A Rede Fhemig é referência também pelo seu corpo médico, que atua com excelência nas mais variadas áreas de atendimento, o que pode ser explicado por ser uma das principais instituições do país na formação de médicos residentes em diversas especialidades, com o objetivo de qualificar profissionais para o SUS e atender às necessidades da população brasileira. Dois profissionais da Fhemig, de diferentes gerações e áreas de atuação, contam um pouco sobre sua história, seus desafios e suas expectativas, representando seus colegas neste Dia do Médico.

Por meio de um estágio acadêmico, o especialista em clínica médica Adebal de Andrade Filho encontrou no Hospital João XXIII (HJXXIII), em 1987, durante o oitavo período da faculdade de medicina, a oportunidade de trabalhar na área que mais o interessava: a toxicologia. Desde então, nunca mais deixou o hospital. Assim que se formou, em 1989, pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), iniciou a residência em clínica médica no hospital e, no último ano da especialização, retornou ao Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Minas Gerais (CIATox-MG) como plantonista, onde atua desde então, dando seguimento à consolidação do único serviço de Toxicologia do estado. Posteriormente, especializou-se em toxicologia médica pela Associação Médica Brasileira.

Para Andrade Filho, um momento singular de sua carreira, como médico do HJXXIII, foi o rompimento da barragem de Mariana, em 2015. “Foi um desastre que envolveu um número grande de vítimas expostas à lama, que a princípio não sabíamos do que se tratava. A situação exigiu um grande empenho de toda a equipe da toxicologia; principalmente, por se tratar de um fato inédito”, relembra o profissional. Segundo ele, foram mais de três dias de trabalho ininterrupto na busca de informações sobre a composição da lama e elaboração de protocolos para o atendimento. “Estávamos todos sob uma carga emocional muito intensa, compartilhando profundamente as angústias e sofrimentos com a comunidade, vítimas, familiares e socorristas”.

O médico, que chegou a ser diretor geral do HJXXII entre 2014 e 2015, foi um dos organizadores do livro “Toxicologia na Prática Clínica”, que padronizou o atendimento na CIATox-MG e possibilitou que outros serviços do Estado pudessem prestar assistência inicial às vítimas de intoxicação. “Até hoje, por meio de publicações técnicas e relatos de colegas, temos a satisfação de saber que nosso projeto é utilizado como referência em diversos serviços disseminados pelo país”, ressalta Adebal.

O CIATox-MG recebe cerca de 80 médicos residentes por ano e 240 acadêmicos, o que, para o coordenador, possibilita um aprendizado de mão dupla: “Tentamos passar um pouco da experiência acumulada ao longo deste tempo, para contribuir na construção do raciocínio clínico, no reconhecimento da necessidade de intervenções tempestivas e corretas nos casos de emergências, focando no melhor atendimento possível ao paciente, que deve estar sempre no centro de nossas atenções, mas também estamos constantemente aprendendo com eles”, afirma.

Em dezembro, o profissional completa 32 anos de formado, ainda com sonhos a serem realizados na medicina: “Meu desejo é o de prosseguir com o crescimento do serviço de toxicologia, mesmo com todos os desafios presentes”, conta ele.

Compreendendo o sistema público de saúde

A carreira de Celso Azevedo na Fhemig teve início em 2006, como residente em ortopedia e traumatologia no Hospital Amélia Lins (HMAL). Foi na própria unidade que o médico, formado em 2005 pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), realizou sua especialização em cirurgia do joelho, passando a compor a equipe de ortopedia e traumatologia da Fhemig. Desde 2020, o médico é coordenador geral da ortopedia do Complexo de Urgência e Emergência e diretor técnico do HMAL.

Na visão do ortopedista, pelo fato de o HMAL estar ligado a um dos mais tradicionais e importantes programas de residência médica em ortopedia e traumatologia, a instituição possui uma atuação muito pautada não apenas em assistência, mas também em formação. “Tento passar aos novos médicos a importância de se pensar de forma mais ampla e integral o cuidado ao paciente. Além disso, também procuro mostrar a eles como a gestão de processos se encontra em todos os níveis de atuação, e que sem esse conhecimento, fica mais difícil compreender a instituição, a Rede Fhemig, e o sistema público de saúde como um todo”, explica.

Mesmo tendo pouco tempo de carreira, Celso Azevedo já presenciou diversas histórias de superação de pacientes no HMAL; mas uma delas, ocorrida ainda em seus anos de residência, foi a que mais o marcou. “Recebemos um paciente encaminhado do interior do estado, com uma grave deformidade nos quadris. O paciente precisava de um apoio com os braços (um pedaço de pau, como se fosse uma muleta ou bengala) para se equilibrar, já que suas pernas ficavam constantemente abertas devido ao problema”.

Após passar por duas cirurgias, o paciente permaneceria internado na unidade para começar o processo de reabilitação. Porém, sua evolução foi muito mais rápida do que todos esperavam. “No primeiro dia de fisioterapia, ele conseguiu ficar de pé, e sem o uso de nenhum apoio extra. O paciente e a equipe assistencial se emocionaram muito com esse momento, com o resultado alcançado e principalmente com a melhoria na qualidade de vida proporcionada a ele”, relembra Azevedo.

Azevedo considera a experiência de trabalhar no SUS e na Rede Fhemig muito rica, não só pelo aprendizado, como também pelos desafios. “O principal deles é ofertar um serviço de extrema excelência em uma área de grande demanda e casos tão complexos, que é a ortopedia e traumatologia - mesmo com todas as dificuldades, contando sempre com a dedicação de toda a equipe multidisciplinar envolvida no processo”, avalia o médico.

Para Celso, ser médico representa a oportunidade e a responsabilidade, ao mesmo tempo, de poder atuar diariamente com um bem tão precioso quanto a vida e a saúde das pessoas e de seus familiares. “Trabalhar na área de saúde, seja na linha de frente da assistência ou nos ‘bastidores’ da gestão, exige dos profissionais dedicação, resiliência, muito estudo e amor pelo que se faz”, finaliza o profissional.

Por Anni Sieglitz (ASCOM Fhemig)

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