SAMU Macro Norte comemora cinco anos de regionalização

Neste mês de dezembro, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) está completando cinco anos de regionalização no Norte de Minas Gerais. O serviço foi instalado em 2006 para atender a população do município de Montes Claros, e a partir da implantação da Rede de Urgência e Emergência pela Secretaria de Saúde de Minas Gerais, em dezembro de 2008, incorporou nova estrutura e foi estendido a 86 municípios norte-mineiros, assistindo uma população de mais de um milhão de meio de pessoas.

Mantido de forma compartilhada pela União, Estado e municípios, o Samu Macro Norte é gerenciado pelo Consórcio Intermunicipal da Rede de Urgência do Norte de Minas (Cisrun), que é responsável por dar suporte infraestrutural às 36 bases descentralizadas, além do Complexo Regulador Macrorregional, em Montes Claros, onde fica a central de regulação do Samu.

O presidente do Cisrun e prefeito de Bocaiuva, Ricardo Afonso Veloso, destaca que a região apresenta alguns elementos dificultadores, como as condições geográficas, a baixa densidade populacional e a distância entre os municípios, e que a manutenção do serviço só é possível graças à parceria solidária entre os entes federados e à dedicação e competência da equipe técnica. “O comprometimento dos prefeitos dos 86 municípios consorciados e a atenção especial do Governo de Minas na coordenação do serviço mantém o Samu com a estrutura atualizada e em conformidade com as necessidades da região para que possa realizar o atendimento com a competência e tempestividade necessárias”, avalia o prefeito.

Segundo Ricardo, enquanto em muitas regiões do país as ambulâncias do Samu estão paradas por falta de efetivação do serviço, no Norte de Minas todas as unidades estão em pleno funcionamento, com sistema de rastreamento via satélite e celular, e telemetria para gestão dos dados.

Atendimentos

O Samu recebe uma média de 35 mil chamados por mês, o que representa mais de 400 mil chamados por ano. Desses chamados, 28% são ligações de brincadeira, o que compromete seriamente o atendimento a quem realmente precisa do serviço.

Por outro lado, 12% dos chamados são resolvidos por orientação da regulação médica, sem necessidade de envio de unidade ao local, e 20% dos atendimentos realizados são resolvidos pela unidade no local, sem que o paciente necessite ser encaminhado a uma unidade de saúde, impactando positivamente em toda a rede e proporcionando mais qualidade de vida para os usuários do Sistema Único de Saúde.

O Samu realiza um atendimento a cada 12 minutos, sendo 30% em decorrência de acidente de trânsito, o que representa mais de mil atendimentos a vítimas de acidentes por mês. Mas a maior causa de acionamento do serviço é clínica, respondendo por 60% dos atendimentos.

O coordenador médico do Samu, Enius Freire Versiani, destaca que a parceria entre o Samu e o Corpo de Bombeiros também foi um importante passo para a gestão do atendimento pré-hospitalar na região. “A sinergia entre as equipes e a otimização da utilização dos recursos deu às duas corporações um fôlego novo e mais qualificação para lidar, no caso do Samu, com situações envolvendo materiais perigosos e zonas quentes e, no caso dos bombeiros, de prestar assistência à saúde. O maior benefício dessa parceria, sem dúvida, foi para a população, que conta com um atendimento mais completo, seja acionando o 192 ou o 193”, avalia o médico.

Rede

O projeto de implantação da Rede de Urgência e Emergência no Norte de Minas foi a primeira experiência do país e serviu de modelo para as demais regiões do Estado e algumas experiências em outros estados e em outros países. “Foi um trabalho feito com muita ousadia e coragem. Historicamente, o Norte de Minas é considerado uma região socialmente vulnerável, mas, ao mesmo tempo, por uma atuação forte na saúde pública, e por esse motivo a Secretaria de Estado de Saúde escolheu implantar o projeto de forma pioneira na região. Foram muitas reuniões para convencer os gestores da viabilidade do projeto, muitas oficinas conduzidas diretamente pelo secretário de Estado de Saúde e sua equipe técnica. O resultado foi surpreendente e pode ser verificado com a redução de mais de 1000 mortes por causas evitáveis na região já no primeiro ano de organização da Rede”, avalia Olívia Pereira de Loiola, superintendente regional de Saúde de Montes Claros.

De acordo com a superintendente, para implantação da Rede, além da regionalização do Samu, os hospitais microrregionais foram fortalecidos, foram implantados mais leitos de terapia intensiva na região e realizados vários cursos de capacitação para qualificar os profissionais para atuar no atendimento de urgência e emergência. “Outro importante diferencial da Rede foi a implantação do Protocolo de Manchester nos hospitais e unidades de saúde, que possibilitou o encaminhamento do paciente não para o local mais próximo, mas para o local adequado para o atendimento, facilitando o acesso e humanizando o serviço”, destaca Olívia.

Novos projetos

Em 2014, a Rede irá incorporar novos serviços, com a organização da Rede AVC e implantação da ultrassonografia portátil nas unidades de atendimento do Samu e nos hospitais da região, através do projeto Ecos dos Gerais, e de eletrocardiograma portátil, através do projeto Minas Telecárdio. Esses projetos vão dar mais agilidade e precisão no diagnóstico, através da telemedicina, melhorando o tempo resposta para atendimento de doenças como infarto no miocárdio e acidente vascular cerebral, cuja sobrevida do paciente depende fundamentalmente da tempestividade do atendimento, bem como na decisão de transferência pacientes graves entre os municípios.

Também está encaminhando o processo de unificação da central de regulação do Samu e do Corpo de Bombeiros, que passarão a regular os atendimentos em um mesmo espaço, no Complexo Regulador Macrorregional, em Montes Claros, atendendo aos chamados gerados de todos os 86 municípios integrados à Rede.

Autor: Jerúsia Arruda

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