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Como está a sua alimentação? E como está a alimentação das crianças da família?

Pensando nessas reflexões, é que ao longo dos últimos anos a Diretoria de Promoção à Saúde vêm desenvolvendo ações para a comemoração do Dia Mundial da Alimentação, no dia 16 de outubro.

Como temática escolhida para a campanha de 2019, a SES-MG destaca a “Alimentação das crianças menores de 2 anos”, considerando que os dois primeiros anos de vida são decisivos para o crescimento e desenvolvimento da criança, para a formação de hábitos e para sua saúde durante toda a vida e que a alimentação tem papel fundamental em todo esse processo.

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Alimentação das crianças menores de 2 anos

Uma alimentação adequada e saudável deve ser feita com comida de verdade e começa com o aleitamento materno.

O aleitamento materno é a mais sábia estratégia natural de vínculo, afeto, proteção e nutrição para a criança e constitui a mais sensível, econômica e eficaz intervenção para redução da morbimortalidade infantil.

Aspectos Epidemiológicos

• No Brasil a mediana de aleitamento materno exclusivo (AME), ou seja, aquele sem a introdução de água, chás ou qualquer outro tipo de alimento cresceu de 23,4 dias em 1999 para 54,1 dias em 2008 (II Pesquisa de Prevalência de Aleitamento Materno nas Capitais Brasileiras e Distrito Federal, 2008);
• Já a mediana de aleitamento materno em crianças menores de 24 meses de idade passou de 9,8 meses (295,9 dias) em 1999 para 11,2 meses (341,6 dias) em 2008;
• Dados da Pesquisa Nacional de Saúde de 2013 mostram que a prevalência de aleitamento materno exclusivo entre crianças menores de 6 meses de idade no Brasil era de 36,6% e a prevalência de aleitamento materno em crianças menores de 24 meses de idade era de 52,1% em 2013;
• Esses dados têm demonstrado um crescimento exponencial na prevalência de aleitamento materno. Segundo a The Lancet, uma revista internacionalmente respeitada da área médica, o Brasil era considerado referência mundial em aleitamento materno (2016).
• Em relação a ingestão de alimentos ultraprocessados, esses começam a ser introduzidos já nos primeiros anos de vida: pesquisa realizada em 2016 demonstra que 32,3% das crianças menores de dois anos consumiram refrigerantes ou sucos artificiais e que 60,8% consumiram biscoitos, bolacha ou bolo.

Leite Materno e Amamentação

O leite materno é o alimento ideal para a criança, pois é totalmente adaptado às necessidades de seu organismo nos primeiros anos de vida, além disso a amamentação é fundamental para o desenvolvimento infantil e o estabelecimento de laços afetivos.

A recomendação atual é que a criança seja amamentada por 2 anos ou mais, e que nos primeiros 6 meses ela se alimente somente de leite materno. Nenhum outro tipo de alimento necessita ser dado ao bebê enquanto estiver em amamentação exclusiva: nem líquidos, como água, chá, suco ou outros leites; nem sólidos, como papinha e mingau. Mesmo em regiões secas e quentes, não é necessário oferecer água às crianças alimentadas somente com leite materno, pois ele possui toda a água necessária para a hidratação do bebê.

A oferta de outros alimentos antes dos 6 meses, além de desnecessária, pode ser prejudicial porque aumenta o risco de a criança ficar doente e pode prejudicar a absorção de nutrientes importantes existentes no leite materno, como o ferro e o zinco.

Lembre-se! Todo leite materno é adequado, não é fraco. Praticamente todas as mulheres tem capacidade de produzir leite suficiente para alimentar seu bebê.

- Por que amamentar é tão importante?
  • Porque faz bem à saúde da criança: O leite materno protege de infecções, como diarreia, pneumonia e otite e, caso a criança adoeça, a gravidade da doença tende a ser menor; previne algumas doenças no futuro, como asma, diabetes e obesidade; e favorece o desenvolvimento físico, cognitivo e emocional. Além disso, crianças amamentadas têm mais facilidade para aceitar novos alimentos. Por meio do leite materno, elas são apresentadas a diferentes sabores e odores, o que não ocorre com crianças alimentadas com outros leites, cujo sabor e cheiro não mudam.
  • Porque promove o vínculo afetivo: A amamentação é um ato de interação profunda entre a mulher e a criança, com muitas trocas, sendo geralmente prazeroso para ambas.
  • Porque faz bem à saúde da mulher: Amamentar auxilia na prevenção de algumas doenças da mulher, reduzindo as chances de desenvolver, no futuro, câncer de mama, de ovário e de endométrio e também diabetes tipo 2.
- Práticas que podem prejudicar a amamentação
  • Dar outros leites para “complementar” o leite materno – Isso faz com que a criança mame menos no peito, reduzindo o efeito protetor do leite materno contra doenças e causando diminuição na quantidade de leite produzido, além dos malefícios que esses leites podem provocar à saúde da criança.
  • Oferecer líquidos pela mamadeira – Isso confunde a criança, pois a maneira de sugar o peito e a mamadeira são diferentes. A criança pode acabar preferindo a mamadeira e recusar o peito.
  • Oferecer chupeta – Criança que usa chupeta tende a mamar menos tempo no peito.
  • Fumar durante a amamentação – As substâncias nocivas do cigarro, além de serem prejudiciais à mulher, passam para o leite materno.
  • Ingerir qualquer bebida alcoólica – O uso de álcool pela mulher é desaconselhado durante a amamentação, pois ele passa para o leite materno.

Alimentação Complementar Saudável

A partir dos 6 meses, além do leite materno, novos alimentos devem ser oferecidos à criança, apresentando-a um novo universo de cores, sabores, texturas e cheiros.
O Guia Alimentar para a População Brasileira classifica os alimentos em quatro grupos, conforme o tipo de processamento utilizado para sua fabricação:

Alimentos In natura ou minimamente processados – Os alimentos in natura são obtidos diretamente das plantas ou dos animais e não sofrem qualquer alteração após deixar a natureza. Os alimentos minimamente processados são alimentos in natura que sofreram alterações mínimas na indústria, como moagem, secagem, pasteurização, etc. Recomenda-se, que desde a infância, a maior parte dos alimentos consumidos diariamente sejam desse grupo. Exemplos: verduras, legumes, frutas, feijão, arroz, carne, peixe, frango e ovos.

Ingredientes culinários - São produtos usados para preparar as refeições. São fabricados pela indústria a partir de substâncias que existem em alimentos in natura. Usados com moderação, podem fazer parte das refeições à base de alimentos in natura ou minimamente processados. Como exemplo, podemos citar os óleos, gorduras, sal e açúcar.

Alimentos processados – São alimentos elaborados a partir de alimentos in natura, porém geralmente adicionados de sal ou de açúcar (ou outra substância de uso culinário) para durarem mais ou para permitir outras formas de consumo. Esses alimentos devem ser consumidos em pequenas quantidades por adultos. São exemplos desses alimentos: extrato ou concentrados de tomate (com sal e ou açúcar), frutas em calda ou cristalizadas, carne seca, sardinha e atum enlatados, queijos e pães feitos de farinha de trigo, leveduras, água e sal. Não são recomendados a oferta da maioria dos alimentos desse grupo, pelo excesso de açúcar ou sal, com exceção dos queijos e pães que podem ser ofertados a partir de 01 ano de idade.

Alimentos ultraprocessados - São produzidos pela indústria e levam muitos ingredientes, como sal, açúcar, óleos, gorduras e aditivos alimentares (corantes artificiais, conservantes, adoçantes, aromatizantes, realçadores de sabor, dentre outros ingredientes que não são utilizados em casa). Exemplos: biscoitos, sorvetes, balas e guloseimas em geral, salgadinhos “de pacote”, refrescos e refrigerantes, dentre outros. Os produtos desse grupo não devem fazer parte da alimentação da criança menor de 2 anos, devendo ser evitados, inclusive, por toda a família.

Principais recomendações do guia alimentar quanto ao tipo de processamento:
  • Os alimentos in natura e minimamente processados devem ser a base da alimentação da criança e de toda família.
  • Os alimentos ultraprocessados não devem ser oferecidos à criança e devem ser evitados pelos adultos. Em geral, contêm quantidades excessivas de calorias, sal, açúcar, gorduras e aditivos e poucas vitaminas e minerais.
  • Alimentos ultraprocessados comuns na alimentação da criança e que devem ser evitados.
  • Biscoitos e bolachas doces e salgados, simples ou com recheio – contêm muito açúcar, sal, gordura e aditivos químicos.
  • Cereais matinais açucarados – contêm muito açúcar e aditivos químicos.
  • Gelatina em pó – além de açúcar, contém muitos aditivos químicos, inclusive adoçantes, mesmo nas versões comuns (que não são light ou diet).
  • Geleia de mocotó – apesar de ter como um dos ingredientes “extrato proteico bovino”, a quantidade de proteína é muito pequena. Por outro lado, a quantidade de açúcar é muito alta. Meio pote do produto tem cerca de 30g de açúcar, o que equivale a mais de uma colher de sopa de açúcar.
  • Iogurte com sabores e tipo petit suisse – pode conter mais de 15 ingredientes, sendo muitos deles aditivos, como corantes, conservantes, adoçantes e estabilizantes.
  • Empanado de frango tipo nugget – contém aproximadamente 18 ingredientes e quantidades excessivas de sódio.
  • Macarrão instantâneo – contém quantidades excessivas de calorias, gordura e sódio.
  • Sorvetes industrializados – contêm mais de 15 ingredientes, dentre eles gordura vegetal, estabilizantes, emulsificantes, aromatizantes além de açúcar em grande quantidade.
  • Achocolatados – praticamente açúcar puro.
  • Leite fermentado – contém açúcar.
  • Farinhas de cereais instantâneas (de arroz, milho ou trigo) – contêm açúcar e, mesmo em pequenas porções, acrescentam muitas calorias ao leite ou às frutas.
  • Pontos importantes acerca da alimentação de crianças acima de 6 meses:
  • O leite materno deve continuar a ser oferecido;
  • Deve-se oferecer água própria para consumo pois é essencial para hidratar a criança após a introdução de novos alimentos;
  • A quantidade de alimentos oferecidos aumenta com o tempo;
  • Nem sempre a criança gosta do alimento na primeira vez, pode ser necessário que a criança prove o alimento várias vezes para se familiarizar com ele;
  • A comida da criança deve ser preparada com temperos naturais e quantidade mínima de sal e óleo;
  • O Açúcar não deve ser oferecido à criança menor de 2 anos. Nos dois primeiros anos de vida, não se deve adoçar frutas e bebidas com nenhum tipo de açúcar: branco, mascavo, cristal, demerara, açúcar de coco e nem melado, mel ou rapadura. Também não devem ser oferecidas preparações que tenham açúcar como ingrediente, como bolos, doces, geleias e biscoitos doces;
  • Apesar de o mel ser um produto natural, não é recomendado oferecer o alimento à criança menor de 2 anos.
Dicas: 
  • O período de introdução de novos alimentos para o bebê é um período de transição!
  • O cuidador irá perceber qual a melhor estratégia a ser utilizada com a criança, de modo que ela continue mamando peito sem interferir na aceitação dos novos alimentos;
  • Cozinhar para a família e para a criança a mesma comida utilizando alimentos in natura e minimamente processados;
  • Zelar para que a hora da alimentação da criança seja um momento de experiências positivas, aprendizado e afeto junto da família;
  • Cuidar da higiene em todas as etapas da alimentação da criança;
  • Oferecer à criança alimentação adequada e saudável também fora de casa;
  • Proteger a criança da publicidade de alimentos;
  • Manter o acompanhamento da saúde e do estado nutricional da criança junto aos profissionais de saúde da unidade de saúde mais próxima.

Publicações

Vídeos sobre Alimentação Saudável para educadores

Caminhos da Comida – vídeo voltado para professores e profissionais de saúde que aborda as dimensões da alimentação e os componentes do sistema alimentar e, ainda, a importância da promoção da alimentação adequada e saudável no ambiente escolar.

Nico e o tubérculo - vídeo voltado para estudantes do Ensino Fundamental I que aborda os temas cultura alimentar, comensalidade e grupos de alimentos, por meio da história de Nico, um menino que descobre o valor da cultura alimentar de sua família quando realiza uma tarefa escolar.

A Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) Sustentável envolve a garantia do acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, com base em práticas alimentares saudáveis, que respeitem a diversidade cultural e que sejam social, econômica e ambientalmente sustentáveis, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais. O direito humano fundamental à alimentação adequada, objetivo primordial da Política Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável, é direito absoluto, intransmissível, indisponível, irrenunciável, imprescritível e de natureza extrapatrimonial.

O aumento da demanda por alimentos impulsionou avanços no conhecimento e no desenvolvimento de tecnologias de produção agrícola, o que resultou em um intensivo uso de agrotóxicos nas lavouras, para eliminar pragas e vetores e aumentar a produtividade. Essas substâncias, entretanto, podem causar danos graves à saúde humana e ambiental quando utilizados sem as devidas medidas de proteção e controle.

O uso de agrotóxicos é um importante fator de risco para a saúde da população e, especialmente, do trabalhador do campo. Além dos malefícios causados pelos resíduos que ficam nos alimentos, os agrotóxicos provocam danos à saúde de quem tem contato direto com o produto ou materiais contaminados durante o processo produtivo. O principal efeito do agrotóxico sobre a saúde é a intoxicação, que pode ser a curto ou a longo prazo, dependendo da exposição.

A produção sustentável de alimentos deve, portanto, realizar-se com o menor impacto possível à saúde ambiental, do trabalhador e dos consumidores dos produtos agrícolas. Iniciativas agroecológicas e de produção orgânica sustentável estão sendo implementadas em todo o país e, especialmente, no Estado de Minas Gerais. Diversas ações de Vigilância em Saúde de Populações Expostas a Agrotóxicos têm sido desenvolvidas em parceria com a Agricultura com o objetivo de oferecer alimentos mais seguros, com o menor risco possível para a saúde dos trabalhadores da agricultura e para a saúde da população, de forma sustentável.

As recomendações gerais para a abordagem do sobrepeso e obesidade incluem mudanças no estilo de vida como: educação alimentar e prática de atividade física. A participação familiar nesse novo processo é essencial para o alcance de resultados positivos.

» Clique aqui e conheça o Guia Alimentar para a População Brasileira do Ministério da Saúde.

» Clique aqui e conheça o Material de apoio para profissionais de saúde - Desmistificando dúvidas sobre alimentação e nutrição.

 

 

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