Vida Saudável

Como está a sua alimentação? E como está a alimentação das crianças da família?

Para orientar a população sobre como se alimentar de forma mais saudável e adequda o Ministério da Saúde já publicou dois Guias Alimentares:

Em consonância com o Ministério da Saúde, a Diretoria de Promoção à Saúde elaborou uma cartilha direcionada às famílias e cuidadores, com informações e orientações sobre a alimentação de crianças menores de 2 anos. Clique no link abaixo para ter acesso à cartilha na versão pdf:

ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL | Informações e orientações sobre a alimentação de crianças menores de 2 anos de idade

Leia também: Obesidade Infantil: prevenção e controle envolvem alimentação saudável, atividade física e brincadeiras sem dispositivos eletrônicos

Alimentação das crianças menores de 2 anos

Uma alimentação adequada e saudável deve ser feita com comida de verdade e começa com o aleitamento materno.

O aleitamento materno é a mais sábia estratégia natural de vínculo, afeto, proteção e nutrição para a criança e constitui a mais sensível, econômica e eficaz intervenção para redução da morbimortalidade infantil.

Aspectos Epidemiológicos

• No Brasil a mediana de aleitamento materno exclusivo (AME), ou seja, aquele sem a introdução de água, chás ou qualquer outro tipo de alimento cresceu de 23,4 dias em 1999 para 54,1 dias em 2008 (II Pesquisa de Prevalência de Aleitamento Materno nas Capitais Brasileiras e Distrito Federal, 2008);
• Já a mediana de aleitamento materno em crianças menores de 24 meses de idade passou de 9,8 meses (295,9 dias) em 1999 para 11,2 meses (341,6 dias) em 2008;
• Dados da Pesquisa Nacional de Saúde de 2013 mostram que a prevalência de aleitamento materno exclusivo entre crianças menores de 6 meses de idade no Brasil era de 36,6% e a prevalência de aleitamento materno em crianças menores de 24 meses de idade era de 52,1% em 2013;
• Esses dados têm demonstrado um crescimento exponencial na prevalência de aleitamento materno. Segundo a The Lancet, uma revista internacionalmente respeitada da área médica, o Brasil era considerado referência mundial em aleitamento materno (2016).
• Em relação a ingestão de alimentos ultraprocessados, esses começam a ser introduzidos já nos primeiros anos de vida: pesquisa realizada em 2016 demonstra que 32,3% das crianças menores de dois anos consumiram refrigerantes ou sucos artificiais e que 60,8% consumiram biscoitos, bolacha ou bolo.

Leite Materno e Amamentação

O leite materno é o alimento ideal para a criança, pois é totalmente adaptado às necessidades de seu organismo nos primeiros anos de vida, além disso a amamentação é fundamental para o desenvolvimento infantil e o estabelecimento de laços afetivos.

A recomendação atual é que a criança seja amamentada por 2 anos ou mais, e que nos primeiros 6 meses ela se alimente somente de leite materno. Nenhum outro tipo de alimento necessita ser dado ao bebê enquanto estiver em amamentação exclusiva: nem líquidos, como água, chá, suco ou outros leites; nem sólidos, como papinha e mingau. Mesmo em regiões secas e quentes, não é necessário oferecer água às crianças alimentadas somente com leite materno, pois ele possui toda a água necessária para a hidratação do bebê.

A oferta de outros alimentos antes dos 6 meses, além de desnecessária, pode ser prejudicial porque aumenta o risco de a criança ficar doente e pode prejudicar a absorção de nutrientes importantes existentes no leite materno, como o ferro e o zinco.

Lembre-se! Todo leite materno é adequado, não é fraco. Praticamente todas as mulheres tem capacidade de produzir leite suficiente para alimentar seu bebê.

- Por que amamentar é tão importante?
  • Porque faz bem à saúde da criança: O leite materno protege de infecções, como diarreia, pneumonia e otite e, caso a criança adoeça, a gravidade da doença tende a ser menor; previne algumas doenças no futuro, como asma, diabetes e obesidade; e favorece o desenvolvimento físico, cognitivo e emocional. Além disso, crianças amamentadas têm mais facilidade para aceitar novos alimentos. Por meio do leite materno, elas são apresentadas a diferentes sabores e odores, o que não ocorre com crianças alimentadas com outros leites, cujo sabor e cheiro não mudam.
  • Porque promove o vínculo afetivo: A amamentação é um ato de interação profunda entre a mulher e a criança, com muitas trocas, sendo geralmente prazeroso para ambas.
  • Porque faz bem à saúde da mulher: Amamentar auxilia na prevenção de algumas doenças da mulher, reduzindo as chances de desenvolver, no futuro, câncer de mama, de ovário e de endométrio e também diabetes tipo 2.
- Práticas que podem prejudicar a amamentação
  • Dar outros leites para “complementar” o leite materno – Isso faz com que a criança mame menos no peito, reduzindo o efeito protetor do leite materno contra doenças e causando diminuição na quantidade de leite produzido, além dos malefícios que esses leites podem provocar à saúde da criança.
  • Oferecer líquidos pela mamadeira – Isso confunde a criança, pois a maneira de sugar o peito e a mamadeira são diferentes. A criança pode acabar preferindo a mamadeira e recusar o peito.
  • Oferecer chupeta – Criança que usa chupeta tende a mamar menos tempo no peito.
  • Fumar durante a amamentação – As substâncias nocivas do cigarro, além de serem prejudiciais à mulher, passam para o leite materno.
  • Ingerir qualquer bebida alcoólica – O uso de álcool pela mulher é desaconselhado durante a amamentação, pois ele passa para o leite materno.

Alimentação Complementar Saudável

A partir dos 6 meses, além do leite materno, novos alimentos devem ser oferecidos à criança, apresentando-a um novo universo de cores, sabores, texturas e cheiros.
O Guia Alimentar para a População Brasileira classifica os alimentos em quatro grupos, conforme o tipo de processamento utilizado para sua fabricação:

Alimentos In natura ou minimamente processados – Os alimentos in natura são obtidos diretamente das plantas ou dos animais e não sofrem qualquer alteração após deixar a natureza. Os alimentos minimamente processados são alimentos in natura que sofreram alterações mínimas na indústria, como moagem, secagem, pasteurização, etc. Recomenda-se, que desde a infância, a maior parte dos alimentos consumidos diariamente sejam desse grupo. Exemplos: verduras, legumes, frutas, feijão, arroz, carne, peixe, frango e ovos.

Ingredientes culinários - São produtos usados para preparar as refeições. São fabricados pela indústria a partir de substâncias que existem em alimentos in natura. Usados com moderação, podem fazer parte das refeições à base de alimentos in natura ou minimamente processados. Como exemplo, podemos citar os óleos, gorduras, sal e açúcar.

Alimentos processados – São alimentos elaborados a partir de alimentos in natura, porém geralmente adicionados de sal ou de açúcar (ou outra substância de uso culinário) para durarem mais ou para permitir outras formas de consumo. Esses alimentos devem ser consumidos em pequenas quantidades por adultos. São exemplos desses alimentos: extrato ou concentrados de tomate (com sal e ou açúcar), frutas em calda ou cristalizadas, carne seca, sardinha e atum enlatados, queijos e pães feitos de farinha de trigo, leveduras, água e sal. Não são recomendados a oferta da maioria dos alimentos desse grupo, pelo excesso de açúcar ou sal, com exceção dos queijos e pães que podem ser ofertados a partir de 01 ano de idade.

Alimentos ultraprocessados - São produzidos pela indústria e levam muitos ingredientes, como sal, açúcar, óleos, gorduras e aditivos alimentares (corantes artificiais, conservantes, adoçantes, aromatizantes, realçadores de sabor, dentre outros ingredientes que não são utilizados em casa). Exemplos: biscoitos, sorvetes, balas e guloseimas em geral, salgadinhos “de pacote”, refrescos e refrigerantes, dentre outros. Os produtos desse grupo não devem fazer parte da alimentação da criança menor de 2 anos, devendo ser evitados, inclusive, por toda a família.

Principais recomendações do guia alimentar quanto ao tipo de processamento:
  • Os alimentos in natura e minimamente processados devem ser a base da alimentação da criança e de toda família.
  • Os alimentos ultraprocessados não devem ser oferecidos à criança e devem ser evitados pelos adultos. Em geral, contêm quantidades excessivas de calorias, sal, açúcar, gorduras e aditivos e poucas vitaminas e minerais.
  • Alimentos ultraprocessados comuns na alimentação da criança e que devem ser evitados.
  • Biscoitos e bolachas doces e salgados, simples ou com recheio – contêm muito açúcar, sal, gordura e aditivos químicos.
  • Cereais matinais açucarados – contêm muito açúcar e aditivos químicos.
  • Gelatina em pó – além de açúcar, contém muitos aditivos químicos, inclusive adoçantes, mesmo nas versões comuns (que não são light ou diet).
  • Geleia de mocotó – apesar de ter como um dos ingredientes “extrato proteico bovino”, a quantidade de proteína é muito pequena. Por outro lado, a quantidade de açúcar é muito alta. Meio pote do produto tem cerca de 30g de açúcar, o que equivale a mais de uma colher de sopa de açúcar.
  • Iogurte com sabores e tipo petit suisse – pode conter mais de 15 ingredientes, sendo muitos deles aditivos, como corantes, conservantes, adoçantes e estabilizantes.
  • Empanado de frango tipo nugget – contém aproximadamente 18 ingredientes e quantidades excessivas de sódio.
  • Macarrão instantâneo – contém quantidades excessivas de calorias, gordura e sódio.
  • Sorvetes industrializados – contêm mais de 15 ingredientes, dentre eles gordura vegetal, estabilizantes, emulsificantes, aromatizantes além de açúcar em grande quantidade.
  • Achocolatados – praticamente açúcar puro.
  • Leite fermentado – contém açúcar.
  • Farinhas de cereais instantâneas (de arroz, milho ou trigo) – contêm açúcar e, mesmo em pequenas porções, acrescentam muitas calorias ao leite ou às frutas.
  • Pontos importantes acerca da alimentação de crianças acima de 6 meses:
  • O leite materno deve continuar a ser oferecido;
  • Deve-se oferecer água própria para consumo pois é essencial para hidratar a criança após a introdução de novos alimentos;
  • A quantidade de alimentos oferecidos aumenta com o tempo;
  • Nem sempre a criança gosta do alimento na primeira vez, pode ser necessário que a criança prove o alimento várias vezes para se familiarizar com ele;
  • A comida da criança deve ser preparada com temperos naturais e quantidade mínima de sal e óleo;
  • O Açúcar não deve ser oferecido à criança menor de 2 anos. Nos dois primeiros anos de vida, não se deve adoçar frutas e bebidas com nenhum tipo de açúcar: branco, mascavo, cristal, demerara, açúcar de coco e nem melado, mel ou rapadura. Também não devem ser oferecidas preparações que tenham açúcar como ingrediente, como bolos, doces, geleias e biscoitos doces;
  • Apesar de o mel ser um produto natural, não é recomendado oferecer o alimento à criança menor de 2 anos.
Dicas: 
  • O período de introdução de novos alimentos para o bebê é um período de transição!
  • O cuidador irá perceber qual a melhor estratégia a ser utilizada com a criança, de modo que ela continue mamando peito sem interferir na aceitação dos novos alimentos;
  • Cozinhar para a família e para a criança a mesma comida utilizando alimentos in natura e minimamente processados;
  • Zelar para que a hora da alimentação da criança seja um momento de experiências positivas, aprendizado e afeto junto da família;
  • Cuidar da higiene em todas as etapas da alimentação da criança;
  • Oferecer à criança alimentação adequada e saudável também fora de casa;
  • Proteger a criança da publicidade de alimentos;
  • Manter o acompanhamento da saúde e do estado nutricional da criança junto aos profissionais de saúde da unidade de saúde mais próxima.

Publicações

Vídeos sobre Alimentação Saudável para educadores

Caminhos da Comida – vídeo voltado para professores e profissionais de saúde que aborda as dimensões da alimentação e os componentes do sistema alimentar e, ainda, a importância da promoção da alimentação adequada e saudável no ambiente escolar.

Nico e o tubérculo - vídeo voltado para estudantes do Ensino Fundamental I que aborda os temas cultura alimentar, comensalidade e grupos de alimentos, por meio da história de Nico, um menino que descobre o valor da cultura alimentar de sua família quando realiza uma tarefa escolar.

É importante saber!

Os Guias Alimentares são documentos que contém informações à população para facilitar a adoção de escolhas alimentares mais saudáveis em uma linguagem acessível a todas as pessoas e que leve em consideração a cultura local.

Clique aqui e conheça o Guia Alimentar para a População Brasileira do Ministério da Saúde.

Você sabia?

O Guia Alimentar para a População Brasileira, lançado em 2014, foi considerado o melhor do mundo na área de educação alimentar pelo Vox, principal jornal eletrônico dos Estados Unidos. Além disso, especialistas reconhecidos na área de nutrição e alimentação consideram o Guia revolucionário e um documento de referência para outros países.

Clique em cada ícone e saiba mais

1. Princípios do Guia

1. Alimentação é mais que ingestão de nutrientes
Alimentação diz respeito também a outros aspectos que influenciam na saúde e no bem-estar, como o modo de preparo e dimensões culturais

2. Recomendações sobre alimentação devem estar em sintonia com seu tempo
Recomendações feitas por guias alimentares devem levar em conta o cenário da evolução da alimentação e das condições de saúde da população.

3. Alimentação saudável deriva de sistema alimentar socialmente e ambientalmente sustentável
Recomendações sobre alimentação devem levar em conta o impacto das formas de produção e distribuição dos alimentos.

4. Diferentes saberes geram o conhecimento para a formulação de guias alimentares
Em face das várias dimensões da alimentação e da complexa relação entre essas dimensões e a saúde e o bem-estar das pessoas, o conhecimento necessário para elaborar recomendações é gerado por diferentes saberes.

5. Guias alimentares ampliam a autonomia nas escolhas alimentares
O acesso a informações confiáveis sobre características e determinantes da alimentação adequada e saudável contribui para que pessoas, famílias e comunidades ampliem a autonomia para fazer escolhas alimentares.

2. Classificação dos Alimentos

Esse Guia classifica os alimentos conforme seu grau de processamento:

Alimentos in natura: são obtidos diretamente de plantas ou animais sem que tenham sofrido qualquer alteração. Ex: frutas, legumes, hortaliças, castanhas, carnes, leite, ovos.

Alimentos minimamente processados: são alimentos in natura que passam por alguns processos (como remoção de partes não comestíveis ou indesejáveis, fermentação, pasteurização ou congelamento) para chegarem com qualidade ao consumidor. As alterações são mínimas. Esses alimentos não recebem sal, açúcar, óleos, gorduras, nem outros ingredientes. Ex: arroz, feijão, farinhas, frutas secas, suco de frutas pasteurizado sem açúcar, leite pasteurizado, suco de água potável, café, etc.

Ingredientes culinários: são extraídos de alimentos in natura oude outras fontes da natureza, e são usados para temperar e cozinhar alimentos e criar preparações culinárias. Ex: sal, açúcar, óleos e gorduras

Alimentos processados: são alimentos in natura ou minimamente processados que recebem sal, açúcar, vinagre ou óleo para, principalmente, durar mais tempo.
Ex: vegerais em conserva (preservados em salmoura ou solução de sal e vinagre), frutas em calda, carne seca, sardinha e atum enlatados, queijos, pães feitos farinha de trigo, leveduras, água e sal.

Alimentos ultraprocessados: são formulações industriais à base de ingredientes extraídos ou derivados de alimentos (óleos, gorduras, açúcar, amido modificado) ou, ainda, sintetizados em laboratório (corantes, aromatizantes, realçadores de sabor, etc.). Os rótulos podem conter listas enormes de ingredientes. A maioria deles tem a função de estender a duração do alimento, ou, ainda, dotá-lo de cor, sabor, aroma e textura para torná-lo atraente. Ex: Achocolatados, macarrão e temperos ‘instantâneos’, produtos congeladas, salgadinhos de pacote, biscoitos recheados, guloseimas em geral, barra de cereal, refrescos e regrigerantes, produtos congelados e prontos para aquecimento (massas, pizzas, hamburgueres), salsichas e outros embutidos, pães de forma, etc.

REGRA DE OURO:
Prefira sempre alimentos in natura ou minimamente processados e prepações culinárias a alimentos ultraprocessados

Como reconhecer os alimentos ultraprocessados?
Ao ler a lista de ingredientes presente no rótulo dos alimentos, se o alimentou possui número elevado de ingredientes (cinco ou mais), e ingredientes com nomes pouco familiares ( gordura vegetal hidrogenada, xarope de frutose, espessante, aromatizante, corante) e não usados em preparações culinárias, é um alimento ultraprocessado!

Você sabia?
Os alimentos ultraprocessados:
  • Têm composição nutricional desbalanceada, aumentando o risco de doenças crônicas e de deficiências nutricionais
  • Favorecem o consumo excessivo de calorias, por apresentar-se em tamanhos grandes
  • e/ou com concentrações elevadas de açúcar, sal e gordura;
  • Como podem ser consumidos em qualquer lugar e sem a necessidade de pratos, talheres e/ou mesa, estimulam o “comer sem atenção”, prejudicando a sensação de saciedade;
  • São formulados para que sejam extremamente saborosos (hipersabor), favorecendo o “comer sem parar”;
  • Em forma de sucos, refrigerantes ou refrescos, contêm “calorias líquidas”, atrapalhando a sensação de saciedade e favorecendo o ganho de peso.
  • O uso em excesso de embalagens descartáveis, monoculturas dependentes de agrotóxicos, uso intenso de fertilizantes químicos e de água para sua produção comprometem os recursos naturais.

3. Orientaçõs sobre o ato de comer

Comer com regularidade e com atenção
Procure fazer suas refeições diárias em horários semelhantes. Evite “beliscar” nos intervalos entre as refeições. Coma sempre devagar e desfrute o que está comendo, sem se envolver em outra atividade, sem distrações como celular, tablet e televisão.

Comer em ambientes apropriados
Procure comer sempre em locais limpos, confortáveis e tranquilos e onde não haja estímulos para o consumo de quantidades ilimitadas de alimentos. As características do ambiente (cheiros, sons, iluminação, conforto, condições de limpeza e outros) onde comemos influenciam a quantidade de alimentos que ingerimos e o prazer que podemos desfrutar da alimentação.

Comer em companhia
Sempre que possível, prefira comer em companhia, com familiares, amigos ou colegas de trabalho ou escola. Refeições feitas em companhia evitam que se coma rapidamente.Procure compartilhar também as atividades domésticas que antecedem ou sucedem o consumo das refeições.

Fique sabendo!
Os benefícios da adoção dessas orientações são vários, incluindo melhor digestão dos alimentos, controle mais eficiente do quanto comemos, maiores oportunidades de convivência com nossos familiares e amigos, maior interação social e, de modo geral, mais prazer com a alimentação.

4. Barreiras para uma Alimentação Adequada e Saudável

Informação: há muitas informações sobre alimentação e saúde, mas poucas são de fontes confiáveis. Tenha os guias elaborados pelo Ministério da Saúde como fonte confiável de informações e recomendações sobre alimentação adequada e saudável. Seu conteúdo está baseado nos conhecimentos mais recentes produzidos pelas várias disciplinas científicas do campo da alimentação e nutrição e em estudos populacionais representativos de toda a população brasileira. Utilize, discuta e divulgue o conteúdo deste guia na sua família, com seus amigos e colegas.

O Ministério publicou, como desdobramento do Guia um material intitulado Desmistificando dúvidas sobre Alimentação e Nutrição, com respostas para muitas dúvidas que são apresentadas pela população.

Oferta: alimentos ultraprocessados são encontrados em toda parte, sempre acompanhados de muita propaganda, enquanto alimentos in natura ou minimamente processados nem sempre são comercializados em locais próximos às casas das pessoas.

Uma dica!
Participar de grupos de compra de alimentos orgânicos adquiridos diretamente de produtores e da organização de hortas comunitárias!
Procure fazer compras de alimentos em mercados, feiras livres e feiras de produtores e em outros locais que comercializam variedades de alimentos in natura ou minimamente processados, dando preferência a alimentos orgânicos da agroecologia familiar. Evite fazer compras em locais que só vendem alimentos ultraprocessados.

Custo: embora legumes, verduras e frutas possam ter preço superior ao de alguns alimentos ultraprocessados, o custo total de uma alimentação baseada em alimentos in natura ou minimamente processados ainda é menor no Brasil do que o custo de uma alimentação baseada em alimentos ultraprocessados! Dê sempre preferência a legumes, verduras e frutas da estação e produzidos localmente e, quando comer fora de casa, prefira restaurantes que servem “comida feita na hora”. Reivindique junto às autoridades municipais a instalação de equipamentos públicos que comercializem alimentos in natura ou minimamente processados a preços acessíveis e a criação de restaurantes populares e de cozinhas comunitárias.

Habilidades culinárias: o enfraquecimento da transmissão de habilidades culinárias entre gerações favorece o consumo de alimentos ultraprocessados. Desenvolva, exercite e partilhe suas habilidades culinárias! Valorize o ato de preparar e cozinhar alimentos! Defenda a inclusão das habilidades culinárias como parte do currículo das escolas!

Tempo: para algumas pessoas, as recomendações deste guia podem implicar a dedicação de mais tempo à alimentação. Algumas estratégias para reduzir o tempo dedicado à aquisição dos alimentos e ao preparo das refeições são: planejar as compras; organizar a despensa; definir com antecedência o cardápio da semana; aumentar o seu domínio de técnicas culinárias, e incentivar que todos os membros de sua família compartilhem da responsabilidade pelas atividades domésticas relacionadas à alimentação.

Lembre-se!
Para encontrar tempo para fazer refeições regulares, comer sem pressa, desfrutar o prazer proporcionado pela alimentação e partilhar deste prazer com entes queridos, reavalie como você tem usado o seu tempo e considere quais outras atividades poderiam ceder espaço para a alimentação!

Publicidade: a publicidade de alimentos ultraprocessados domina os anúncios comerciais de alimentos, frequentemente veicula informações incorretas ou incompletas sobre alimentação e atinge, sobretudo, crianças e jovens. Esclareça-os de que a função da publicidade é essencialmente aumentar a venda de produtos, e não informar ou, menos ainda, educar as pessoas. Procure conhecer a legislação brasileira de proteção aos direitos do consumidor e denuncie aos órgãos públicos qualquer desrespeito a esta legislação.

5. Dez Passos para Uma alimentação Saudável

1. Fazer de alimentos in natura ou minimamente processados a base da alimentação.
Em grande variedade, alimentos in natura ou minimamente processados são a base ideal para uma alimentação nutricionalmente balanceada, saborosa, culturalmente apropriada e promotora de um sistema alimentar socialmente e ambientalmente sustentável.

2. Utilizar óleos, gorduras, sal e açúcar em pequenas quantidades ao temperar e cozinhar alimentos e criar preparações culinárias.
Utilizados com moderação em preparações culinárias com base em alimentos in natura ou minimamente processados, óleos, gorduras, sal e açúcar contribuem para diversificar e tornar mais saborosa a alimentação sem torná-la nutricionalmente desbalanceada.

3. Limitar o consumo de alimentos processados.
Os ingredientes e métodos usados na fabricação de alimentos processados, como conservas de legumes, compota de frutas, pães e queijos, alteram de modo desfavorável a composição nutricional dos alimentos dos quais derivam. Em pequenas quantidades, podem ser consumidos como ingredientes de preparações culinárias ou parte de refeições baseadas em alimentos in natura ou minimamente processados.

4. Evitar o consumo de alimentos ultraprocessados.
Devido a seus ingredientes, alimentos ultraprocessados são nutricionalmente desbalanceados. Por conta de sua formulação e apresentação, tendem a ser consumidos em excesso e a substituir alimentos in natura ou minimamente processados. Suas formas de produção, distribuição, comercialização e consumo afetam de modo desfavorável a cultura, a vida social e o meio ambiente.

5. Comer com regularidade e atenção, em ambientes apropriados e, sempre que possível, com companhia.
Procure fazer suas refeições em horários semelhantes todos os dias e evite “beliscar” nos intervalos entre as refeições. Coma sempre devagar e desfrute o que está comendo. Procure comer em locais limpos, confortáveis e tranquilos e onde não haja estímulos para o consumo de quantidades ilimitadas de alimento. Sempre que possível, coma em companhia, com familiares, amigos ou colegas de trabalho ou escola.

6. Fazer compras em locais que ofertem variedades de alimentos in natura ou minimamente processados.
Procure fazer compras de alimentos em mercados, feiras livres e feiras de produtores locais que comercializam variedades de alimentos in natura ou minimamente processados. Sempre que possível, adquira alimentos orgânicos e de base agroecológica, de preferência diretamente dos produtores.

7. Desenvolver, exercitar e partilhar habilidades culinárias.
Se você tem habilidades culinárias, procure desenvolvê-las e partilhá-las, principalmente com crianças e jovens, sem distinção de gênero. Se você não tem habilidades culinárias procure adquiri-las. Isso vale para homens e mulheres!

8. Planejar o uso do tempo para dar à alimentação o espaço que ela merece.
Planeje as compras de alimentos, organize a despensa doméstica e defina com antecedência o cardápio da semana. Divida com os membros de sua família a responsabilidade por todas as atividades domésticas relacionadas ao preparo de refeições. Faça da preparação de refeições e do ato de comer momentos privilegiados de convivência e prazer.

9. Dar preferência, quando fora de casa, a locais que servem refeições feitas na hora.
No dia a dia, procure locais que servem refeições feitas na hora e a preço justo. Restaurantes de comida a quilo podem ser boas opções, assim como refeitórios que servem comida caseira em escolas ou no local de trabalho. Evite redes de fast-food.

10. Ser crítico quanto a informações, orientações e mensagens sobre alimentação veiculadas em propagandas comerciais.
Lembre-se de que a função essencial da publicidade é aumentar a venda de produtos, e não informar ou, menos ainda, educar as pessoas. Avalie com crítica o que você lê, vê e ouve sobre alimentação em propagandas comerciais e estimule outras pessoas, particularmente crianças e jovens, a fazerem o mesmo.

6. Publicações sobre o Guia Alimentar para a População Brasileira

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