Nesta sexta-feira (25/4), a Superintendência Regional de Uberlândia recebeu a Força Estadual do Sistema Único de Saúde (SUS) para capacitar profissionais do Serviço de Atenção Especializada Ampliado (SAE-Ampliado). O objetivo é aprimorar o monitoramento dos Eventos Supostamente Atribuíveis à Vacinação ou Imunização (ESAVI) e garantir a segurança da população. Médicos e enfermeiros responsáveis pelo monitoramento dos casos adversos na região acompanham as ocorrências da macrorregião de Saúde Triângulo Norte.
Este é o primeiro encontro realizado na região. Segundo a coordenadora de Vigilância em Epidemiologia da SRS Uberlândia, Leila Caixeta Cunha, “hoje, além de capacitar os profissionais para a investigação, monitoramento e conclusão dos diagnósticos, queremos que a equipe do SAE-Ampliado replique o conhecimento com os demais municípios para melhorar os atendimentos”.
A enfermeira da Força Estadual do SUS, Alice Frugoli, explicou que as capacitações ocorrem mensalmente ou bimestralmente e são realizadas de forma simultânea em dez Unidades Regionais de Saúde (URS) do Estado. “A instrução dos profissionais do SAE-Ampliado não se concentra apenas nas vacinas, mas também em outros temas, como manejo clínico de doenças, incluindo tuberculose, leishmanioses e hanseníase, conforme a demanda da URS,” acrescentou.
O médico Roger Lopes, da Força Estadual do SUS, trouxe atualizações sobre as notificações de ESAVI, reforçando que as informações devem ser compulsórias e estar presentes em todos os setores, desde as Unidades de Pronto Atendimento até hospitais privados. “Os médicos e enfermeiros devem acompanhar o paciente constantemente, pois cada caso é uma forma de tratamento. Sabemos que nem sempre um ESAVI envolve a fabricação da vacina; pode ser algo relacionado ao indivíduo. Por isso, as notificações auxiliam na coleta de dados para classificar, diagnosticar e ampliar os estudos, melhorando os atendimentos à população,” declarou Lopes.

Durante a palestra, houve diálogos sobre o processo de notificação e as preocupações dos profissionais de municípios menores em relação ao preenchimento de formulários e à condução das investigações. Poliana Castro de Resende Bonati, coordenadora do Programa de Imunização de Uberlândia, ressaltou que os casos de ESAVI têm origens diversas e que “os profissionais que atuam na aplicação de vacinas e na investigação ficam extremamente preocupados; muitos têm receio de nos procurar”.
A coordenadora complemetou que “é crucial entender que ainda enfrentamos uma cultura de medo. Apoiar os profissionais fornecendo orientações de acompanhamento e entender enquanto gestão as causas dos processos de trabalho que geram o erro auxilia na redução dos ESAVI. Os motivos que já encontramos são profissionais que não tem perfil para sala de vacina, extensa jornada de trabalho, alta rotatividade e falta de capacitação”.
Por Vitória Caregnato – estagiária sob supervisão / Fotos: Vitória Caregnato