Durante os dias 23 e 24 de maio, Belo Horizonte sedia mais uma oficina de trabalho do Programa de Valorização dos Profissionais da Atenção Básica (PROVAB), o maior programa de interiorização de médicos de país. Durante a solenidade de abertura das atividades que nesta edição envolve profissionais e lideranças de Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo, o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse que nos últimos 10 anos o Brasil acumulou uma carência de 54 mil médicos e, nos próximos dois anos, a curva deve aumentar com a criação de novas UPAS 24horas, UBS’s e hospitais que demandarão mais 26 mil novas vagas. “Precisamos levar mais médicos onde a população carente mais precisa. E para fixar esses profissionais vamos investir cada vez mais nas estruturas das unidades de saúde. Queremos oferecer médicos, mas também meios para que eles trabalhem com qualidade. Uma das formas de atrair médicos para o interior é possibilitar pontuação e promoção na carreira e na formação”, diz, destacando que não pode haver no Brasil, ‘tabu’ em relação à contratação de médicos estrangeiros, ação já comum em outros países. “A solução não é só trazer médicos estrangeiros. Mas isso é feito com sucesso em alguns países como Inglaterra e Canadá, que enfrentaram a dificuldade de levar médicos ao interior”.
Com este cenário, o Brasil tem 1,8 médico para cada mil brasileiros, índice abaixo de outros latino-americanos como Argentina (3,2) e México (2). Para igualar-se à média de 2,7 médicos por mil habitantes registrada na Inglaterra, em cujo sistema de saúde se inspirou o Sistema Único de Saúde (SUS), o Brasil precisaria ter hoje mais 168.424 médicos. Neste ano, a população de 333 municípios dos estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo recebeu 821 médicos a mais nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) – contingente que só deu conta de atender 32% da demanda por 2.519 por profissionais apresentada pelos municípios da região Sudeste. Nesta região, Minas Gerais é o estado com maior número de participantes: são quase 420 profissionais, distribuídos em 191 municípios.
O secretário de Estado de Saúde de Minas Gerais, Antônio Jorge de Souza Marques, representando o governador em exercício, Alberto Pinto Coelho e o Conselho Nacional de Secretários da Saúde (CONASS), disse que o programa foca em uma necessidade muito importante em Minas e no país que são os médicos para a atenção primária. “Mas essa é uma estratégia pontual, ela não esgota a questão. Saudamos a iniciativa, estamos fortalecendo junto aos municípios a adesão, porém precisamos trabalhar, Estado e União e municípios, as soluções definitivas sobre a difícil questão da fixação do profissional nessas localidades e isso se dará com criação de uma carreira pública, além de incentivos financeiros”.
Participou ainda da apresentação do balanço do Provab, o secretário Municipal de Saúde de Belo Horizonte, Marcelo Teixeira, o presidente do Colegiado dos Secretários Municipais de Saúde de Minas Gerais (COSEMS/MG),Mauro Junqueira, o secretário de Gestão Estratégica do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Mozart Salles, o secretário de Estado de Saúde do Rio de Janeiro, Sergio Luiz Côrtes, entre outras autoridades, associações e profissionais de saúde.
Autor: Guilherme Torres