Saúde e educação se unem contra a dengue em todo o estado

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É sabido que todo bom hábito é adquirido com educação. E por saberem bem disso, crianças e adolescentes de todo o estado, com apoio das escolas, estão se preocupando com a educação dos adultos para um problema sério: o perigo da dengue.

Conceição do Pará, município de pouco mais de cinco mil habitantes, no oeste de Minas, é uma destas cidades que está formando crianças e jovens como verdadeiros mobilizadores mirins contra o mosquito Aedes aegypti. Durante o começo do ano de 2013 os munícipes viveram uma situação crítica, um surto de dengue sem precedentes. Foram notificados quase 160 casos da doença em um período de três meses. “Foi terrível, quase todo mundo tinha algum conhecido que teve dengue ou estava sob a suspeita”, relatou a contadora de histórias e professora de história aposentada, Gislene Bicalho Resende Cabral.

Gislene e outras pessoas preocupadas em reverter a situação da dengue começaram a idealizar uma forma de alertar a população para a adoção de hábitos preventivos por meio dos alunos da rede de ensino local. Na Escola Estadual Doutor Isauro Epifânio, onde Gislene trabalha como contadora de histórias voluntária, foi desenvolvido um projeto para mesclar educação, atividades culturais e o combate à dengue para crianças de seis a 12 anos, na primeira etapa, e de 13 a 16 anos, na segunda etapa. “Todo ano temos um festival de atividades temáticas, então era muito importante que incluíssemos a dengue como tema principal”, disse a Diretora da Escola, Conceição de Fátima Chaves Campanha.

As ações se desenvolveram no formato de um verdadeiro festival cultural, que contou com narração de histórias, concursos de redação e paródias, apresentações teatrais, gincanas e uma passeata reunindo alunos, docentes e comunidade. Os professores utilizaram o Kit “Deu a louca no mundo da fantasia”, fornecido pela SES, para subsidiar algumas das ações, como as duas apresentações teatrais. “É surpreendente ver o envolvimento dos alunos com o tema da dengue, eles realmente abraçam a causa e conseguem transmitir isso para qualquer público”, afirmou Gislene. “Quando a cidade inteira viu todos aqueles jovens se articulando para lutar contra a dengue, tenho certeza que repercutiu para a mudança de atitude nos lares”, completou.

O efeito da irradiação das ações estudantis foi sentido em todos os setores da cidade. Na Igreja Católica, por exemplo, a paróquia, além de convidar os fiéis para a passeata, inseriu durante as missas comunicados e alertas para a prevenção ao mosquito vetor. Para Gislene, as ações devem buscar como foco a exposição de atitudes exemplares para a sociedade. “Quando os adultos veem que os próprios filhos estão lhes prestando um exemplo, as responsabilidades aumentam”, disse.

Boas práticas

Em Poço Fundo, município localizado no sudoeste mineiro, o modelo de plano de ação de combate à dengue foi semelhante ao de Conceição do Pará, os educadores apostaram nas crianças como multiplicadores da prevenção à doença.

Na Escola Dr. Lélio de Almeida, o supervisor pedagógico, Helton Mendes, e a professora do ensino fundamental, Edenilda Aparecida Dozza, perceberam que muitos criadouros se formavam pela cidade, mesmo com a rotina freqüente de visitação dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) às casas.  “Era hora de agir e sabíamos que tínhamos fortes aliados: as crianças”, disse Edenilda.

Para tanto, Helton e Edenilda criaram um projeto para promoção de atividades educativas de combate à dengue para crianças na faixa etária de oito a nove anos de idade. Assim nasceu a “Semana de combate à dengue”, realizada em março de 2013, que integrou palestras em sala de aula, apresentações teatrais dos próprios alunos, passeata escolar e uma gincana de visitação aos locais com presença de possíveis focos.

Apesar das ações terem sido demarcadas em uma semana simbólica, Edenilda ressalta que a intenção é trabalhar a prevenção à dengue o ano todo. “As amostras foram importantes para chamar atenção dos pais e de outras pessoas para a urgência de tomarmos uma atitude rápida, mas o tema da dengue será trabalhado com os alunos continuamente durante todo o ano”, disse.

Como característica de projetos de mobilização, a experiência de Poço Fundo confirma também a necessidade de relações sólidas de parceria. “Tivemos o apoio da Secretaria Municipal de Saúde, que se prontificou a passar as orientações na Escola por meio dos ACS e recebemos do Governo de Minas o kit ´Deu a louca no mundo da fantasia’”, explicou Edenilda.

Uma das apresentações teatrais de “Deu a louca no mundo da fantasia”, uma produção do Grupo de Teatro Saúde em Cena da SES-MG e adaptada pela Escola, você confere aqui :

Autor: Alexandre Ribeiro

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