfermagem ajudaram a distribuir materiais informativos da campanha desenvolvida pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) tendo como tema “Aids: não dá para adivinhar quem tem. A melhor atitude é usar camisinha sempre”.

O Dia Mundial de Luta contra a Aids também contou com a participação do Grupo de Apoio à Prevenção e aos Portadores de Aids (Grappa) e do Movimento Gay das Gerais, com a distribuição de materiais informativos em semáforos nas principais vias de circulação da cidade. Já no Centro de Especialização de Doenças Infecciosas, sediado no bairro São João, durante todo o dia foram realizados testes rápidos para detecção ou não de portadores de HIV, sífilis e hepatites.

Campanha

Com 310 casos de Aids notificados em Montes Claros e 705 pessoas em tratamento da doença no Norte de Minas, a coordenadora de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST/Aids) do Hospital Universitário Clemente de Faria, Maria da Salete Mendonça destaca a importância das parcerias firmadas pela unidade de saúde com a SRS de Montes Claros, Grappa e 55º BI levando-se em conta a necessidade dos serviços de saúde e da sociedade civil organizada intensificar as campanhas de prevenção contra a Aids.

A coordenadora frisa que nos últimos anos tem sido detectado o avanço da doença principalmente entre os jovens e, por isso, “é necessário que as campanhas de prevenção sejam implementadas com mais ênfase envolvendo não só os meios de comunicação, mas também, as diversas organizações da sociedade civil”.

No Norte de Minas, o Hospital Universitário Clemente de Faria é uma das principais referências no acolhimento e tratamento de pessoas portadoras do vírus HIV, aliado ao trabalho que também é prestado pelo Centro de Testagem e Aconselhamento de Montes Claros. Por esse motivo Salete Mendonça adverte que além do aumento do número de casos de jovens acometidos pela Aids verifica-se também o aumento do número de pacientes que abandonam o tratamento, embora o fornecimento de medicamentos por parte do serviço público de saúde esteja ocorrendo normalmente.

“Estamos trabalhando no sentido de fazermos um acompanhamento mais de perto dos pacientes, pois a manutenção do tratamento é fundamental para evitar o aumento dos óbitos” – observa a coordenadora.

A técnica em enfermagem, Glória Mourão, que integra equipe de trabalho que desenvolve várias atividades de apoio e assistência a cerca de 370 moradores de rua em Montes Claros, entende que a campanha de prevenção contra a Aids é fundamental para evitar o avanço da doença no Norte de Minas. Ao receber preservativos e material informativo da campanha desenvolvida pela SES-MG, Glória Mourão destacou que a equipe está aberta para a realização de atividades em parceria com a Superintendência Regional de Saúde de Montes Claros e com Hospital Universitário, visando a implementação de ações voltadas à promoção da saúde.

Por sua vez a referência técnica em DST/Aids na SRS Montes Claros, Arlete Lisboa observa que o fortalecimento de parcerias com o Hospital Universitário, Grappa, Movimento Gay das Gerais, 55º BI e instituições de ensino que ministram cursos na área da saúde são fundamentais para que as campanhas de prevenção à Aids e as voltadas para a promoção da saúde cheguem ao conhecimento da população e proporcionem benefícios a todos os segmentos da sociedade.

A doença

O HIV é a sigla em inglês do vírus da imunodeficiência humana. Causador da Aids, o vírus ataca o sistema imunológico responsável por defender o organismo de doenças. As células mais atingidas são os linfócitos T CD4+ e é alterando o DNA dessa célula que o HIV faz cópias de si mesmo. Depois de se multiplicar, rompe os linfócitos em busca de outros para continuar a infecção.

A Aids é o estágio mais avançado da doença que ataca o sistema imunológico. A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, como também é chamada, é causada pelo HIV. Como esse vírus ataca as células de defesa do nosso corpo, o organismo fica mais vulnerável a diversas doenças, de um simples resfriado a infecções mais graves como tuberculose ou câncer. O próprio tratamento dessas doenças fica prejudicado.

Autor: Pedro Ricardo

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