Na sexta-feira (22/8) ocorreu, no teatro Atiaia, o seminário “Perspectiva de Gênero: um olhar necessário”, promovido pelo Grupo de Articulação da Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher (GAR), com apoio da Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Governador Valadares.
O evento reuniu palestrantes de diversas áreas – entre eles uma delegada de polícia, uma promotora de justiça e uma médica – com o objetivo de promover reflexões sobre a inserção da perspectiva de gênero nas práticas e estruturas das instituições públicas.
“A proposta foi mostrar que esse olhar é fundamental para compreender e enfrentar desigualdades e discriminações sofridas pelas mulheres em razão do gênero, alcançando não apenas o campo criminal, mas também áreas como saúde, educação, convivência social e cultura”, explicou Carla Salaro, coordenadora do GAR.
Realizado durante o Agosto Lilás, mês dedicado à conscientização sobre o enfrentamento à violência doméstica, o encontro trouxe resultados concretos. Entre eles, a assinatura de um protocolo com a Polícia Civil para dar maior celeridade a investigações relacionadas à violência doméstica. Também foram apresentados o aplicativo EVA – que está em desenvolvimento – para a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de Valadares, e uma campanha voltada aos hospitais do SUS para fortalecer a proteção às mulheres.
A promotora de justiça Denise Guerzoni, do Ministério Público de Minas Gerais, foi uma das palestrantes do seminário. “É preciso adotar um olhar de gênero em todas as áreas — saúde, educação, economia, política — em qualquer espaço onde esteja um cidadão, homem ou mulher, pois essa é uma questão de direitos humanos”, disse a promotora. “Quando se viola uma mulher, violam-se direitos humanos. A perspectiva de gênero é necessária para que possamos, enquanto sociedade, alcançar o patamar ideal da equidade de gênero”, completou.
Katiuscia Rodrigues, referência do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS) da SRS Governador Valadares, comentou sobre a vulnerabilidade feminina nos serviços de saúde. “A mulher tem um relacionamento mais intenso com o serviço de saúde e, justamente por ser mulher, é também mais frequentemente vítima de violência nesse contexto. Isso inclui a violência obstétrica, situações que expõem à violência psicológica, além de assédio moral e sexual ou do cerceamento de direitos garantidos por lei, como a interrupção legal da gestação. Muitas vezes, essas práticas são naturalizadas culturalmente e acabam impedindo que a mulher receba a devida atenção com integridade, respeito e ética”, disse.
O seminário contou com a presença de representantes da rede de proteção à mulher, profissionais da segurança pública, assistência social, saúde e estudantes universitários.
A vereadora e professora Gilsa Santos, que ocupa a Procuradoria da Mulher no Legislativo, enfatizou a relevância do encontro: “Estar aqui hoje é muito importante, porque pudemos conhecer mecanismos de proteção e garantia de direitos, mas, acima de tudo, de preservação da vida de cada mulher. Saímos com oportunidades de diminuir o feminicídio”.
Por Paula Andressa – estagiária sob supervisão
Foto: Geovana Ferreira